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RIO – Muitas vezes mal visto, sobretudo em instituições públicas, pela sua ideia (errônea) de que é desenvolvido unicamente com o intuito de obter lucro financeiro por meio de vendas de produtos e serviços, o marketing tem sua origem na revolução industrial, onde o contexto histórico da época fez com que vendedores se tornassem compradores, e com o passar das décadas, sobretudo em virtude do aumento da concorrência e da disponibilidade de novos produtos. De fato, o marketing tem um apelo mercadológico muito forte. Porém, se conceituarmos marketing, parafraseando os diversos teóricos da área, pode-se dizer que se trata de um modelo de gestão utilizado por organizações que tem um papel de satisfazer determinado público/consumidor/clientela, etc. utilizando técnicas (a principal delas são os famosos 4P’s de marketing, como Preço, Praça, Promoção e Produto) para tornar clara a importância de se determinar qual é o produto/serviço que está sendo disponibilizado; qual o custo do mesmo em termos de lucro ou despesa, ainda que não sejam necessariamente monetários; onde este produto/serviço está sendo disponibilizado.

No que se refere às bibliotecas, um dos pontos mais importantes em relação ao marketing, é o que diz respeito a forma como estão sendo divulgados/promovidos os serviços desta instituição. Gilda Braga, bibliotecária que desenvolveu um modelo de marketing bastante eficaz, traz à tona reflexões importantes, a respeito do trabalho em bibliotecas, inclusive, sobre estas serem subutilizadas em função da baixa (e muitas vezes, nenhuma) ação de marketing.

Dilemas biblioteconômicos

Seriam as bibliotecas mal utilizadas, por conta da baixa divulgação dos seus produtos e serviços? A imagem estereotipada e muitas vezes negativa dos bibliotecários seria resultado de uma falta de aplicação de marketing nesta questão? Essas e outras questões são alvo de discussões longas e por vezes intermináveis entre os profissionais da informação. Contudo, em tempos de redes sociais, novos e mais sofisticados recursos informacionais, acesso livre à informação, e por que não, os já velhos conhecidos problemas, como falta de recursos, desrespeito com o trabalho e com o profissional, entre outros, não se pode negar que o marketing tem uma importância significativa para a profissão, e principalmente para o desenvolvimento bem sucedido das rotinas de trabalho.

Em função deste apelo mercadológico, ainda é difícil incutir na cultura organizacional das bibliotecas e centros de informação, que aplicar o marketing pode trazer lucro (não necessariamente financeiro), status, e facilitar o andamento das atividades. Ainda existe um debate ético muito intenso sobre o marketing em bibliotecas, sobretudo em organizações que não visam lucro. Este dilema provoca um problema forte nas bibliotecas, que é a falta de promoção e de divulgação de produtos.

Com poucos recursos, orçamento e outras dificuldades cada vez maiores, é imperioso que o bibliotecário torne claro, divulgue, promova, mostre ao mundo a variedade de itens que compõem o acervo da biblioteca; que identifique seu usuário/cliente, sabendo “ouvir” suas reais demandas, e por que não, segmentá-los, a fim de criar produtos e serviços cada vez mais eficazes; que leve a cada “usuário/cliente”, o seu “produto/serviço”, e traga a  cada “produto/serviço” o seu “usuário/cliente”. Como já diz, com outras palavras, duas das cinco importantes leis da biblioteconomia, criadas por Ranganathan. E claro, não se deve esquecer que toda esta ação deve estar de acordo com a missão da organização.

Atualmente as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC’s) trazem ferramentas cada vez mais baratas e fáceis de manejar, para divulgação, que as bibliotecas podem utilizar de forma a alcançar seu público. Algumas destas são as tão comentadas redes sociais (ou mídias sociais), blogs (que dependendo de sua usabilidade, podem se transformar em verdadeiros web sites, ou servir de auxílio aos mesmos), e-mail (uma das ações mais eficazes utilizadas pelos profissionais, é o e-mail marketing, que pode alcançar um grande número de usuários/ clientes), entre outras ferramentas disponíveis na internet. Muitas bibliotecas no Brasil já se utilizam destas, e já é comum encontrar perfis de bibliotecas e centros de documentação em redes sociais, como o facebook, orkut, twitter, etc.

O marketing, no Brasil, é discutido por diversos autores, entre eles, Sueli Angélica do Amaral, organizadora da obra “Marketing na ciência da informação”, importante obra da área que traz diversas informações e casos de aplicação e conceito de marketing no âmbito da Ciência da Informação e da Biblioteconomia. O tema, é também muito debatido em seminários e congressos da área, mostrando o quanto está em voga, atualmente.

Clique aqui e leia integralmente a entrevista de Gilda Queiroz que compôs essa reportagem.

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