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Tenho lido aqui e ali que os servidores públicos serão o próximo alvo do trio Jair Bolsonaro/Paulo Guedes/Rodrigo Maia. É preciso deixar claro que o trio citado é formado pelos prepostos atuais de velhos personagens, jagunços do capital.

Mas o ponto que quero enfatizar não é o dos carrascos, antes de tudo quero falar dos próprios funcionários públicos, os supostos açoitados.

Sou funcionário público há 26 anos, fruto da Constituição de 1988 que exigiu concurso público como premissa básica. Trabalho no chão, sou burocrata de piso, atuo no atendimento direto da população, biblioteca pública, um lugar aberto e (quase) irrestrito da cidade.

É desse lugar que vejo as contradições pulsarem. Vejo, anoto, reflito, exorcizo, me amedronto, tento ressignificar. A reclamação do público, o elogio do público, a relação do público com o privado, a privatização do que é público, a resistência do que é público ante ao privado, a potência do público e privado em parcerias inusitadas…

Poderia descrever dezenas de situações exemplificando, mas devo me ater a outro aspecto, aquilo que poderíamos chamar de autofagia do funcionalismo público, que no português de rua representa o famoso tiro no pé.

Óbvio que não estou falando da totalidade dos funcionários públicos. Existem setores resistentes e com a mínima consciência, mas nesse momento de desconstrução e ataque, o reacionarismo, a leniência, a alienação e mesmo o silêncio tendem a ganhar espaço e funcionam como potente ferramenta de destruição de direitos e conquistas.

O que mais me deixa pasmo é observar pessoas que agem cotidianamente para destruir os próprios direitos desvalorizando os serviços, os espaços públicos em que atuam e a própria legislação que minimamente garante os dispositivos para que elas possam trabalhar com dignidade profissional.

Muitas vezes fazendo a velha e caricata apologia da suposta superioridade do privado em relação ao público. Conheço histórias emblemáticas e próximas, o que não posso e nem devo é personificar um fenômeno que está para muito além do individual.

Maioria ou minoria é esse perfil que concorre para agir como linha auxiliar na destruição dos serviços públicos. São os parceiros dos sonhos de Paulo Guedes et caterva, aqueles que de maneira suicida fazem parte dos coveiros da Constituição Federal de 1988.

No horizonte do desmantelamento do estado brasileiro, o servidor público é o vilão perfeito que habita o imaginário do senso comum. Lamento que muito de nós concorra para que isso se estabeleça como verdade.

Espero que acordem antes que se percebam atando o nó no próprio pescoço.

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