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Já virou tradição: todos os anos as publicações especializadas criam listas de livros que podem ser dados de presente no Natal. Por mais que pareçam tediosas e repetitivas, essas listas cumprem uma função importante, que é a de divulgar as obras, mas também estimular a tradição, hoje já bastante esquecida, de dar livros de presentes, principalmente no final do ano, época em que os recursos financeiros circulam mais.

E se essa tradição já era importante à cultura e, também, à economia, hoje, mais do que nunca, é fundamental por alguns motivos importantes. O primeiro é que o mercado editorial vem passando desde o ano passado por uma crise sem precedente, na qual editoras e livrarias fecharam suas portas e despediram pessoas. Segundo porque os livros e as ideias viraram alvos preferenciais nestes tempos sombrios pelo qual o país passa.

Nesse sentido, dar livros de presente não só nesse Natal, mas em outras datas festivas, não é só um estímulo à cultura e à economia. É um gesto que se reveste de resistência, pois proporciona a circulação das ideias. A cultura em geral, e a leitura em particular, tendem não só a estimular o pensamento crítico, mas sensibilizar os corações, sendo que de pensamentos críticos e corações sensíveis é o que mais estamos precisando.

No campo econômico, se o cenário já tinha sido ruim em 2018, os números mostram que 2019 não está sendo diferente. A Pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro, do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) e da Câmara Brasileira do Livro (CBL), já registra uma variação negativa de 8,27% neste ano em relação a 2018 no volume de vendas e no faturamento do setor.

Além de menos ideias circulando, essa crise no setor editorial representa mais pessoas desempregadas, uma vez que este mercado é composto por uma série de cadeias, que vão da criação, passando pela produção, distribuição e chegando à mediação. Ou seja, trata-se de um setor que promove ocupação remunerada ao uma série de profissionais como escritores, ilustradores, diagramadores, vendedores, professores, bibliotecários, contadores de história etc.

Menos livros vendidos representa também menos bibliotecas, da mesma forma como menos bibliotecas representa menos livros vendidos. Sim, as bibliotecas representam fator estratégico para o marcado editorial não só porque compram livros, mas porque contribuem com uma cultura de leitores. Quanto mais sedimentada for a prática da leitura em uma sociedade, mas tendente será o crescimento do seu mercado livreiro.

Por todos estes fatores é importante se considerar carinhosamente a possibilidade de se dar livros de presente neste Natal. Até mesmo do ponto de vista financeiro a aquisição de livros se mostra muito mais viável do que a compra de outros produtos, pois existem títulos com preços variados. Mesmo que a pessoa a qual será presenteada não tenha a prática da leitura, um presente como este pode levá-la a reconsiderar essa postura.

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