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Inspiradas no modelo de sucesso na Colômbia, as bibliotecas-parque (unidades Manguinhos, Rocinha, Centro e Niterói) tornaram-se rapidamente instrumentos de uso social intenso. Desde que foi inaugurada a primeira unidade, em abril de 2010, o projeto passou por um momento de ascensão, logo interrompido pela má gestão e pelo descaso dos seguidos governos do PMDB: Sérgio Cabral, que governou por quase oito anos, e Luiz Fernando Pezão, ambos presos (o primeiro condenado e o segundo acusado) hoje por uma série de crimes.

Ao custo inicial de R$ 25 milhões ao ano, as unidades das bibliotecas-parque fecharam e reabriram algumas vezes nos últimos anos sempre com valores bem abaixo deste. O histórico que preparamos mostra várias promessas sobre as bibliotecas-parque que ficaram pelo caminho, o que parece demonstrar não só a profundidade do impacto da crise econômica que assolou o país de forma intensa a partir de 2014, mas ao descaso político para com estes instrumentos culturais.

  1. Abertura da Biblioteca-Parque do Alemão: no mês de setembro de 2014, antes de se efetivar plenamente, a Biblioteca-Parque do Alemão cedeu em setembro de 2014 parte de suas dependências a uma clínica da família. Conforme denunciou a época a Revista Biblioo, a construção da clínica foi mais para atender interesses de campanha do então candidato ao governo do estado, Luiz Fernando Pezão, do que ao interesse da comunidade. “Na verdade, ainda não somos uma Biblioteca-Parque nos moldes de Manguinhos ou Rocinha. Somos uma ocupação cultural aqui no Alemão”, disse a assessora cultural e coordenadora da Biblioteca Alexandra Silva ao site Opinião&Notícia à época. A Biblioteca funcionava de forma precária, sem empréstimo domiciliar de livros, pois estes sequer foram catalogados. A única bibliotecária da unidade trabalhava com mediação de leitura.
  2. Criação de 10 novas unidades: em setembro de 2016, a então secretária de Cultura do Rio, Eva Doris Rosental, informou que o governo do estado pretendia construir pelo menos outras dez bibliotecas-parque no estado até o final de 2018. A ideia era implantar um total de dez novas unidades na Baixada e no interior do estado através de um programa de parceria público-privado nos mesmos moldes das que já existem, quando a Organização Social IDG gerenciava as quatro unidades. Depois disso não só não foram inauguradas novas unidades, como as existentes entraram num processo de decadência que se arrasta até os dias atuais.
  3. Aporte de R$ 1 milhão: em dezembro de 2016 o Ministério da Cultura (MinC) decidiu, por meio de um convênio, repassar R$ 1 milhão para que as quatro unidades das bibliotecas-parque do Rio de Janeiro não fechassem as portas. O Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG) esclareceu na ocasião que o custo mensal da Rede de Bibliotecas-Parque (unidades Rocinha, Manguinhos, Niterói e Centro) era de R$ 1.750 milhão naquele momento. Ou seja, R$ 1 milhão deverá garantir o funcionamento das bibliotecas de forma parcial por apenas alguns meses, mas nem isso acabou acontecendo, pois, dias depois as bibliotecas da rede fechariam as postas.
  4. Servidores da Educação nas Bibliotecas: André Lazaroni, então secretário de Cultura do Rio de Janeiro, disse, em março de 2017, que a Biblioteca-Parque Estadual iria voltar a funcionar com o emprego de servidores da área da Educação, dentre os quais professores. A Biblioteca estava fechada desde o final do ano anterior. A promessa do secretário também não se concretizou por motivos não explicados.
  5. ONG reabriria BPE: a organização não-governamental (ONG) Espaço Jango anunciou em julho de 2017 que pretendia assumir a administração das três bibliotecas-parque do Rio de Janeiro: do Centro, Rocinha e Manguinhos. A ONG deu entrada na ocasião a um pedido de concessão não onerosa das bibliotecas pelo período de 25 anos junto a Secretaria Estadual de Cultura do Rio de Janeiro, a um pedido. Como contrapartida, a entidade se comprometeu a dar todo o suporte necessário ao Sistema Estadual de Bibliotecas (SEB), responsável pela assessoria às bibliotecas do estado, mas a proposta não foi adiante.
  6. Prefeitura à frente da Biblioteca-Parque da Rocinha: em setembro de 2017, pouco depois da Rocinha registrar intensos tiroteios e ser ocupada pelas Forças Armadas, o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, anunciou a reabertura da Biblioteca-Parque instalada na região (chamada de C4), fechada desde dezembro do ano anterior. A verba prometida pelo prefeito, cerca de R$ 1,5 milhão, viria de parte de um acordo feito entre a Prefeitura e o estado do Rio, o que acabou se frustrando com o encerramento da parceria sem que a Biblioteca reabrisse.
  7. Parceria com o Centro da Memória da Eletricidade: em janeiro de 2018 foi assinado um Protocolo de Intenções entre o Centro da Memória da Eletricidade no Brasil, uma instituição sem fins econômicos, criada em 1986, e mantida por várias empresas do setor elétrico brasileiro, entre elas a Eletrobrás, e a Secretaria de Estado de Cultura (SEC). A intensão era que fosse feita a cessão de uma parte do prédio da Biblioteca Parque Estadual (BPE) ao Centro da Memória, sendo que em contrapartida a SEC ocuparia um andar no prédio da Eletrobrás, deixando de pagar aluguel.
  8. Programação permanente na BPE: fechada desde o final de 2016, a Biblioteca-Parque do Estado (BPE) reabriu as portas em maio de 2018 em meio à programação da segunda edição da “LER – Salão Carioca do Livro”. Na ocasião a organização do evento garantiu os reparos necessários na infraestrutura da Biblioteca, como a recuperação dos aparelhos de ar-condicionado e dos elevadores, o que levou os evolvidos a cogitarem a possibilidade de estender a parceria até o final daquele ano, o que iria garantir a manutenção do espaço. O então secretário estadual de Cultura do Rio, Leandro Monteiro, confirmou à Biblioo na época a intenção de manter a programação do LER na Biblioteca-Parque do Estado até dezembro, o que dependia de um parecer da Procuradoria Geral do Estado. “Eu tenho de pegar um parecer do procurador do estado para que a gente estique um pouco este prazo e leve também [a programação da LER] não só aqui para a Biblioteca-Parque do Centro da cidade, mas para Manguinhos e Rocinha”, afirmou na ocasião. Após o fim da LER o assunto caiu no esquecimento.
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