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O ano de 2014 chega ao fim deixando uma série de marcas na Cultura Informacional. Algumas mais e outras menos importantes, mas todas de alguma forma determinantes para a cultura nacional. Seguindo a tradição, a Revista Biblioo lista aquelas que julga as mais significativas do período.

Troca de presidentes na BN

Após dois anos e dois meses à frente da Fundação Biblioteca Nacional (FBN), Galeno Amorim deixou o cargo no dia 26 de março, sendo substituído em seguida pelo cientista político e ensaísta Renato Lessa. Por ocasião de sua despedia da função, Amorim afirmou que o maior desafio da entidade era colocar “o pé no futuro”.

Sua saída se deu de forma conturbada uma vez que havia uma pressão sobre sua atuação enquanto gestor da instituição. Tempos antes circulara na internet um abaixo assinado no qual um grupo de pessoas envolvidas com a questão do livro fazia duras críticas à sua gestão.

Tampos depois, duas coordenadoras da FBN – Elisa Machado, coordenadora geral do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP) e Cleide Soares, então coordenadora geral de Leitura, uma unidade da Diretoria do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas (DLLLB) – pediram demissão (não atendida) fazendo críticas a sua gestão. Apesar dos percalços, Amorim, em entrevista à Revista Biblioo avaliou de forma positiva sua passagem pela FBN: “Na Biblioteca Nacional em si foram conquistas importantes”.

Caderno Especial Livros e Ideias: Censura no Regime Militar

Em 31 de março de 2014 nos 50 anos de instauração da ditadura militar brasileira a Revista Biblioo lançou seu primeiro caderno especial intitulado: “Livros e Ideias: Censura no Regime Militar”.  Essa publicação tem o intuito de levantar questões e debates a respeito da censura a livros nesse período da história brasileira através de relatos e entrevistas de pesquisadores que abordam essa temática.

Dentre os destaques do caderno especial temos a entrevista exclusiva com Sandra Reimão que falou sobre o lançamento do seu novo livro intitulado: “Repressão e resistência: censura a livros na ditadura militar”.  Segundo a autora: “O livro Repressão e resistência: censura a livros na ditadura militar aborda a censura à cultura e às artes e, especificamente, a livros durante a ditadura militar brasileira”.

Para conferir essa entrevista e outras novidade que estão no Caderno Especial Livros e Ideias acesse gratuitamente a nossa página e baixe essa publicação.

Adeus, Gabriel García Márquez

A Literatura Latino-Americana perdeu um dos seus grandes expoentes, o colombiano Gabriel García Márquez faleceu aos 87 anos em 17 de abril de 2014, na cidade do México vítima de uma pneumonia. García Márquez lutava contra um câncer linfático desde 1999.

Considerado um dos mais importantes escritores do século XX e o primeiro colombiano a receber o Prêmio Nobel de Literatura, García Márquez, tem uma vasta obra que refletia acerca dos rumos políticos e sociais da América Latina.

Dentre os livros mais aclamados do autor, “Cem Anos de Solidão”, continua a cativar leitores e é considerada a segunda obra mais importante de toda literatura hispânica, ficando atrás apenas de “Dom Quixote de la Mancha”.  Atualmente essa obra já foi traduzida para 35 idiomas e já vendeu cerca de 50 milhões de exemplares pelo mundo.

Aprovação do Marco Civil da Internet

Após anos de intenso debate, o legislativo nacional aprovou e a presidenta Dilma sancionou em 2014 o chamado Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014), instrumento pelo qual se regula o uso da Internet no Brasil, por meio da previsão de princípios, garantias, direitos e deveres para quem usa a rede, bem como da determinação de diretrizes para a atuação do Estado.

Um dos grandes benefícios trazidos à sociedade por esta nova Lei está em seu art. 9º, que protege a neutralidade da rede, garantindo tratamento isonômico aos pacotes de dados (grupos ou sequências de bits ou bytes, com determinada estrutura, que os dispositivos informáticos têm de codificar e descodificar na transferência de informações). Dessa maneira, os responsáveis pelos provedores de acesso não poderão privilegiar alguns serviços de Internet em detrimento de outros. Tal medida impede, por exemplo, que conteúdos de propriedade de determinado grupo econômico trafeguem na rede em velocidade superior à de outros agentes.

