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Como dizia Darcy Ribeiro, “A crise da educação no Brasil não é uma crise; é um projeto”. Infelizmente este pensamento do antropólogo brasileiro fica cada vez mais explícito nas instituições de ensino, principalmente, nestes últimos três anos.

Desde 2015 com a crise político-econômica que se instaurou no país, as universidades públicas vêm recebendo menos verbas para as suas demandas, afetando a todos sem distinção: docentes, discentes, técnico-administrativos, empresas terceirizadas que prestam serviços nas instituições e a sociedade de um modo geral, que é atendida em diversos projetos de extensão universitária e nos hospitais universitários.

É evidente que as greves, sejam elas de técnicos ou de docentes em busca de melhores condições de trabalho e de salários, nunca tiveram apoio de boa parte da população e da mídia, pelo contrário, esta última tenta sempre achar um culpado e este sempre recai sobre a gestão realizada pelo servidor público.

Infelizmente, tanto a população, quanto a mídia só vieram a questionar um pouco a situação das universidades quando o Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) sofreu um terrível incêndio, em setembro do ano passado, pois houve grande repercussão nacional e internacional.

A crise na educação universitária foi tema do III Encontro sobre Bibliotecas e Arquivos Universitários em 07 de dezembro de 2018 na Universidade Federal Fluminense (UFF). Com o título O sucateamento e desmonte da educação pública e seus impactos nas universidades e na vida dos trabalhadores, a Comissão dos Trabalhadores de Bibliotecas e Arquivos (C.T.B.A.), com o apoio do Sindicato dos Técnico-Administrativos da UFF, organizou o evento.

O evento contou com a participação Sérgio Ricardo Aboud Dutra, professor do Departamento de Educação Física da UFF, e da bibliotecária Fernanda Melchionna, vereadora em Porto Alegre/RS e recém-eleita deputada federal pelo PSOL, que discutiram sobre o congelamento dos investimentos públicos com a Emenda Constitucional 95.

Sérgio Ricardo Aboud falou sobre os cortes que afetam diretamente à educação. Foto: Sintuff

Sérgio deixou bem claro que a universidade não é gasto, e sim investimento. A deputada, por sua vez, colocou que há uma demonização dos servidores públicos para rebaixar seus salários e que isto é uma prática para ter um estado mínimo para o povo e o estado máximo para as empresas privadas que veem nas instituições públicas uma grande oportunidade de investimento (privatizações).

Durante o encontro, Fernanda mencionou que para ela o projeto de Escola Sem Partido é a Escola do Pensamento Único; que é preciso resistência com uma construção de base com os colegas e a sociedade em geral. Ela também concedeu uma entrevista para a Biblioo.

Também estiveram presentes a bibliotecária Maria José da S. Fernandes, que é coordora geral do Centro de Coleções e Serviços aos Leitores da Fundação Biblioteca Nacional, e Wagner Ramos Ridolphi, arquivista da CLA/UFRJ. Maria José Fernandes palestrou sobre a segurança de acervo: o furto de obras valiosas na BN e comentou sobre o caso do maior ladrão de livros raros do Brasil, Laéssio Rodrigues de Oliveira.

A coordenadora mencionou que o tráfico de obras raras só perde para o tráfico de drogas e de armas e que isso é muito preocupante, pois a memória do país corre um sério risco. Wagner Ridolphi palestrou sobre o projeto de lei nº 7920/2017, mais conhecida como o PL da queima de arquivos, que também afeta diretamente a memória documental da história do Brasil.

Iniciamos 2019 com a certeza de que o projeto de sucateamento e desmonte da educação brasileira já citado por Darcy Ribeiro e agravado nos últimos anos nas universidades públicas irão continuar de todas as formas. O ano mudou, as gestões mudaram, porém velhas práticas permanecem ainda mais fortes no atual governo federal, fato este que a própria UFF iniciou o ano tanto com os técnico-administrativos e algumas empresas terceirizadas em greve devido à falta de pagamento.

Com a retaliação e ameaça judicial de corte de ponto pela reitoria da UFF, os técnico-administrativos retornaram suas atividades, conforme a nota do SINTUFF. Os terceirizados ainda não tiveram seus salários de 2018 quitados, como mostra a reportagem do Jornal O Fluminense. Com isso, a UFF encontra-se com o aspecto de abandonado, muito mato, lixo e sem limpeza até a presente data.

Fato este muito preocupante, pois houve uma proliferação acentuada de mosquitos em seus campi e, nesta época do ano, é que ocorre o aumento de casos de dengue, zika e chikugunya.  Um país que não valoriza a educação, que destrói a sua memória, não tem passado, presente e não constrói o futuro. É preciso resistir, pois “Apesar de você / Amanhã há de ser / Outro dia” (Chico Buarque).

RESISTÊNCIA JÁ!

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