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Os manifestos que eclodiram no Brasil nas últimas semanas se contrapõem a anos de indiferentismo/comodismo e vislumbram a vanguarda de um cotidianismo social que conota a insatisfação com a realidade social e política do Brasil. Por mais que os manifestos aparentem a consecução de uma causa mais específica (preço das passagens, por exemplo) é possível observar a subjacência estrutural de uma causa muito mais densa (educação, saúde, estrutura urbana… necessidade de reformas de cunho político e tributário).

Diante de toda essa eclosão, podemos perguntar: como a Biblioteconomia pode contribuir/participar ativamente desse movimento? A priori, destaco alguns elementos que demandam a participação da classe biblioteconômica:

a) Política – é pertinente a luta dos bibliotecários pela elaboração de uma política nacional integrada de bibliotecas, especialmente públicas, escolares, comunitárias e universitárias (e com a prerrogativa de inserir outros centros de informação se constituindo em uma efetiva política pública social de informação), pois é preciso considerar que o Brasil ainda não tem uma perspectiva consistente de ação em bibliotecas, salvo políticas que incluem as bibliotecas como fatores isolados ou secundários;

b) Educação – considero que este é um ponto central e sintomático na atualidade, de modo que boa parte da atuação da Biblioteconomia está situada neste setor, especialmente através das bibliotecas escolares, universitárias e públicas. A luta pelo cumprimento da Lei 12.244/10 e um olhar efetivo para a universalização das bibliotecas deve ter um olhar cauto de todo e qualquer componente da Biblioteconomia, pois, mais do que uma ampliação de mercado, estamos lidando com a efetivação da Biblioteconomia como uma categoria essencialmente ligada a educação;

c) Saúde – a crescente concepção do bibliotecário atuante na área de saúde serve de alerta para exigência de uma política de bibliotecas (e outros centros de informação) em hospitais e outras instituições de saúde, visando promover uma dinâmica informacional mais efetiva para usuários considerados internos (profissionais da saúde e pacientes) e externos (familiares dos pacientes e, comunidades adjacentes, por exemplo).

d) Cultura – é preciso que a Biblioteconomia se aproxime em escala cada vez mais larga do cotidiano cultural municipal, estadual, regional e nacional, pois é precisamente das manifestações populares que uma área do conhecimento conquista seu reconhecimento e a Biblioteconomia é uma área que pode contribuir muito para preservação e o desenvolvimento da cultura popular do Brasil, por meio de projetos e ações voltadas para valorização das bibliotecas como instrumento de ação cultural, práticas de mediação e serviços de informação, além de atividades de preservação da memória e organização do conhecimento fortalecendo o viés cultural do país, seja em caráter impresso, seja digital.

Para tanto, é premente que a Biblioteconomia ocupe as ruas e os espaços públicos, principalmente de cunho institucional (assembleias legislativas, câmaras municipais, congresso nacional…), visando lutar pela efetivação dos elementos indicados neste texto. É preciso também lutar pela ideia do bibliotecário como gestor público, haja vista que a inserção de ‘profissionais leigos’ em cultura informacional para gerenciar/dirigir bibliotecas e outros centros de informação ou mesmo de se inserir em secretarias, em particular, de educação e cultura desvaloriza os espaços potenciais de atuação das bibliotecas e da Biblioteconomia.

Por fim, vale destacar a necessidade de politização e preparação do bibliotecário para ocupar e gerir serviços públicos, desde a formação acadêmica, passando pela atuação profissional e representação política, visando alavancar o protagonismo político-institucional da Biblioteconomia, enquanto categoria acadêmico-profissional, política e humana. Diante dessas questões, será que é viável protestar? Creio que a Biblioteconomia ‘tem muito a ver’ com a necessidade de mudanças prementes e emergentes em nosso Brasil. Mas é preciso desatar os nós que assolam as limitações políticas, humanas e profissionais de nossa área.

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2 Comentários

  1. Sonia
    29 de julho de 2013 a 10:19 — Responder

    E os Conselhos de Biblioteconomia, como seria a atuação deles? Parecem que trabalham isolados do restante da sociedade ou dos associados.

    • Jonathas Carvalho
      30 de julho de 2013 a 15:06 — Responder

      Olá Sonia, muito pertinente seu comentário. Em verdade, creio que seja preciso redefinir a atuação do Conselho em nossa área primando por um redimensionamento relacional no âmbito da informação. Em outro texto para a Revista Biblioo desenvolvi uma reflexão sobre a atuação do Conselho no sentido de propor algo mais produtivo em termos de atuação. Talvez, pensando o processo de mobilização biblioteconômica [e mais amplamente no âmbito da informação] atrelado a nova conduta do Conselho, teríamos uma projeção mais definida e uma atuação político-institucional mais consistente. Eis o texto ao qual me refiro e compartilho: http://biblioo.info/biblioteconomia-arquivologia-

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