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Segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas a pedido do Instituto Trata Brasil, realizada no ano de 2010, mais da metade dos lares brasileiros não têm tratamento de esgoto. De acordo com os dados da pesquisa, o atendimento em coleta de esgotos chega a 48,1% da população brasileira. De todo esgoto gerado, apenas 37,5% recebe algum tipo de tratamento. Durante o programa Roda Viva (TV Cultura) no ano de 2011, o economista e cientista social Eduardo Giannetti comentou a respeito da pesquisa realizada pela FGV: “um país que metade dos domicílios não tem saneamento básico está condenando um número grande de crianças a doenças crônicas, parasitas e diarreias que vão comprometer a sua capacidade de aprendizado para o resto da vida […] chegamos ao século XXI sem resolver problemas da agenda do século XIX, que é coleta de esgoto. O país quer fazer estádio, fazer trem bala e quer continuar vivendo miseravelmente”.

A prefeitura do Rio de Janeiro criou no ano passado o programa Lixo Zero que prevê aplicação de multas para quem sujar a cidade, mais uma medida de um governo que está mais preocupado em punir os mais pobres, ao invés de criar políticas públicas de saneamento básico e de conscientização em prol de uma cidade mais limpa e educada. A greve dos garis do Rio de Janeiro durante o carnaval revela a forma como a prefeitura e a sociedade carioca lidam com a situação do lixo, afinal de contas a limpeza urbana também é de responsabilidade de cada um e não uma exclusividade dos garis. Colocar a culpa pela sujeira que tomou conta das ruas da cidade maravilhosa durante o carnaval na greve dos garis é dar continuidade a uma mentalidade arcaica: a de que o lixo deve ser jogado no chão porque tem um serviçal sendo pago para fazer esse serviço.

Desde pequeno fui educado pelos meus pais a sempre jogar o lixo na lixeira. “Caso não tenha uma lixeira por perto, guarde com você até encontrar uma”, alertava a minha mãe. Atualmente quando me deparo com uma pessoa jogando a lata de refrigerante pela janela do carro, fico indignado e constrangido. Hoje o tempo mudou, a todo o momento temos que ficar defendendo o óbvio. Não jogar lixo no chão parece ser um desses exemplos. Como de costume na cidade maravilhosa, quem ousa lutar pela dignidade, logo é rotulado de baderneiro ou vândalo. O bloco dos garis, que não varreu a cidade durante o carnaval, é colocado com o grande culpado pela atual situação, afinal de contas se colocar contra a precarização do trabalho, exigir melhores condições de trabalho e um salário mais digno virou caso de polícia. Foi assim com os bombeiros cariocas, com os professores, com os camelôs e agora a lógica se repete no caso dos garis.

O sindicato dos garis continua reproduzindo a lógica dos pelegos da ditadura Varguista, se colocando em uma posição contrária aos interesses dos trabalhadores e se vende as migalhas oferecidas pelo patrão. Ao invés de dialogar com os profissionais da limpeza, o prefeito Eduardo Paes prefere adotar a política do pau e do porrete, com ameaças de demissão em massa por “justa causa”. As manchetes dos grandes jornais anunciam como a “salvação” a decisão do prefeito Eduardo Paes de colocar escolta armada para acompanhar os caminhões da Comlurb, mas por outro lado não procuram sequer trazer à tona e aos olhos da sociedade o fato de muitos garis sendo ameaçados, coagidos e obrigados a voltar ao trabalho.

O correto por parte do prefeito não seria ouvir e negociar diretamente com a categoria um novo reajuste salarial e melhores condições de trabalho? Mais uma vez estou defendendo o óbvio. Em ano de Copa do Mundo o prefeito Eduardo Paes, o governador Sérgio Cabral e a presidenta Dilma Rousseff estão mais preocupados em cumprir os compromissos com a FIFA do que atender as demandas do povo brasileiro. Basta caminhar pelas ruas do Rio de Janeiro para se ter noção da importância dos garis e da coleta urbana para a cidade. Rejeitar a demanda dos funcionários da limpeza urbana é uma covardia e um golpe baixo em uma classe que não está preocupada com a Copa e sim em garantir seus direitos básicos.

A greve dos garis continua. E a sociedade carioca o que deve fazer? Vamos adotar o programa Lixo Zero e multar o prefeito Eduardo Paes, afinal de contas se hoje as ruas estão cheias de lixo, a culpa é única e totalmente dele. A todos os garis do Rio de Janeiro deixo a minha solidariedade, meu apoio e a reflexão nos versos da canção Fábrica da Legião Urbana:

 

“Nosso dia vai chegar

Teremos nossa vez

Não é pedir demais

Quero justiça

Quero trabalhar em paz

Não é muito o que lhe peço

Eu quero um trabalho honesto

Em vez de escravidão”…

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