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O termo mediação tem sido estudado em diversas áreas do conhecimento, com origens, delimitações, finalidades e com enfoques convergentes, divergentes ou complementares, como Direito, Comunicação, Educação, Psicologia e Ciência da Informação.

Na Biblioteconomia e Ciência da Informação (BCI), o uso do conceito de mediação ainda padece de uma consistência mais efetiva em virtude de ter sido importado de outras áreas, como a Comunicação, no âmbito da mediação cultural, que combina conhecimentos de disciplinas diversas, como a Psicologia, a Sociologia e a Linguística.

Contudo, é possível pensar em múltiplas possibilidades de mediação da informação, entre as quais destaco:

a) mediação positivista da informação – significa dizer que a mediação positivista da informação está preocupada com um procedimento sistemático e regulador que tem como prioridade ditar normas para o acesso à informação, seja no âmbito da organização/representação da informação, seja no âmbito da proposição dos serviços que devem ser oferecidos. Essa mediação positivista da informação incide sobre a perspectiva de conceber o controle, previsibilidade e certeza da informação a ser utilizada pelo usuário da informação, sem considerar de forma mais ampla seus contextos históricos, cognitivos e sociais;

b) mediação funcionalista da informação – busca perceber as diversas possibilidades funcionais do centro de informação, como pessoal, acervo, serviços, uso das tecnologias e as relações entre si para o efetivo funcionamento de suas atividades; atenta para a definição das funções do centro de informação e a satisfação das necessidades de informação do usuário; pensa o centro de informação como um todo e suas partes de modo interdependente; prima pela noção de integração, permanência e estabilidade; atenta de forma vital para os processos de gestão, planejamento e avaliação do centro de informação como fator de funcionamento; prima pela satisfação das necessidades de informação desde as mais básicas até as mais complexas; busca constituir uma efetiva prática dos sistemas de recuperação de informação e suas funções para uso adequado e proveitoso do usuário;

c) mediação crítica da informação – preconiza a superação da ideia de dominação ideológica e cultural, promovendo ao usuário a oportunidade de participar do processo mediacional e escolher o que pretende utilizar e constituindo liberdade para apropriação da informação, sendo necessário promover amplo acesso à informação contemplando os chamados não-usuários, pois o acesso à informação restrito em centros de informação a uma minoria da população engendra subsídios de dominação e monopólio informacional;

d) mediações construtivas da informação – âmbito construtivista – o desenvolvimento de bibliotecas infantis e escolares é condição sine qua non para as proposições de uma mediação construtivista da informação, pois, se desde criança o sujeito tem a oportunidade de lidar com centros de informação, é possível que produza mais subsídios para o aprendizado; a mediação construtivista da informação deve incentivar estratégias para o letramento informacional dos usuários que corresponde ao processo de desenvolvimento de competências para localizar, selecionar, aces­sar, organizar, usar informação e gerar conhecimento, visando à tomada de decisão e à resolução de problemas; deve primar pelo incentivo a pesquisa, pois é um dos procedimentos mais eficientes e eficazes para a transformação de um conhecimento elementar para um conhecimento superior; incentivar o usuário a desenvolver seus próprios questionamentos e descobertas;

– âmbito sócio-interacionista – estimular no usuário da informação o entendimento sobre sua história e sua cultura; incentivar a leitura em suportes e assuntos diversos (a leitura está além dos livros e além da literatura, já que o lúdico se manifesta nas mais diversas práticas do cotidiano dos usuários que envolve saúde, educação, entretenimento, relações humanas, trabalho, esporte, entre outros), visando estimular a sua prática histórico-cultural; incentivar uma relação saudável entre os usuários da informação alertando para possibilidades de apropriação e aprendizado de forma individual e coletiva, pois as relações sociais (e não o individualismo) engendram subsídios para um aprendizado mais efetivo e humano; visualizar na pesquisa um fundamento que favorece a formação de uma função psicológica superior consciente de suas necessidades individuais e na contribuição para satisfação de necessidades coletivas; solicitar sugestões aos usuários da informação sobre quais práticas e serviços podem (ou devem) ser oferecidos, com vistas a aprimorar e tornar o processo mediacional mais coletivo e plural; valorizar o usuário como sendo ponto central da mediação, pois a base das atividades mediacionais está naquilo que o usuário potencializa e em suas interações com o centro de informação, haja vista que o centro de informação deve não somente ser uma ‘instituição falante’, mas também uma ‘instituição ouvinte’ e aberta a novas ideias.

Enfim, observo que a mediação da informação possui várias vertentes na Biblioteconomia e CI, seja considerando questões histórico-epistemológicas com ênfase em diversas correntes teóricas, seja considerando questões de cunho social e de aplicação profissional, especialmente em centros de informação.

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