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Todos já estão indo embora, a festa acabou. A grande festa acabou e é um dia triste por aqui. As ruas estão vazias por onde o bloco passou e a banda, que calou as marchinhas a muito, deixa-nos sentir a alegria esvair-se.  De fato, é mais um triste fim de carnaval e agora, posso ouvir, a banda se calou.

O palhaço já se foi, a bailarina também, e o soldado e aquela bela bruxinha nem se quer percebi quando partiram. O pirata já seguiu para os seus mares distantes e a princesa já voltou ao seu castelo de antes. O conto de fadas que aqui reinava, agora acabou, e todos, voltaram a serem os mesmos personagens de outrora, aqueles, do ano inteiro.  As Anas, os Andrés, as Marias e os Joãos.  Todos sérios e sãos ou não.

Pois já é quarta-feira, cintilam as fantasias pelo chão e os restos de adereços que ficaram para trás e também, as máscaras caídas, dos beijos interminavelmente roubados dos mascarados apaixonados que também partiram em meio à multidão. Como você partiu e me partiu, deixando germinando dentro de mim, a doce lembrança e saudosa desse seu carnaval, risonho e mágico, desse seu beijo quente de carnaval. Quente como é o verão típico do Rio.

Entretanto, agora, sem você aqui por perto, tudo é silêncio. Sem seu sorriso, tudo é tão triste. Tudo é quarta-feira de cinzas, e nos subúrbios e vielas de mim, o segredo do meu amor por ti, também corre as tangentes, corre nas veias, corre perdido, corre o perigo de estar sempre sozinho, à espera da sua colombina.

Mas não se afaste assim, não quero que se afastes assim, fique um pouco mais…

Quero que corra para os meus braços, reinventando os meus passos e todo esse carnaval passado e por vir. Pois descobri que não sou mais arlequim, que não sou mais pierrot, que sem você não sou, mas que bem sei que estou escravo do seu beijo, escravo desse amor, que me cativa, que atormenta meu corpo por causa da sua ausência.

Mas é quarta-feira e é de cinzas, cinzas de carnaval, cinzas de mim, o cinza dos meus olhos sem ver você. Colombina, porque?Por que sofro assim? Tens uma resposta pra mim?

É quarta-feira de cinzas e tudo está acabado nesse carnaval, tudo está. Não há mais samba, não há mais folia, muito menos a alegria que já partiu com os outros. A alegria que me deixou só por que todo carnaval tem seu fim.

Agora vem o que me restar. Vou pra Lapa, vou beber, virei malandro, vou esquecer e dessa quarta sem te ter, não quero mais saber.  Vou virar boemia, macumbeiro ou vou fazer uma prece, ao meio-dia,  na praça da Sé, uma prece pra você dizer que sim, que esse carnaval é do ano inteiro e não só de fevereiro. Porque é nosso carnaval.

E se esta prece funcionar, se você resolver voltar, eu sei que vou te amar. Pois sei que com você, colombina, tudo é carnaval, tudo é folia, é samba, é loucura. Ao contrário de estar sem você, longe, onde tudo é quarta-feira de cinzas. Onde tudo não passa de uma mera quarta-feira de cinzas e sigo cantando ao léu, um samba de Cartola, para lua e para os cachorros dessa rua…

“Pois simplesmente, as rosas não falam, as rosas simplesmente exalam o perfume que roubam de ti.”

…E subo o morro…

 

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