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Em recente entrevista para o jornal Diário de Pernambuco, o escritor moçambicano Mia Couto afirmou que a poesia é boa aliada na era da pandemia, para o escritor “O espaço da poesia sempre foi encontrado nos interstícios, nas fendas do muro, em contracorrente. […] A poesia pode convocar o desejo de um outro mundo que seja mais nosso.”

Na literatura brasileira, são incontáveis os momentos em que a poetas fizeram uso do discurso poético para contestar e se contrapor a um status quo de injustiças e para instigar um imaginário de um futuro menos opressivo e desalentador, como no poema do Amazonense Thiago de Melo,  “Faz escuro mas eu canto, porque a manhã vai chegar. Vem ver comigo, companheiro, a cor do mundo mudar. Vale a pena não dormir para esperar, a cor do mundo mudar.”

Dos abolicionistas aos poetas dos slams, de Luiz Gama a Sérgio Vaz, de Maria Firmina dos Reis a Meimei Bastos, por meio da poesia as vozes subalternizadas ecoam seus gritos por justiça social. Exemplos reveladores desta força poética está na seleção do Suplemento Pernambuco 20 poemas de resistência.

Para a escritora Dora Ribeiro, “a seleção de poemas apresentada questiona o status quo, desafia verdades institucionalizadas e, claro, acelera o pensamento pela inesperada curva do afeto e da luta.”  A poesia em tempos de pandemia e violência institucional contra o povo pode servir como uma estratégia sensível para o encontro, o diálogo e a aproximação de emoções e reflexões represadas, que não conseguimos dar conta frente as urgências, angústias e inseguranças que a pandemia do coronavírus, o controle político e midiático nos impõem.

O envolvimento com a poesia nos instiga ao exercício de se pensar a poesia como a arte do encontro, parodiando o poeta Vinícius de Moraes. Ou, citando a poeta Adélia Prado, no poema Leitura, refletir sobre os versos, “Eu sempre sonho que uma coisa gera, nunca nada está morto. O que não parece vivo, aduba. O que parece estático, espera.”

O ator Déo Garcez participou do último encontro comentando sobre a vida de Luiz Gama e lendo alguns dos seus poemas. Foto: divulgação

Foi diante da angústia de uma amiga, que se viu exigida a realizar todas as suas relações pessoais mediadas pela tecnologia, e sem perceber nestas relações mediadas uma quota de humanidade que lhe desse alimento emocional, que o bibliotecário Vagner Amaro resolveu convidar em uma sexta-feira, de forma improvisada, um grupo de amigos (poetas, professores, bibliotecários e leitores amantes de poesia) para um sarau virtual em seu perfil do Instagram.

O intuito foi mostrar para a amiga homenageada que, diante das interdições atuais, é possível se elaborar encontros de afetividade, protesto e reflexões, nas redes sociais, em torno do repertório poético tradicional e de textos de novos poetas. A amiga resistente a tecnologia não acompanhou a live em sua homenagem, mas o evento teve boa aceitação, e nesta sexta (22/05) já terá sua quarta edição.

Já passaram pela sexta poética, entre outros, escritores como Henrique Rodrigues, Patrícia Nogueira, Elizandra Souza, Cizinho Afreeka, Davi Nunes, Noêmia Duque, Wesley Correia e Cristiane Sobral, professores como Alessandra Magalhães, que administra o perfil @literablog, e bibliotecários mediadores de leitura, como Felínio Freitas.

No encontro desta sexta-feira, às 21 horas, o bibliotecário recebe a escritora Lia Vieira, que a década de 1990 começou a participar de coletivos como o Quilombhoje Literatura, de São Paulo, e Vozes mulheres, de Niterói, Lia publicou, entre outros, o livro de poemas Eu, mulher – mural de poesias; e o músico, cantor e compositor Roberto Pontes, Roberto lançou em 2019 o espetáculo Pulsão, com poemas e canções autorais.

A poeta e performer Daniela Galdino lê seus poemas na sexta poética do dia 22/05. Foto: divulgação

Também participam da Sexta poética a poeta e performer Daniela Galdino que é autora dos livros  “Espaço Visceral, “Inúmera/Innumerous”, “Inúmera”, “Vinte poemas calieDORcópicos”; Drayson Menezes, ator, dançarino e escritor, está no elenco do espetáculo Negra palavra – Solano Trindade, que teve a temporada interrompida em razão da pandemia do coronavírus; Mari Vieira, escritora e tem contos publicados em diversas antologias, como por exemplo Cadernos Negros; Moisés Guimarães, poeta e produtor cultural, autor dos livros Neca faloônica e O mistério da mona ocó; Bruno Santana, autor do livro de poemas Amar devagarinho e na coletânea Diálogos contemporâneos sobre homens negros e masculinidades e Gabriel Sâmpera, prosador e poeta, autor do livro Fora da Cafua.

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