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Foto e arte por: Sammy Slabbinck.
Foto e arte por: Sammy Slabbinck.

Por Najar Tubino, da Carta Maior.

Enojar é o verbo inspirador deste texto. Depois de muito pesquisar sobre a concentração de poder no mundo hoje, onde 147 multinacionais controlam outras 43 mil, o que corresponde a 40% do mercado mundial, onde os três principais veículos de economia do mundo ocidental fazem parte da carteira de clãs conhecidos há séculos, como os Rothschild, Agnelli, ou, já na era moderna, os Murdoch, donos do The Wall Street Journal, do Dow Jones e da Fox News, que divulga diariamente as mentiras sobre as alterações climáticas e o aquecimento global. The Economist, a revista inglesa de 1873 é a outra fonte, muito celebrada pelos neoliberais e conservadores por sua respeitabilidade, transparência e ética.

Ao iniciar 2016, a revista publicou uma capa sobre o Brasil quebrado e desorganizado, com uma foto da presidenta Dilma Rousseff cabisbaixa. Em agosto de 2015 a Pearson, dona da revista, vendeu 50% das ações – 27,3% foram compradas pela família Agnelli, os outros 23,7% pelo próprio Grupo Economist. Ocorre o seguinte: os outros 50% pertencem aos Rothscild, aos agentes financeiros Schroder, aos Agnelli e a Cadbury, maior fabricante de doces do Reino Unidos, que foi engolido pela Kraft Foods, dos Estados Unidos. O detalhe: estas famílias detêm a maioria das ações classe A, que dão direito a indicar a maioria dos 13 membros da diretoria. Ou seja: eles mandam e estabelecem as diretrizes editoriais.

Negócio perfeito no capitalismo

Pior: o grande negócio da The Economist é o Economist Intelligence Unit, que em 2014 faturou 93 milhões de dólares, mais do que os 37 milhões de dólares do Financial Time Group, que publica o jornal FT, que também era da Pearson e foi vendido no ano passado para o grupo japonês Nikkei por 1,3 mil milhões de dólares. Este é o funcionamento perfeito do capitalismo: os cães farejadores levantam a situação das empresas, dos setores económicos em todo o mundo – inclusive faturando com a publicidade – depois entregam aos seus patrões, que, no mesmo momento, sairão pelo mundo a comprar ações, empresas, terras, de forma fácil. Um golpe que o clã dos Rothschild britânico instituiu no então poderoso império por Nathan, que se instalou na City londrina em 1809.

A estratégia límpida e transparente, naquela época não tinha o sustentável, conhecida historicamente como o Golpe na Bolsa de Londres consistiu no seguinte: ao seus informantes presentes na Batalha de Waterloo forneceram o resultado final da carnificina ao patrão, que logo em seguida começou a vender os papéis na Bolsa espalhando o boato que Napoleão vencera. Ao mesmo tempo, os seus agentes passaram a comprar os papéis por ninharia. Logo depois, o poderoso império ficou a saber da vitória do seu exército e os papéis explodiram. Caía assim o Império Napoleónico e nascia oficialmente o império especulativo dos Rothschild.

No Planeta Mentira não há alterações climáticas

Mas vamos voltar ao Antropoceno, o novo período geológico que será definido este ano, com as mudanças da espécie humana. Na realidade os mais de sete mil milhões de habitantes do mundo não sabem exatamente em que planeta vivem. O controle exercido pelos 30 maiores conglomerados de mídia expõe apenas a sua visão da Terra. Nela, as mudanças climáticas, a destruição de florestas, a extinção de espécies, da miséria da própria espécie são apenas ingredientes do mercado, do sistema económico que necessita crescer infinitamente, porque sem crescimento não haveria planeta. E afinal, como os 85 bilionários – com mais de 20 mil milhões de dólares – poderiam viver e usufruir das maravilhas da natureza, com os seus iates, os seus clubes de golfe, os seus carros desportivos, as suas ilhas exclusivas?

