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Ao sentar em frente ao computador para escrever essas pequenas linhas, me perguntei se de fato minha escrita toca o coração e a mente do leitor. Se o leitor, sendo bibliotecário, toca e se torna uma agradável lembrança para seu usuário!

Minha primeira experiência com bibliotecários foi precoce. Descobri em um dos meus passeios de bicicleta pelo bairro uma pequena biblioteca. Lá duas senhoras, antigas professoras, tomavam conta do acervo e como o bibliotecário Jorge, personagem do livro O nome da rosa de Umberto Eco, restringiam o que minha curiosidade queria, sonegando informação e omitindo livros que constavam no catalogo.

Mais tarde um projeto do governo inaugurou uma biblioteca na minha escola, chamada sala de leitura, com livre acesso, acervo estupendo, mais sem bibliotecários. Depois de algumas brigas e alguns livros encaminhados ao CTI, uma antiga professora se tornou a guardiã dos livros. E essa se tornou uma amiga e tutora. Qualquer pergunta, qualquer livro, qualquer referência ou assunto que eu quisesse ler, antes deveria elaborar algumas palavras chaves e pesquisar esses breves tópicos na BARSA. Tudo isso com uma única condição: só poderia pegar emprestado um livro por vez!

Hoje adulto, mais ainda com alguns hábitos de menino, nunca perco a oportunidade de entrar em lugares que não conheço (e mesmo conhecendo), pergunto sobre a história do lugar e sobre os livros. Deixo meu interlocutor contar sua historia, a do acervo ou de perguntas quaisquer que surjam na minha mente no momento.

Diminua seu biblioteconomês, sua rigidez técnica e seu puritanismo nas regras. O acervo de qualquer biblioteca pode ser excelente, mas ainda é o fator humano que atrai e agrega leitores.

Uma biblioteca sem leitores é um lugar calmo, organizado e morto!

 Muito se discute em como tornar uma biblioteca um lugar mais agradável para o leitor. Políticas são feitas, organogramas e metas são construídos; plantas são elaboradas para o máximo aproveitamento do espaço físico, cartilhas para procedimentos padrões de atendimento são feitas e reescritas conforme novas problemáticas são debatidas…

Passeando pelo Centro do Rio de Janeiro histórico, me deparo com um centro cultural com uma porta minúscula, convidativa até para explorar a arquitetura, as ruínas e a biblioteca do local que sabia, de antemão ser maravilhosa, se não fosse o guarda de braços cruzados e cara fechada ao lado dela. Quando as coisas se complicam a esse ponto, onde ações contraproducentes são tomadas, me lembro de uma historia que ouvi, mas nunca consegui descobrir se realmente aconteceu:

Na época da guerra fria, as duas superpotências estavam gastando alguns milhares de dólares e rublos, procurando aperfeiçoar um dispositivo que escrevesse em gravidade zero. Os russos podem até ter perdido a corrida espacial, mas nessa disputa ganharam, sabe por quê? Eles voltaram a utilizar o lápis.

Se as coisas estão tão impregnadas de regras que você não sabe como agir; se você anda se perdendo no mar de citações bibliográficas que são solicitadas, pare e respire, o trabalho dentro de uma biblioteca será sempre infinito, não importa quanto livros você organize, catalogue, indexe ou referencie. Amanhã sempre terá mais.

Uma antiga professora se tornou meu referencial de bibliotecário com duas regras: pesquise antes de ler e só leia um livro por vez.

Você pode se tornar uma nova referência também: no próximo atendimento que fizer, sorria! Mesmo que fale ao telefone, tente dar a cada usuário um atendimento único.

Dentro de cada ser humano habita uma criança, mesmo que ela esteja atrás de maus hábitos, rancores e sofrimento. Sorria e essa criança sorrirá de volta! (ou não, vai que ela te dá língua).

Assim, você poderá ser como um livro, num conto-metáfora de Borges, e como livro você poderia ser definido:

 “Sócrates ensina que o verdadeiro livro é aquele cujo autor tem algo de novo a revelar ‘sementes que produzem novas sementes em outras almas’ o falso livro é aquele escrito por alguém que não tinha nenhuma coisa nova a dizer. Uma vez escrito, um discurso sai a vagar por toda parte, não só entre os conhecedores do assunto exposto, mas também entre os que não o entendem; e nunca se pode dizer para quem serve e para quem é inútil”.

Assim você fará parte do movimento da “Nova Biblioteconomia” e nem saberá quantos usuários vai atingir, assim como esse pequeno texto da biblioo não tem a menor ideia de quantas pessoas auxilia.

“Que ninguém se engane: só se consegue a simplicidade através de muito trabalho.”  (Clarice Lispector)

“Antes da iluminação eu cortava lenha e carregava água. Depois da iluminação eu continuo cortando lenha e carregando água.” (Antigo provérbio Zen)

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2 Comentários

  1. Maní Wagner
    1 de fevereiro de 2013 a 14:22 —

    Que livro é esse de Borges ?!

  2. 4 de fevereiro de 2013 a 13:45 —

    Ficções de Jorge Luis Borges, só que o homem livro é uma metáfora do autor em um dos contos, menos de um paragrafo. A ideia é antiga. Existe um provérbio africano que diz: Quando um velho morre, é uma biblioteca inteira que queima. Espero ter ajudado.

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