Apesar dos benefícios, tal lei deve ser vista com reservas, conforme ressalta o advogado Felipe Machado, “pois, apesar de ter sido criada para regular uso da Internet no âmbito cível, acaba surtindo efeitos na esfera penal, especialmente na investigação criminal”.

Para o especialista, “em uma primeira análise, chama a atenção o caráter contraditório do Marco Civil, que, por um lado, mostra-se um avanço, mas, por outro, revela uma temerária possiblidade de invasão da privacidade dos usuários da rede mundial de computadores”.

Adeus, Edson Nery

Com o falecimento de Edson Nery da Fonseca, acorrida no dia 22 de junho, o ano de 2014 termina com um saldo mais que negativo para a Biblioteconomia em particular e para a cultura em geral. À época, a notícia provocou comoção entre os profissionais em virtude, sobretudo, de sua atuação marcante, seja do ponto de vista técnico, seja do ponto de vista intelectual.

Nery fez história: fundou a biblioteca da Universidade de Brasília (UnB) e o Departamento de Biblioteconomia daquela Universidade. Também fez polêmica: defendia a substituição da formação em nível de graduação dos bibliotecários pela de pós-graduação.

Escreveu muito, uma obra vasta, sobre assuntos diversos, que influenciou e continua a influenciar estudantes e profissionais. Amigo de longa data de Gilberto Freire, tornou-se o principal divulgador de sua obra, proferindo palestras em diversas ocasiões até que as limitações em sua saúde o impedisse.

Surpreendidos pela notícia às vésperas do fechamento da edição 33 da Revista Biblioo, a equipa de editores reformulou a edição trazendo uma publicação que em grande medida buscava homenagear esta grande figura da intelectualidade nacional.

A morte dos “imortais”

O ano de 2014 foi realmente nefasto para a literatura nacional. Nada menos do que cinco importantes escritores faleceram durante o período, sendo quatro deles membros da Academia Brasileira de Letras, ironicamente chamados de imortais: Rubem Fonseca, Ariano Suassuna, Ivan Junqueira e João Ubaldo Ribeiro.

Este último era um frequentador assíduo da Biblioteca Pública Juracy Magalhães Jr, em Itaparica, na Bahia, de onde era natural, e há mais de quinze anos comemorava o seu aniversário lá. Chegou a ter a chave de uma sala da instituição por um período de dois anos, onde escreveu o livro Viva o Povo Brasileiro. Um dos últimos presentes que nem sequer chegou a ver foi a colocação do seu busto nas dependências da biblioteca pública.

Embora não fizesse parte do rol dos imortais, Manoel de Barros deixou um vasto legado literário para a cultura nacional em mais de trinta livros, sendo o “Livro sobre Nada” o mais conhecido deles. Reza a lenda que enquanto ainda escrevia, Carlos Drummond de Andrade recusou o epíteto de maior poeta vivo do Brasil em favor de Barros.

Revista Biblioo lança edições impressas

Em setembro de 2014 a Revista Biblioo lançou sua primeira versão impressa, a edição 36 que abordou a temática da Biblioteconomia Jurídica. Tendo como um dos destaques a entrevista com a bibliotecária Edilenice Passos, que alertou a respeito da necessidade de qualificar os bibliotecários jurídicos. Segundo Edilenice, “precisamos melhorar a qualificação dos bibliotecários jurídicos, somente a graduação não é suficiente”.

A partir disso, a Revista Biblioo manteve as edições posteriores também de forma impressa, a edição 37 no mês de outubro e a edição 38 no mês de novembro. A primeira teve como temática principal questões relacionadas com a leitura e o exercício da cidadania com a entrevista exclusiva com Francisco Gregório Filho. A edição 38 teve como uma das temáticas principais acessibilidade em bibliotecas públicas.