Sem contar os outros 300, que estão na lista da Bloomberg, que possuem juntos 3,7 biliões de dólares e que ao longo de 2014 ganharam mais 524 mil milhões de dólares, segundo a pesquisa do professor Luiz Marques, no livro “Capitalismo e Colapso Ambiental”. Para reforçar um pouco mais o poder: as sete principais holdings financeiras dos Estados Unidos – JP Morgan Chase, Bank of America, Citigroup, Wells Fargo, Goldman Sachs, Metlife e Morgan Stanley detêm mais de 10 biliões de dólares em ativos consolidados, o que corresponde a 70,1% de todos os ativos dos Estados Unidos. São eles que controlam a riqueza mundial, dos 147 grupos que controlam os 43 mil – uma pesquisa do ETH Instituto Federal Suíço de Pesquisas Tecnológicas, de Zurique, selecionaram as 43 mil corporações entre 30 milhões.

Ricos não podem pagar impostos

Eles constataram que os banqueiros são os intermediários que possibilitam a articulação da rede. É claro que as famílias bilionárias do mundo participam de tudo isso. Sem esquecer, que parte desta fortuna, segundo a Tax Justice Network, pelo menos 21 biliões de dólares estão em paraísos fiscais. Porque o Planeta ficcional criado pelos conglomerados da mídia instituiu que os ricos não podem pagar impostos. Prejudica os negócios, o crescimento. Uma citação do final do livro de Thomas Piketty, “O Capital no século XXI” que definiu 300 anos de dados sobre a desigualdade económica em 669 páginas:

“A desigualdade entre a taxa de crescimento do capital e da renda e da produção faz com que os patrimónios originados no passado se recapitalizem mais rápido do que a progressão da produção e dos salários. Essa desigualdade exprime uma contradição lógica fundamental. O empresário tende a transformar-se, inevitavelmente, em rentista e a dominar cada vez mais aqueles que só possuem a sua força do trabalho. Uma vez constituído, o capital reproduz- se sozinho, mais rápido do que cresce a produção. O passado devora o futuro”.

A desigualdade será a norma no século XXI

E pode investir em educação, conhecimento e tecnologias não poluentes, nada disso elevará as taxas a 4 ou 5% ao ano, como rende o capital. A experiência histórica indica que apenas países em recuperação económica, como a Europa nos 30 anos gloriosos pós-segunda guerra, ou a China e os emergentes podem crescer neste ritmo por um tempo.

“Para os que se situam na fronteira tecnológica mundial e em última instância para o planeta como um todo, tudo leva a crer que a taxa de crescimento não pode ultrapassar 1 a 1,5% ao ano, no longo prazo, quaisquer que sejam as políticas a serem seguidas. Com o retorno médio do capital na ordem de 4 a 5% é provável que a desigualdade das taxas de crescimento já citadas voltem a ser a norma no século XXI, como sempre foi na história.”

O divertimento ao invés da realidade

Conclusão: o Planeta criado pelos conglomerados continua executando a mesma plataforma, desde o século XIX, sendo que somente nos períodos posteriores às guerras mundiais as fortunas foram taxadas. E o que faremos nós no século XXI? Já sabemos que o aquecimento aumenta, os eventos climáticos se aceleram e o agronegócio continua dominando mais áreas de floresta do planeta. Neste momento, entra a outra parte dos conglomerados de mídia – o entretenimento. A força da Disney Company – faturou 45 mil milhões de dólares em 2015 – e pagou 21 mil milhões de dólares pela franquia da séria Star Wars e ainda produzirão outros cinco filmes.

E pretendem vender 5 mil milhões de dólares em produtos licenciados – videogames, publicações, música, brinquedos. O mercado é grande: parques temáticos em Paris, Hong Kong, Tóquio, agora em 2016, Shangai, na China. Compraram todos os talentos, a Pixar, de Steve Jobs – era o maior acionista individual da Disney, os heróis em quadradinhos da Marvel, na figura desajeitada do Homem de Ferro, rico, cibernético e arrogante. Depois ainda compraram os estúdios de George Lucas. Total: mais de 15 mil milhões de dólares. Ou seja, não acreditem em caos climático, divirtam-se.

No Planeta de mentira, informação é entretenimento

A revista das famílias poderosas, a The Economist – fez um daqueles artigos pegajosos sobre “a força” da Disney, em dezembro de 2015. Uma citação: “A estratégia deles é a seguinte: os filmes aparecem no centro, à sua volta estão os parques temáticos, os licenciamentos, a música, as publicações e a televisão, