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Bolsonaro diz que o ministro da Educação estuda descentralizar investimento em faculdades de filosofia e sociologia (humanas), pois o objetivo, segundo ele, “é focar em áreas que gerem retorno imediato ao contribuinte”. O presidente diz também que “a função do governo é respeitar o dinheiro do contribuinte, ensinando para os jovens a leitura, escrita e a fazer conta e depois um ofício que gere renda para a pessoa e bem-estar para a família, que melhore a sociedade em sua volta”.

Acredito que ninguém discorde da ideia de que seja qual for a profissão escolhida por uma pessoa que esse ofício tenha de gerar renda para a própria pessoa e para a sua família, pois isso diz respeito diretamente à subsistência e, por consequência, à dignidade da pessoa humana, uma premissa lindamente estabelecidade em nossa Constituição Federal, mas que na prática é quase sempre ignorada pelos nossos governantes, dentre os quais o próprio governo de Bolsonaro.

Da mesma forma acredito que a maioria das pessoas ão de concordar com o digníssimo presindente quando este diz que “a função do governo é respeitar o dinheiro do contribuinte”, muito embora a função de qualquer governo seja infinitamente mais ampla do que isso. A polêmica reside, portanto, não no fato de que Bolsonaro considere às disciplianas da área de humanas como de “não retorno imediato”, mas no fato de que a educação nem sempre tem ou deva ter esse caráter mensurável e imediato.

Bolsonaro ignora, o que não é de se estranhar dada a sua visível limitação intelectual, que nem sempre se educa para se construir algo. A educação não tem (ou pelo menos não deveria ter) um caráter instrumental e portanto nem sempre serve para gerar algo material que contemple interesses que não os de ordem intelectual ou espiritual do indíviduo. Não se estuda necessariamente para recalchutar pneus, mas para expandir os horizontes, abrir a mente e (por que não?) se tornar uma pessoa melhor. Como nos ensina Paulo Freire, a educação liberta.

“Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor.” (Paulo Freire)

O presidente fala em ensinar os jovens a ler, mas pensa nisso em termos estáticos, como se este fosse um ato de mera repetição, no melhor estilo “Fahrenheit 451”. Ignora o efeito da dialética que permite que às pessoas se libertarem da doutrinação pela leitura enviesada exatamente no memoento em que estão sob o julgo da doutrina, seja ela qual for. Também fala do aprendizado da escrita, mas imagina que isso possa acontecer como uma máquina que grava o caractere na folha sem saber o que aquilo significa.

Não atoa o governo Bolsonaro pretende e já executa a militarização das escolas. Para ele, colégios devem ser como quartéis: rígidos e limitadores. Nesse modelo os estudantes devem ser desestimulados a falar, precisando sobretudo saber ouvir e obedecer. Nessse mesmo sentido acossa pensadores de primeira linha, como Paulo Freire, por exemplo, tentando “expurgá-los” das escolas, das universidades e das bibliotecas, pois ensinam a pensar, algo perigosíssimo para este governo.

Como já mostramos em outras ocasiãoes, Bolsonaro elege a educação e o conhecimento como seus inímigos. Mas mais do que fazer ataques verbais, como tem feito desde a sua campanha recheada de mentiras e impropérios, ele move esforços para fazer das suas convicções destorcidas uma política de Estado: limita a liberdade de expressão, ataca a autonomia universitária, desqualifica o pensamento crítico, persegue os divergentes, desreipeita as minorias…

E aqui não estamos sequer falando de desonstidade intelectual, mas do cinismo, da ingnorância e da desfaçatez propriamente ditas. Aliás, só pode ser desonesto intelectual aquele que carregue alguma capacidade de articulação (mesmo que mal intencionada), o que é claramente ausente da personalidade de Bolsonaro. Bolsonaro é o vazio, é a incapacdade da solidariedade e da compaixão, algo impossível aos que se dedicam minimamente a absorção do conhecimento. Inteligência é antes de tudo coração!

Bolsonaro ignora que é da própria essencia da educação a possibilidade de divergir. Mas ignora não só no sentido de não saber, mas também como uma tentativa de tentar desqualificá-la quando diz que ela não tem valor se não possibilita a “geração de renda”, não se justificando do ponto de vista do investimento do contribuínte. A filosofia, a sociologia, as artes e tantas outras profissões não só empregam e geram renda para milhões de pessoas Brasil a fora, como garantem elevação moral, ética, intelectaul e espiritual. No dia da educação, talvez esse deva ser o nosso maior aprendizado!

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