 Essas três edições estão sendo comercializadas na Loja biblioo. Para adquirir a sua acesse a Loja biblio.

Zuenir Ventura na Academia Brasileira de Letras

O jornalista e escritor Zuenir Ventura foi eleito imortal da Academia Brasileira de Letras com 35 dos 37 votos.  Ele vai ocupar a cadeira de número 32 que era utilizada pelo poeta e romancista Ariano Suassuna, que faleceu em julho.

Ventura é mineiro de Além Paraíba e chega à Academia aos 83 anos.  Já trabalhou em alguns dos principais veículos de comunicação no Brasil e atualmente é colunista do jornal “O Globo”.

Entre os grandes trabalhos de Zuenir estão a série de reportagens publicada no Jornal do Brasil em 1989 intitulada: “O Acre de Chico Mendes”. Por essas reportagens Zuenir recebeu o Prêmio Esso de Jornalismo e o Prêmio Vladimir Herzog.  Além da série de reportagens, Ventura também escreveu os livros: “1968: o ano que não terminou” e “Cidade Partida”. O primeiro a respeito dos anos de chumbo no Brasil, já vendeu em torno de 400 mil exemplares em 48 edições e o segundo um livro-reportagem sobre questões que envolvem a violência na cidade do Rio de Janeiro, já foi traduzido na Itália e lhe valeu o Prêmio Jabuti de Reportagem.

Museu da Maré Resiste!

Inaugurado em 2006, o Museu da Maré, no complexo da Maré, zona norte da cidade do Rio de Janeiro, está sob ameaça de despejo.  O sinal de alerta veio em junho com uma notificação oficial em que o Grupo Libra, dono da área onde está instalado o Museu, pediu de volta o espaço que estava cedido ao Museu há 11 anos.  Em um primeiro momento o prazo de desapropriação do espaço era para o início de dezembro de 2014, mas após intervenção da secretaria de estado de Turismo do Rio de Janeiro esse prazo foi estendido para março de 2015.

Diante de tal situação, a equipe do Museu da Maré, os moradores, algumas autoridades e a sociedade civil iniciaram o movimento: “Maré Resiste!”. Segundo Cláudia Rose e Luiz Antonio de Oliveira, coordenadores e fundadores do Museu, “esse movimento é de todos aqueles que acreditam na transformação social através da cultura”.

O Museu guarda a memória da ocupação da Maré, reunindo mais de 5 mil fotos, biblioteca, aulas de dança, teatro, música, artesanato para crianças e uma réplica em tamanho real de uma casa de palafita tradicional das primeira ocupações na região, entre outros.

Com o intuito de apoiar e se juntar em prol da luta pela permanência do Museu da Maré a Revista Biblioo publicou um Caderno Especial intitulado: “O Museu da Maré Fica!: a instituição resiste frente ao perigo de despejo”.  Essa publicação está disponível em nosso site de forma gratuita. Para baixar acesse: www.biblioo.info/caderno-especial-02.

Martha Suplicy fora da “Cultura”

Uma das notícias de última hora neste encerramento de 2014 deu conta do pedido de demissão de Marta Suplicy do cargo de ministra da Cultura. No dia 11 de novembro ela protocolou na Casa Civil um documento no qual fazia críticas indiretas à condução da política econômica no primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff.

“Todos nós, brasileiros, desejamos, neste momento, que a senhora seja iluminada ao escolher sua nova equipe de trabalho, a começar por uma equipe econômica independente, experiente e comprovada, que resgate a confiança e credibilidade ao seu governo e que, acima de tudo, esteja comprometida com uma nova agenda de estabilidade e crescimento para o nosso país. Isto é o que hoje o Brasil, ansiosamente, aguarda e espera”, afirmou a petista na carta de demissão.

Marta estava no cargo desde setembro de 2012. Logo que assumiu a pasta ela veio ao Rio para cumprir agenda oficial e na ocasião anunciou R$ 70 milhões em investimentos na Biblioteca Nacional. Parte desta verba está sendo usada nas obras de engenharia e restauração no prédio sede, no Centro.

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