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Assim que decretamos a Câmara Municipal de SP ocupada, no último dia 9, contra o pacote de privatizações e concessões do Prefeito João Dória, meu sentimento era um misto de pânico, êxtase, coragem, medo, dor e euforia. Tudo foi muito rápido. Empurra, empurra, gritos, fazer barricada, pendurar bandeiras. E de repente nos vemos ali, ocupando a maior casa legislativa municipal do Brasil.

As primeiras horas foram sem dúvida as mais tensas e intensas. Ficamos proibidos de receber qualquer tipo de alimento ou água. Contamos inclusive com a solidariedade de um trabalhador anônimo que nos enviou sua própria marmita.

Os manifestantes pedem que a casa aprove projeto de decreto legislativo (PDL) que prevê a realização de plebiscito para a aprovação do plano. Foto: Mídia Ninja

O tempo passava e as negociações com o presidente da Câmara, o vereador Milton Leite (DEM), não avançavam. Seu posicionamento truculento ficava cada vez mais evidente. Tivemos a especial intervenção do Padre Júlio Lancelote, que foi fundamental para que tivéssemos acesso a comida, água e a um único banheiro.

Contamos também com a presença fundamental e ajuda de parlamentares como Juliana Cardoso (PT), Sâmia Bonfim (PSOL), Eduardo Suplicy (PT), Toninho Vespolli (PSOL) e outros que vinham somar a luta. Importante frisar que a vereadora Juliana Cardoso que passou a primeira noite na ocupação no último dia foi duramente impedida de entrar no plenário a mando do Milton Leite.

Também não posso esquecer a incrível participação das mulheres em ato em frente a Câmara e todos os movimentos que participaram da vigília nos três dias que seguiram. Posso afirmar com toda sinceridade que nos sentimos completamente acolhidos por todas aquelas pessoas. A primeira noite foi uma das mais difíceis da minha vida, quase que com a certeza de que no dia seguinte aconteceria a reintegração de posse de forma violenta.

Alunos secundaristas, universitários e membros de movimentos estudantis ocuparam a Câmara Municipal de São Paulo. Foto: Mídia Ninja

Naquele espaço claustrofóbico que é o plenário 1º de maio, as horas passavam devagar. Sem janelas e sem luz do sol, nos sentíamos como prisioneiros de nossa jornada. Não estávamos fazendo camping como falou o presidente da Câmara, cada um naquela ocupação tinha consciência da sua importância na luta.

Ao final do segundo dia da ocupação, para nossa surpresa o mesmo Judiciário que pune sem provas, reconheceu a legitimidade de nossa ocupação numa liminar histórica do juiz Alberto Alonso Muñoz, da 13ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, o que nos garantia a permanência por até cinco dias, sem uso de armas, ainda que não letais sobre nós manifestantes.

A bibliotecária Luba Melo participou intensamente da ocupação. Foto: João Gabriel Buonavita

Nossos corações se encheram de alegria e esperança. Rimos, brincamos, cantamos numa energia juvenil contagiante. Mas nem tudo estava ganho e as ameaças e truculências se intensificaram.

Nesta mesma noite dormimos sob um ar condicionado absurdamente gelado, certamente uma atitude desesperada do presidente da Câmara para punir os jovens que ocupavam legitimamente a casa do povo.

Saímos vitoriosos com a possibilidade de realização de uma audiência pública e os compromissos de passar o projeto de decreto legislativo (PDL) do plebiscito (que prevê que a população seja ouvida sobre o pacote de privatização de prefeitura) pelo colégio de líderes da Câmara, garantir a fala do movimento social e de não criminalizar os participantes da ocupação.

Membros de diversos movimentos participaram da ocupação. Foto: Mídia Ninja

Contudo, sem dúvida o maior ganho foi a oportunidade de mostrar para população que há algo muito errado acontecendo nesta prefeitura e que a população tem o direito de debater o que quer para sua cidade. Como diz nosso manifesto, foram 48 horas de ousadia, resistência e luta, mas também 48 horas de solidariedade, aprendizado, amizade e empoderamento da juventude.

Saímos pela porta da frente com sorriso no rosto. E para finalizar quero dizer que a luta é contínua e nós veremos nas ruas! #SPnaoestavenda

 

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