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Desde os seus primórdios, o rádio vem trazendo informação e cultura para a sociedade. No decorrer da História, o rádio transmitiu os principais fatos ocorridos no mundo. Fez coberturas sobre a Segunda Guerra Mundial e transmissões de jogos das Copas do Mundo.  Transmitiu os hits dos artistas mais influentes, veiculou informações sobre saúde, política e economia. Ao longo desses anos, o sistema de rádio tem evoluído, modernizando seus equipamentos de radiodifusão e adequando os conteúdos de suas programações às necessidades da população.

Com o advento da internet, as rádios, assim como outros veículos de comunicação, ganharam um novo espaço para a sua atuação. Isto fez com que o modelo de rádio tradicional, analógico, aproveitando as tecnologias emergentes, migrasse aos poucos para o plano digital, surgindo assim, as rádios online.

O primeiro caso de transmissão radiofônica digital e contínua, via web, foi o da emissora comercial rádio Kliff, no Texas, Estados Unidos, no ano de 1995, quebrando uma série de paradigmas que envolviam o setor de radiodifusão. Até então, o que podia se chamar de rádio, eram estações analógicas com transmissões hertzianas, e uma transmissão via computador, em rede, era algo totalmente fora dos padrões conhecidos.  No Brasil, as rádios online chegaram um pouco depois, em 1996, com as transmissões da rádio manguetronic, um projeto idealizado por dois representantes do movimento mangue-beat do Ceará com o intuito de divulgar a música e a cultura local.

Assim como a manguetronic, hoje encontramos uma variedade de rádios na internet que diferem do modelo convencional, direcionadas a temas específicos, como religião, esporte, culinária, educação, etc., executadas 24 horas por dia. As rádios que existentem no ambiente em rede podem ser divididas em três categorias:

1) As rádios off-line: geralmente não possuem programação em áudio veiculada, contendo informações a respeito de sua estação de rádio tradicional (analógica), programação e envolvidos. Servem como forma de divulgação da marca;

2) As rádios on-line: são rádios que possuem programação sonora veiculada, sendo em grande parte emissoras que transmitem a mesma programação existente em sua estação analógica. Aproveitam do espaço online para divulgar informações sobre as programações, horários, locutores, etc., com o objetivo de atrair um maior público para a estação analógica, utilizando das vantagens de alcance da tecnologia em rede;

3) As webrádios: são rádios criadas diretamente para o ambiente digital, possuindo além da programação tradicional com locução, uma maior interação com as tecnologias da internet. É o modelo de rádio que será visto no decorrer deste artigo.

Dentre as vantagens que se pode destacar das rádios da web, vale dizer que este tipo de rádio não necessita de concessão estatal para funcionamento. Diferente das rádios analógicas, as quais somente um grupo seleto de concessionários/permissionários podiam atuar, passando por um processo burocrático com uma série de especificações do governo, as webrádios funcionam independentemente de concessões/permissões.

Para se criar uma rádio no ambiente em rede é relativamente fácil. Basta que o usuário tenha um computador com configurações mínimas requeridas, uma conexão com a internet, e um servidor de streaming conectado. As programações criadas no computador pessoal são direcionadas ao servidor, que então são distribuidas até os ouvintes via on-line. Existem várias empresas que disponibilizam o serviço de streaming para webrádios, com preços e pacotes de serviços que se adequam as necessidades do consumidor. Alguns muito úteis, como colocar as programações gravadas em um sistema automático de reprodução, sem necessidade do locutor intervir.

As webrádios possuem hospedagem e site próprios, onde o administrador gerencia o leiaute e demais recursos da página. Os tipos de transmissões das webrádios podem ter conteúdos veiculados em tempo real (ao vivo), ou distribuídos on demand (por demanda). No último caso, os áudios são gravados e armazenados em um servidor onde podem ser acessados a qualquer momento, segundo a disponibilidade de tempo e interesse do ouvinte. É um recurso de transmissão mais seletivo, no qual o usuário escolhe o que e quando vai ouvir.

