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Deu início na manhã de hoje (03) o XX Encontro do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas, dando continuidade a programação do I Encontro Internacional de Políticas Públicas: Território Leitor. O evento conta com a presença de coordenadores e/ou representantes dos sistemas estaduais de bibliotecas públicas, exceto do estado do Amapá e Rio Grande do Sul que não enviaram representantes.

Graça Pimental, coordenadora do Sistema de Bibliotecas Públicas do Distrito Federal, deu início às apresentações. Graça apresentou alguns índices importantes do Distrito Federal (DF), dentre os quais o de que existem cerca de 53 mil analfabetos (15 anos ou mais), ou seja, 1,90% da população do DF, sendo que 16,58% da população não têm o hábito de leitura e 90,98% não frequentam biblioteca.

Na apresentação foram levantadas algumas problemáticas das bibliotecas públicas do DF, tais como: recursos orçamentários, recursos humanos, espaço físico, segurança pública, acesso à TICs etc. A coordenadora ainda destacou a apresentação do programa Mala do Livro, que amplia as possibilidades de acesso à leitura com a utilização de minibibliotecas instaladas em residência para empréstimo de livros.

Fabio Mota Queiroz, coordenador do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas de Mato Grosso do Sul, fez um histórico das ações promovidas por sua coordenação, bem como a formação nos municípios, o Projeto Acessibilidade em Bibliotecas Públicas e em 2015 a realização do Encontro Estadual de Bibliotecas.

Maria Socorro, coordenadora do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas de Goiás, há 3 anos sua coordenação  não desenvolve nenhum projeto por falta de investimento do estado, o que parece demonstrar o processo atual de precarização dos instrumentos culturais e educacionais no Brasil.

A coordenadora substituída do Sistema Estadual de Mato Grosso, Ana Heloísa, apresentou diversas ações, mas destacou que o estado ainda carece de recursos. Algumas ações apresentadas foram: 152 bibliotecas cadastradas no SEBP/MT, onde é possível obter informações no endereço www.bibliotecasmt.com.br; visitas para organização de bibliotecas, visto que muitos espaços encontravam-se em estado de desorganização do acervo e de equipes; visitas técnicas em 16 municípios.

Segundo Heloísa, o estado encontra-se atrasado no que diz respeito à informatização. Para 2016, conforme ela, há previsão de concurso para cargos de bibliotecários, onde os investimento serão de 950 mil reais para o SEBP/MT, 1 milhão para a Biblioteca Pública Estadual Estevão de Mendonça. Ela também comentou que em 2014 tinham doze bibliotecas fechadas e de lá para cá conseguiram reabrir apenas seis.

Maria Cristina, coordenadora do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas da Bahia, comentou que no estado 10 bibliotecas públicas estão fechadas, mas 443 encontram-se abertas. Algumas ações de 2015 apresentadas que tiveram destaques foram: lançamento do site do Sistema de Bibliotecas – www.bibliotecas.ba.gov.br e lançamento da Biblioteca Virtual Dois de Julho, que mudou o nome recentemente para Biblioteca Virtual Consuelo Pondé, especializada na história da Bahia.

“Na Bahia, são poucas as bibliotecas que possuem bibliotecários […]. Cerca de apenas 20 bibliotecas possuem bibliotecários”, destacou Maria Cristina. A coordenadora também destacou que em 2015 algumas bibliotecas públicas foram contempladas com os projetos: CDI Bibliotecas, Acessibilidade em Bibliotecas Públicas e Iberbibliotecas (com lançamento de ebook, cujo acesso está disponibilizado no site www.bibliotecas.ba.gov.br).

A coordenadora do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas do Ceará, Maria Aparecida, apresentou algumas ações 2014-2015, tais como: execução do projeto de modernização e implementação do Setor Braille em 53 bibliotecas municipais do Ceará; no final de 2013 cinco municípios foram contemplados com projetos de modernização do setor; quatro municípios contemplados com o CDI Bibliotecas; apoio e entrega de 40 Baús no II Seminário de Baú de Leitura (Casa do Conto): 10 anos e incentivo à leitura escolar e bibliotecas comunitárias; realização do VII Encontro do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas na XI Bienal Internacional do Livro do Ceará. Maria aparecida comentou ainda que hoje 198 bibliotecas municipais integram ao SEBP/CE.

