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Com as ruas vazias em função da quarentena, vários monumentos e prédios históricos da cidade do Rio de Janeiro (RJ) estão sendo depredados. A informação foi divulgada pelo diretor-presidente do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), órgão da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, Claudio Prado de Melo, em sua página do Facebook.

Segundo Melo, na Praça Tiradentes, no Centro, o monumento dedicado a Dom Pedro I foi pichado. “Na Rua Primeiro de Março, as Igrejas de Santa Cruz dos Militares e a Antiga Sé estão tendo suas portas seculares sistematicamente vandalizadas e as ‘saias’ protetoras de metal (cobre) estão sendo uma a uma arrancadas”, disse.

O diretor denunciou que na Travessa do Comércio e na Rua dos Mercadores, ambas no Centro do Rio, vários imóveis estão sendo arrombados e seus materiais sendo furtados. No Passeio Público teria se intensificando o roubo dos elementos de metal dos monumentos e sobretudo do gradil histórico. Cenário parecido com o quem tem ocorrido nos monumentos da Praça Paris, na Gloria, Zona Sul do Rio.

Além da depredação, o tempo e o descaso estariam contribuindo para os problemas. O diretor do Inepac explica que o prédio do Automóvel Clube do Brasil (antigo Cassino Fluminense) “teve sua parte interna colapsada. Telhado e pisos ruíram, como se fosse uma implosão”.

“Estamos trabalhando na reocupação dele desde junho de 2019 e estávamos perto de conseguir uma grande entidade que pudesse adota-lo e fazer um Termo de Cessão, até que chegou o corona [se referindo ao Coronavírus] e interrompeu essa tratativa. Agora com seu colapso interno será mais difícil achar a solução”, desabafou.

O diretor atribuiu parte dos problemas à população em situação de rua que, segundo ele, “é uma fonte de dano em potencial”. “Agora a gestão patrimonial não tem que pensar apenas nas intempéries, na poluição e outros fatores naturais quando pensa em preservar o Patrimônio material, mas sobretudo no HOMEM como um AGENTE de um dano que é muito mais prejudicial e danoso do que qualquer 100 ou 200 anos de intempérie”, disse.

O órgão criou a “Brigada do Patrimônio”, um canal de comunicação para receber denúncias sobre a depredação do patrimônio histórico e artístico do estado. “Dessa forma podemos tanto contatar os responsáveis para que se ajuste uma solução, bem como levar a polícia e as autoridades do MP [Ministério Público] para que ações judiciais sejam pensadas”.

A Biblioo procurou o diretor do Inepac para uma entrevista, mas nós fomos orientados a aguardar enquanto a situação da pandemia melhora. Sobre as denúncias, as pessoas estão sendo orientadas a ligar para a “Brigada do Patrimônio”, que atende 24h pelo WhatsApp no número (21) 98913-1561. Abaixo algumas imagens disponibilizadas por Melo na sua conta do Facebook.

Fachada do prédio do Automóvel Clube do Brasil. Foto: divulgação
O telhado do prédio do Automóvel Clube do Brasil destruído. Foto: divulgação
O telhado do prédio do Automóvel Clube do Brasil destruído. Foto: divulgação
Gradil do Passeio Público, no Centro do Rio, destruído. Foto: divulgação
“Saia” das portas da Igrejas de Santa Cruz arrancadas. Foto: divulgação
Monumento depredado na Praça Paris, na Gloria. Foto: divulgação
A Praça París, na Gloria, tem monumento destruído. Foto: divulgação
Gradil da Praça Tiradentes pichado. Foto: divulgação
Outro monumento da Praça Tiradentes pichado. Foto: divulgação
Luminária da Praça Tiradentes destruída. Foto: divulgação
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