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Por Simone Freire, do Brasil de Fato.

Iniciativa idealizada pela secretarias municipais de Cultura e de Políticas para as Mulheres, a Sala Temática Feminista, em Guaianazes, pretende ser um espaço de convivência e estudo.

 Foto: Cesar Ogata/Secom
Foto: Cesar Ogata/Secom

Com o objetivo de ser ponto de referência cultural na discussão de gênero, foi inaugurada em São Paulo, no último sábado (4), a primeira Sala Temática Feminista da capital paulista, localizada na Biblioteca Cora Coralina, no bairro de Guaianases, zona leste.

Representantes de movimentos, militantes feministas, agentes culturais, artistas e representantes do poder público estiveram presentes na inauguração, entre eles o secretário de Cultura, Nabil Bonduki, e o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT). O lançamento incluiu a apresentação da poetisa Tula Pillar, das rappers Amanda Negrasim, Yzalú e Sharylaine, além de um sarau com o Coletivo Juntas na Luta.

Atividades

O objetivo da Sala Temática é ser um espaço de convivência e estudo. O local já reúne centenas de documentos para consultas e pesquisas e terá uma programação contínua com atividades de diferentes modalidades culturais, além de rodas de conversa e oficinas.

A curadoria e ambientação da sala, antes abandonada e sem utilidade, ficou a cargo da artista Biba Rigo, que também é ilustradora da Marcha Mundial de Mulheres (MMM). O trabalho, disse ela, envolveu a participação de outras artistas e mulheres da região e representou o início da ocupação do espaço. Encontros e oficinas foram realizados e deram vida à autorretratos, xilogravuras e um mural na parte externa da biblioteca.

“A exposição foi pensada na coletividade, vale pensar este processo e não só o resultado. Pensar em como a biblioteca pode ser um espaço de arte, um lugar que gere cultura e não gire apenas em torno dos livros”, disse Biba.

Espaço público

A Sala Feminista é a 14ª sala temática inaugurada na cidade de São Paulo. A proposta de ampliar e ressignificar a utilidade deste tipo de aparelho público, para além de apenas um espaço de leitura, foi comentada pelo secretário de Cultura, Nabil Bonduki.

“As bibliotecas devem se transformar em um espaço de sociabilidade, de encontro de pessoas, não só de consulta aos livros. É por isso que a biblioteca tem um papel muito importante em todas as lutas que são travadas, são um espaço de debates que podem gerar grandes transformações”, afirmou no lançamento do espaço.

História

646759879Para a professora do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp, Margareth Rago, a inauguração do espaço é algo que beneficia diretamente as mulheres e, consequentemente, todo mundo, por significar um novo olhar para a história feminina.

“É a oportunidade das pessoas conhecerem a história das mulheres, já que faz apenas 40 ou 50 anos que se começou a falar da importância delas na história. E sem história não há cidadania possível. O espaço permite não só o acesso ao que foi produzido, mas  a criação de novas histórias e a descoberta de outras”, avalia.

Parte dessas narrativas, tantas vezes negligenciadas, foi resgatada por Niuza Ferreira da Silva, do Movimento de Mulheres da Zona Leste, que falou sobre o protagonismo feminino na luta por moradia e creches na década de 1980, além dos problemas ainda enfrentados pelas mesmas nas regiões periféricas, como a violência, a questão da saúde pública e as duplas ou triplas jornadas de trabalho.

Segundo a militante, agora os trabalhos na biblioteca devem seguir adiante para fazer com que escolas e moradores sejam incentivados a usar o espaço e complementar o acervo com outras obras e estudos.

“O movimento das mulheres na zona leste é conhecido no mundo todo. Temos várias pesquisas sobre ele. Tiveram mulheres que vieram de fora para pesquisar o nosso movimento aqui. Nós vamos ter que buscar, resgatar isso para trazer aqui para este espaço”, relatou.

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