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RIO – O gerente estadual do Sistema de Bibliotecas Públicas da Bahia avalia a questão das bibliotecas em seu estado.

Chico de Paula: Quais são as principais dificuldades encontradas para conseguir zerar o número de municípios no Estado da Bahia que ainda não tem bibliotecas públicas?

Marcos Viana: O estado da Bahia, na verdade, já zerou o número de municípios sem bibliotecas. Tínhamos a demanda inicial de atender os municípios sem bibliotecas, no total de 144, e implantamos bibliotecas em 143 municípios. Essa semana [última do mês de setembro] zerou esse número. Atendemos um município que faltava, sendo o último caso.

C. P.: Em relação ao apoio que o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas, a Biblioteca Nacional e o Ministério da Cultura têm dado, esse atende as demandas que vocês apresentam?

M. V.: Na verdade em toda política, em todo o trabalho o orçamento nunca é suficiente. Mas existe um esforço muito grande no nível de governo federal, e, no nosso caso, do governo estadual, de trabalhar as políticas. Agora, é claro que as demandas são muito grandes e os recursos não serão suficientes, mas dentro do que foi colocado estamos conseguindo fazer bastante coisa. Lógico que falta ainda muita coisa a fazer. Por exemplo, na Bahia temos um quadro interessante na política pública do município. Todos os 407 municípios tem bibliotecas. Na verdade existem 442 bibliotecas,porque alguns municípios possuem mais de uma. As dificuldades são enormes, tanto do ponto de vista financeiro, como na questão geográfica, porque o estado é muito grande.

C. P.: Além da questão financeira e da questão geográfica apontada por você, e não pensando necessariamente no caso da Bahia ou do governo federal, você acredita que ainda falta um interesse político com a questão da democratização da leitura no Brasil?

M. V.: Não acredito que seja somente da necessidade política, mas também é necessário que a sociedade demande, porque o político trabalha em cima do que ele enxerga como prioritário e como importante. Então tem que reunir e discutir para fortalecer o sistema, tanto nacional como estadual. Estamos em um momento importante em que as políticas para o livro e a leitura estão acontecendo. Temos que focar nisso e os sistemas tem que estar atentos a essa questão e trabalhar juntos com os planos do livro e da leitura, com os planos estaduais e nacionais. A política é importante também, somando esforços como o que estamos fazendo aqui hoje.

C. P.: Nesse encontro vocês estão tendo a oportunidade de apresentar os problemas em relação às bibliotecas públicas nos estados. O que você trouxe aqui para esse encontro?

M. V.: Nesse encontro estou como gerente do Sistema, e também na companhia da nossa diretora. Estamos aqui trazendo as demandas do estado. Cada um sabe de suas demandas, para que possamos somar em conjunto os problemas e também as boas coisas. Não é somente problemas, pois temos boas experiências para trocar com outros estados. Muita coisa para ser feita. Agora, é claro que sempre vamos ficar com a sensação que ainda falta muito por fazer, mas não podemos perder de vista que é um momento histórico.

C. P.: Na Bahia quantas bibliotecas fazem parte do Sistema Estadual?

M. V.: O Sistema Estadual administra hoje nove bibliotecas. Nós temos oito bibliotecas físicas e uma recém-criada que é virtual. Foi denominada virtual desde julho em homenagem a independência da Bahia, sendo uma biblioteca temática especializada na história da Bahia. Essas são as que o Sistema administra. Temos as 446 bibliotecas municipais que prestamos assistência técnica, ou seja, temos uma responsabilidade técnica sobre essas bibliotecas municipais.

C. P.: Uma das dificuldades que as coordenadorias estaduais têm apresentado de modo geral é em relação aos prefeitos, dos políticos locais. Que dificuldades vocês já enfrentaram em relação a isso, sobretudo naqueles municípios que recebem os kits bibliotecas e não implantam ou então desmontam? Como acontece na Bahia?

M.  V.: Na verdade isso não é uma particularidade da Bahia. Acontece também em outros estados. Prefeitos que dão muita importância a questão da leitura realizando trabalhos maravilhosos. Por outro lado temos prefeitos que não tem a cultura de pensar a leitura como algo importante para o município, então não existe muito apoio político. Essa questão de abrir e fechar bibliotecas é complexa, mas hoje temos um instrumento importante, além da força política, que estamos conseguindo, acrescido na portaria 117/2010 que, por sinal, foi de autoria do Ministro Juca Ferreira, um baiano, quando estava à frente do Ministério da Cultura. Ele deixou esse legado para nós. É importante termos discutido isso nos encontros, inclusive como fazer para que essa portaria seja aplicada para aquele município que não disponibiliza a biblioteca. Precisamos utilizar a força desse instrumento para evitar que as bibliotecas sejam fechadas e para que cada vez mais a importância da leitura e do conhecimento da informação chegue aos municípios. A questão da biblioteca, uma coisa que deixo registrado em todas as minhas falas com quem converso, é a questão da Responsabilidade Social desses equipamentos, quando conseguimos conscientizá-los da importância da biblioteca para o município, podendo melhorar uma série de índices e eles entendem por esse lado. Assim as coisas começam a fluir.

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