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Rafael Nogueira, o homem que deve assumir a presidência da Fundação Biblioteca Nacional (FBN) nos próximos dias, esteve recentemente em Portugal para participar de um colóquio em homenagem à Olavo de Carvalho, o suprassumo da estupidez que guia legiões de desavisados (ou não) país afora.

Durante sua participação, Nogueira foi fotografado de um ângulo em que aparece ao fundo (lhe olhando do alto) uma estátua do Infante Dom Henrique de Avis, famoso nobre português, e o próprio Olavo de Carvalho, que participava do evento por meio de videoconferência.

Orgulhoso, o futuro presidente da FBN postou a foto em sua página no Facebook acompanhado da seguinte legenda: “Falando sobre história e filosofia sob os olhares de Infante d. Henrique e de Olavo de Carvalho. Foto para enquadrar. Simbólica.”

O homem que se apresenta como professor de filosofia, história, teoria política e literatura, além de “aspirante a filósofo e a polímata” (indivíduo que estuda ou que conhece muitas ciências) é parte de um projeto que pretende enterrar a cambaleante Cultura nacional.

O governo de Bolsonaro, uma mistura macabra de conservadorismo no campo cultural e um ultraliberalismo no campo econômico, faz uma revolução às avessas ao buscar apagar o que acredita serem as “marcas do esquerdismo” no Brasil.

São exemplos dessa “revolução às avessas” a retirada do nome de Paulo Freire da Plataforma Capes de Educação Básica, a condução de um racista à presidência da Fundação Palmares, bem como a nomeação à presidência da Fundação Casa de Rui Barbosa de uma pessoa desqualificada para tal.

Rafael Nogueira em evento em portugal em homenagem à Olavo de Carvalho. Foto: Facebook

Além da condução de Nogueira à FBN, outras alterações serão realizadas pelo secretário Especial da Cultura, Roberto Alvim. É o caso da Fundação Nacional de Artes (Funarte) e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que devem ter diretores mais alinhados com o perfil desejado pelo governo.

A Fundação Biblioteca Nacional é responsável pelo gerenciamento da Biblioteca Nacional, nossa instituição centenária, guardiã da memória nacional, que não merece tal infortúnio. Logo ela, ora incompreendida, ora deliberadamente desprezada por sucessivos governos que a enxergam como uma instituição inútil, depósito de livros e jornais velhos.

Como é de conhecimento geral, o prédio da sede da BN, localizado no Centro do Rio de Janeiro, passa há muito tempo por problemas de infraestrutura, muitos dos quais não são decorrentes apenas de sua má conservação, mas também da superlotação de materiais: da capacidade de 400 mil volumes, a instituição abriga hoje mais de 9 milhões.

Uma das consequências também desse desprezo é a ausência de valorização de seus profissionais. Há anos que a Biblioteca Nacional não realiza um concurso para contratação de novos servidores, como bibliotecários, arquivistas e historiadores, além de garantir salários que realmente reflitam a valorização destes profissionais.

Aliás, a Biblioteca Nacional ainda precisa resolver até mesmo problemas de ordem administrativa, como o depósito legal, que determina o envio de um exemplar de todas as publicações produzidas em território nacional, à instituição, para que essa faça sua salvaguarda, o que precisa passar por um processo de revisão dada as novas tecnologias que têm determinado novas formas de produção de conteúdo.

De volta a Rafael Nogueira, o homem indicado assumir a presidência da Fundação Biblioteca Nacional, fico imaginando o tipo de política que um sujeito como esse pode imprimir à instituição. Tentará ele redirecionar os projetos de memória tocados pela instituição? Determinará que tipos de debates a FBN pode conduzir e se envolver?

Quem viver, verá!

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