Aline do Nascimento, coordenadora do Sistema de Bibliotecas Públicas do Maranhão, comentou que, a partir de visitas a municípios, em 2015 o SEBP/MA pôde constatar que, até o momento, em 27 visitas realizadas à municípios, existem 22 bibliotecas em funcionamento no estado e 5 municípios sem bibliotecas. Algumas ações do SEBP/MA apresentados por Aline foram: supervisão de bibliotecas, reunião com prefeitos, secretários e gestores e entrega de acervos.

Almiraci Dantas, coordenadora do Sistema de Bibliotecas Públicas de Alagoas, esclareceu que acabou de assumir o cargo, por este motivo não teve apresentações de ações para realizar. Almiraci comentou que, além de coordenadora do SEBP/AL, também atua na Biblioteca Pública Estadual Graciliano Ramos, onde é a única bibliotecária.

Marta Diniz, representando do Sistema de Estadual Bibliotecas Públicas de Pernambuco, apresentou alguns resultados no estado, tais como: na região do Sertão possui 54 bibliotecas ativas e 1 desativada; região Agreste possui 69 bibliotecas ativas e 1 desativada; na região Mata Norte e Sul bibliotecas 41 ativas e 1 desativadas; na região Metropolitana bibliotecas 9 ativas e 2 desativadas e no Distrito de Fernando de Noronha: 1 biblioteca ativada.

Marta apresentou ainda o projeto “Bibliotecar”, que visa “contribuir para a dinamização e revitalização das bibliotecas públicas municipais que compõe o SEBP/PE através da formação de suas equipes em 24 meses”, sendo que em 2015 apenas 50% do projeto foi realizado; exposição itinerante nas bibliotecas públicas municipais do Cabo de Santo Agostinho, Ferreiros e Igarassu; premiações: Caixa-estante: quem se informa está mais forte, Boas Práticas e Inovação em Bibliotecas Públicas.

A coordenadora de Bibliotecas Públicas da Paraíba, Cibelle Macedo, destacou como ações do SEBP/PB o projeto de contação itinerante, o projeto de incentivo à leitura, a realização de audiências públicas nos municípios e de curso de capacitações para profissionais de bibliotecas públicas do estado, além do projeto Agosto das Letras, realizado em agosto de 2015 onde a programação com oficinas, palestras, seminário de bibliotecas comunitárias. Destacou como perspectivas futuras a criação legal do SEBP/PB e o gerenciamento do Plano Nacional do Livro e Leitura – PNLL.

Rejane Souza, soordenadora do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas do Rio Grande do Norte, fez um histórico de como chegou ao SEBP. Rejane acaba de assumir o cargo e destacou alguns pontos da situação de seu estado. Segundo ela, há 4 anos a BP está em reforma e mais um 1 milhão foram investidos; as condições de atuação do SEPB são precárias, não havendo recursos para visitas aos municípios. Rejane destacou que seu desejo é criar um fórum para discutir as condições do SEBP e planejar atividades. Rejane informou ainda que todos os equipamentos culturais do estado possuem algum tipo de problema.

Maria Sônia, coordenadora de Bibliotecas Públicas de Sergipe, destacou que o estado possui 82 bibliotecas públicas e que atualmente o SEBP/SE não dispões de verbas para realização de atividades e no momento trabalha sem receber salário. Segundo ela, em novembro de 2015 foram realizadas visitas a municípios com bibliotecas fechadas e seis bibliotecas foram contempladas com o projeto Bibliotecas em Rede, realizado numa “parceria entre o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP) e a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) que se propõe a promover debates que estimulem a circulação de informações e de experiências entre profissionais de bibliotecas de um determinado contexto”.

