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No mês de outubro comemoramos o centenário de Vinícius de Moraes, diplomata, jornalista, poeta e compositor brasileiro e tivemos o Exame Nacional de Seleção do ensino Médio – ENEM. Diante destes acontecimentos faço uma homenagem ao conhecido “poetinha” pela contribuição à constituição de nossa nacionalidade pelo viés da cultura poética e musical. Faço isso através da descrição e comentários sobre a forma e o conteúdo de uma prova de ingresso que realizara para então Universidade do Rio de Janeiro (que em 1937 se tornaria Universidade do Brasil, passando a se chamar Universidade Federal do Rio de Janeiro só em 1965).

O leitor mais crítico quer me chamar a atenção porque o ENEM não tem nada haver com o vestibular de 1930. Com certeza não. Mas, leitor amigo, tens de concordar comigo, que este exame atual não mede em nada as habilidades de leitura e escrita do indivíduo numa situação normal da vida. Mede sim a capacidade do estudante em sobreviver a uma maratona cansativa.

Os exames antigamente tinham prova oral. Mas a realidade da Universidade era outra. Só os filhos da elite é que chegavam até o nível superior. Hoje em dia cursar uma universidade já é prerrogativa das massas populacionais ávidas por um emprego que lhe dê um retorno financeiro maior.

Não pretendo constituir nenhuma escrita sobre a vida do “poetinha” a partir deste documento histórico. Qualquer consideração sobre qualquer personalidade será sempre um “texto” aberto a infindáveis complementações de informações. Há muita informação arquivística que pode ser descoberta como, por exemplo,sobre nossos poetas consagrados da literatura brasileira.

Portanto, há sempre biógrafos que podem se constituir em referências (autorizadas ou não), mas nenhuma biografia é completa ou se pretende ser completa informando tudo sobre as pessoas pesquisadas.E, já que outubro foi o mês do ENEM, nada mais interessante que visualizarmos uma prova escrita de 1930 realizada por uma personalidade cultural que nem se pretendia tãoimportante e querido pelos brasileiros pelas suas poesias e composições musicais.

A prova escrita de filosofia: descrição e comentários

Este documento foi recuperado num projeto de “Memória Arquivística” implantado pelo Núcleo de Documentação e Memória Arquivística (NUDMA) da Faculdade Nacional de Direito (FND/UFRJ), através de um trabalho de pesquisa de servidores públicos, arquivistas, e exposto numa “Mostra de Documentos Históricos” em comemoração aos 120 anos da Faculdade Nacional de Direito ocorrida em 2011.

Houve uma pequena publicação no qual a referida “prova de filosofia” foi reproduzida, portanto passível de ser estudada e analisada sem maiores dificuldades.

Esse documento foi escolhido entre os vários para compor a mostra da FND/UFRJ pelo que diz a própria instituição, através do Núcleo de documentação e Memória Arquivística. Diz ele: “ Por entendermos que a memória coletiva é um processo de construção que se dá pela seletividade de diversos elementos, elegemos alguns documentos que nos permitiram recuar mais de um século de história para traçarmos o caminho percorrido pela Faculdade Nacional de Direito até os dias atuais (p.3)”.

Assim, Vinícius de Moraes, como outras personalidades oriundas de famílias de classe média alta,se graduaram, geralmente, em Direito, Medicina ou Engenharia.

A prova é de filosofia, uma redação cujo título é “Methodo”.  A ortografia era assim mesmo em 1930. Vinícius discorre sobre este assunto embasando sua afirmação a partir do que René Descartes (filósofo, físico e matemático francês) expõe em “Discurso do Methodo”, desenvolve a argumentação com boa coesão e coerência necessária a uma redação de vestibular. É um resumo comentado sobre os principais pontos daquela obra. Há uma indicação em cima da prova como se ele tivesse podido escolher um “ponto” ou assunto para discorrer. Está escrito “ponto 3 .

Porém o texto sugere que há uma continuação da redação em outra folha que não pudemos visualizar. Só há a primeira parte. O que será que Vinícius escrevera? A curiosidade se instala muito forte entre nós. Poderia ter realizado uma grande resenha que revelaria uma crítica pertinente sobre Descartes. Por enquanto nesta folha da redação que tivemos acesso somente há um resumo simples.

Recebeu nesta prova a nota de 7,0 segundo consta o carimbo ao lado. Além da prova, escrita houve uma prova oral que ele tirou 2,0. Talvez o peso da prova oral fosse 3,0 e o da escrita 7,0? É o que se sugere. A prova é datada de 14/03/1930.

Há outro material ótimo que produzido pelo Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro (AGCRJ) que me foi presenteado quando de meu estágio curricular em Arquivologia na época da graduação naquela instituição. Nele constam uma cronologia, uma biografia e materiais pessoais diversos reproduzidos como, por exemplo, fotografias, uma carta de Vinícius ao poeta Pablo Neruda, um poema que este fizera a aquele, além de vários outros documentos arquivísticos que retratam os períodos mais consagrados de Vinícius de Moraes que não sua vida de estudante.

Mas o leitor deve estar muito curioso para ver a prova de redação. Sugerimos a leitura do pequeno catálogo dos documentos que fizeram parte da Mostra ou se dirijam ao Arquivo da FND agendando horário para visita ao “arquivo histórico”. Também posso emprestar todas essas publicações.

Augusto Montano - Vinícius de Moraes estudante - Provaredaçãovinícius1930

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