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“A minha alma tá armada e apontada

para cara do sossego!

Pois paz sem voz, paz sem voz

Não é paz, é medo”.

(Minha alma, a paz que eu não quero – O Rappa)

A leitura dos versos da música “minha alma (a paz que eu não quero)” da banda O Rappa foi a primeira atividade do clube de leitura com moradores em situação de rua realizado na biblioteca parque estadual do Rio de Janeiro.

Incomodados com o possível fechamento das bibliotecas parque devido a crise no governo do estado, funcionários e frequentadores do espaço resolveram demonstrar a importância do local e criaram no dia 13 de maio de 2016, uma roda de leitura.

Os encontros são realizados sempre as sextas-feiras a partir das 17h nas dependências da biblioteca parque do Centro do Rio de Janeiro. Além de leituras de músicas e livros, a iniciativa também desenvolve debates sobre as obras de autores da literatura brasileira como Jorge Amado e Fenando Sabino.

As atividades foram iniciadas com cinco participantes e hoje conta com um total de quinze leitores fixos. Antônio Fernando da Silva, de 65 anos, que frequenta a roda de leitura desde o primeiro encontro, conta que gosta de literatura em quadrinhos e destaca a importância do projeto para o aprendizado e conhecimento da história:

“É gratificante a pessoa aprende muita coisa, cada dia tem uma atividade diferente, um dia é música, em outros são leituras, revista em quadrinhos, mas de vez em quando pego um livro interessante e leio. Às vezes ficamos parados no tempo, não conhecemos a história e com as atividades passamos a conhecer”.

O modelo de biblioteca parque nasceu na Colômbia como um espaço de convivência e promoção de cultura implantado nas cidades de Medelín e Bogotá. Com base nesse conceito a primeira unidade do Brasil foi inaugurada no ano de 2010 em Manguinhos, na Zona Norte do Rio. Atualmente o estado do Rio de Janeiro conta com quatro bibliotecas parque, além de Manguinhos, Centro, Rocinha e Niterói também possuem unidades seguindo esse modelo.

A partir de 2015, o funcionamento das bibliotecas estaduais foi afetado com os cortes de verbas e a escassez de recursos. O governo do estado chegou a anunciar o fechamento das bibliotecas parque, mas após um acordo, a prefeitura do Rio informou que garantirá até o final de 2016 o custo de 1 milhão e meio de reais para a manutenção desses espaços.

A Revista Biblioo vem acompanhando este processo de cortes de recursos que vem afetando as bibliotecas parque do Rio. Nossa equipe chegou a registrar no ano passado as dificuldades de alguns leitores que frequentam a biblioteca parque do Centro do Rio e ficaram surpresos na ocasião ao encontrá-la de portas fechadas. As pessoas ficaram impedidas de utilizar o espaço para estudar, fazer pesquisa, consultar o acervo e até mesmo de fazer devoluções de livros.

Na edição 62 que foi publicada em meados de novembro, a Biblioo publicou uma reportagem especial retratando a evolução e o declínio das bibliotecas parque que de um belo projeto chega à melancolia de uma decadência. A crise econômica acertou as unidades em cheio e no último dia 25 de novembro a coluna do jornalista Ancelmo Gois de O Globo noticiou em primeira mão que as quatro bibliotecas parque do Rio fecharão suas portas.

O Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG), Organização Social responsável pela administração das bibliotecas anunciou que vai colocar os 140 funcionários em aviso prévio em breve.

Nesse cenário de incertezas a auxiliar de biblioteca, Ingrid Santos, teme pela continuidade do clube de leitura e espera que as atividades continuem em prol do desenvolvimento da cidadania:

“Todo mundo vinha perguntar a todo o momento se a biblioteca iria fechar e respondia que não. A roda de leitura tem o objetivo de ser direcionada para pessoas em situação de rua, mas isso não impede que qualquer leitor da biblioteca venha a participar dos encontros, afinal a leitura é para todos. Eu espero que isso não termine e enxerguem que a biblioteca é um equipamento que  vai além do assistencialismo, nós vamos na cidadania”.

A biblioteca parque estadual é uma importante instituição cultural do Rio de Janeiro. Atualmente ocupa uma área de 15 mil metros quadrados no Centro da cidade. A recente reforma de modernização e ampliação durou mais de cinco anos e o espaço foi reinaugurado no dia 29 de março de 2014. Em setembro de 2016 a biblioteca alcançou a marca de mais de um milhão de visitantes desde a sua reinauguração.

Para conhecer mais a respeito do clube de leitura e das atividades desenvolvidas pela biblioteca parque estadual basta se dirigir a Avenida Presidente Vargas, número 1261, no Centro do Rio. O horário de funcionamento é de terça a sábado, das 11 as 19 horas.

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