Pedro Silva, representante do Sistema de Bibliotecas Públicas do Piauí, comentou que o SEBP/PI foi criado em 2003 e desde então nunca  houve investimento por parte do estado. Ainda segundo Pedro, o Piauí possui 224 municípios e muitos possuem bibliotecas fechadas. Muitos kits doados pelo SEBP/PI foram encontrados fora das bibliotecas, alguns encontrados nos gabinetes de prefeitos, alegou Pedro. Além disso, a instituição encontra-se atualmente sem telefone e internet.

Relato dos encontros regionais do CFB 2014-2015

Eliane Moro, conselheira do Conselho Federal de Biblioteconomia (CFB), iniciou sua palestra colocando a seguinte questão: “qual é a primeira biblioteca da nossa vida?”. Moro explicou que a nossa primeira biblioteca é a biblioteca pública, ou deveria ser.  Segundo ela, “a maior barreira na acessibilidade é atitudinal, que não depende de recursos, de situação financeira”. Ela apresentou como se deram os cinco Seminários Regionais do Conselho Federal de Biblioteconomia, que tiveram como objetivo as discussões e reflexões sobre as práticas profissionais dos bibliotecários no âmbito das bibliotecas públicas e escolares. Mora contou que “para conceber os seminários partiu-se do entendimento de que as bibliotecas não existem por si nem para si, uma vez que carregam consigo as intencionalidades e as concepções ideológicas daqueles que as pensam, as criam e as fazem funcionar, por meio de ações que levam às suas estruturações”.

A conselheira do CFB apresentou os resultados finais dos encontros realizados em todas as regiões do Brasil que, segundo ela, nas bibliotecas públicas e escolares as atividades são realizadas, na maioria das vezes, são executadas por auxiliares de bibliotecas, sendo a maioria professores readaptados. Segundo ela, a pesquisa mostrou que as bibliotecas são equipamentos culturais desconhecidos da população, que poucas pessoas frequentam e que os serviços oferecidos não tem sentido para a maioria da população.

Ela apresentou também algumas medidas para política da ausência de bibliotecários nas bibliotecas públicas, tais como: elaboração do Projeto de Curso de Bacharel em Biblioteconomia da modalidade em educação a distância (EaD); Projeto de Lei nº 6.038/2013, que regulamenta o exercício da atividade profissional de Técnico em Biblioteconomia. Eliane comentou ainda que o CFB realizará uma publicação de um livro com os resultados formalizados.

Articulação em rede

“Articulação em rede”, com mediação de Veridiana Negrini, coordenadora do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas, foi o tema da primeira mesa da tarde. Ana do Val, mestre em estudos culturais, que atua e pesquisa mapeamentos urbano-culturais, começou as discussões apresentando as questões importantes sobre como trabalhar um mapeamento. Ela também compartilhou sua experiência no projeto “Tô na Rede”.

Vinicius Wu, secretário de Articulação Institucional do Ministério da Cultura, deu continuidade à mesa apresentando a necessidade do Governo e sociedade conversaram. Ele se referiu aos pontos de cultura como co-implementadores de políticas culturais no país, e da importância do Sistemas Estaduais de Bibliotecas dialogarem com outros sistemas (saúde, educação etc). O secretário pontuou muito a necessidade de articulação em rede, mas não comentou sobre o que o Ministério da Cultura está fazendo para efetivar isso.

O final da mesa foi aberto espaço para perguntas dos participantes. Uma das manifestações foi de Vera Schroeder, superintendente da Superintendência da Leitura e do Conhecimento da Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro. Vera leu uma carta de repúdio, em nome de Maria Sebastiana Marques Palmeira (professora e incentivadora da leitura do município de Angra dos Reis, Rio de Janeiro), às atitudes do Conselho Regional de Biblioteconomia da 7ª Região (Rio de Janeiro) no que diz respeito à forma como vem atuando e inflacionando professores. Vera leu também uma carta aberta sobre o caso e pediu aos participantes presentes que assinassem. Clique aqui e confira o vídeo com a leitura dos documentos por Vera Schroeder.

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