Como visto, uma das características das rádios digitais é a segmentação do público. Isso envolve questões sociológicas, considerando que muitas surgem com o propósito de atender uma demanda específica em aberto que as rádios analógicas não conseguem atender. As rádios analógicas têm um perfil de público generalizado, buscando oferecer um conteúdo que atinja a grande massa de ouvintes. Por meio da segmentação, as webrádios conseguem suprir a necessidade de públicos peculiares, direcionando conteúdos a uma fatia que busca por determinados assuntos específicos.

 A interação encontrada nas rádios digitais é outro ponto forte. A tecnologia é de fácil manuseio, e por se situar dentro da internet, as webrádios conseguem integrar uma variedade de recursos e linguagens diferentes, o que as torna mais atrativas. É possível utilizar textos, imagens, vídeos, além de outros recursos para despertar o interesse do ouvinte e complementar a proposta da transmissão, tais como enquetes sobre os conteúdos, hipertexto para links externos e internos do site, navegação pelos menus das páginas, publicidade visual, chat, formulários de cadastro do ouvinte, área para pedidos de músicas on-line, grade de programação, artigos e matérias da rádio, perfil dos locutores em redes sociais, integração com redes sociais, feeds RSS, busca, entre outros recursos encontrados em páginas da web.

Entretanto, vale lembrar que as rádios digitais possuem um limite de acessos simultâneos de ouvintes, o qual é determinado pelos recursos contratados pelo transmissor. Sendo assim, para que se tenha uma gama maior de usuários conectados é necessário um investimento maior com infraestrutura.

J-Hero: um caso de sucesso

As webrádios, assim como as analógicas, se mantém de publicidade, o que faz com que muitas permaneçam e muitas cessem seus serviços, dependendo do retorno obtido. É muito comum ver rádios on-line saírem do ar. Como exemplo de sucesso, apontamos a rádio J-Hero, um projeto filantrópico, mantido por fãs da cultura oriental, há sete anos transmitindo.

A Rádio J-Hero surgiu em 2008 com uma proposta de oferecer uma programação voltada à cultura pop oriental. Desde então ela vem difundindo notícias e músicas direcionadas aos fãs da cultura japonesa e afins, promovendo entretenimento ao público 24 horas por dia, durante a semana inteira. Dentre os temas abordados na programação estão as trilhas sonoras de tokusatsus (seriados japoneses que fizeram bastante sucesso aqui no Brasil nos anos 90, pela extinta TV Manchete) e animes (séries de animação japonesa nas linhas de Pokémon e Naruto); J-Rock – música pop/rock do Japão; K-Pop – música pop coreana; temas de games; além de noticiários e informativos sobre o universo da cultura japonesa e relacionados.

O design da página da J-Hero é bastante agradável, intuitivo e de fácil navegação. Na página principal, no canto superior esquerdo, fica o logotipo e o slogan da rádio (Rádio J-Hero: do seu jeito, do seu gosto!!!). Ao lado dele, no canto direito, fica o player da rádio junto com informações do que está no ar no momento, além de informações sobre o locutor do programa. Também é possível acessar o perfil do locutor nas redes sociais, clicando no ícone correspondente que aparece logo abaixo de sua foto. Distribuídas pela página, ficam as notícias da semana que são escritas pelos redatores da rádio.

Nos menus da J-Hero, encontramos a grade de programação, faqs, colunas fixas dos redatores, chat de ouvintes, sobre a história da rádio, informações gerais do site, além de um campo para pesquisa interna de postagens e matérias.

Nota-se a grande interação da rádio nas enquetes, que possibilitam ao ouvinte participar de uma votação em prol do aprimoramento dos serviços oferecidos; nos pedidos de músicas em tempo real, que são feitos via preenchimento de pequenos formulários on-line, de acordo com cada programa; na seção para envio de desenhos, que são exibidos na página principal; e em muitos outros elementos, como os links para as redes sociais da J-Hero, e seu aplicativo para celulares android.

Nesses sete anos de transmissão, a J-Hero conseguiu concretizar seu objetivo de levar informação, cultura e entretenimento do universo pop oriental ao público ouvinte, comemorando seus anos com um serviço de qualidade. É mais uma prova da importância das rádios como uma ferramenta de construção social, que deve ser usada nos inúmeros segmentos de interesse da sociedade, integrando o modelo tradicional radiofônico com as vantagens propiciadas pelo ambiente em rede da web.

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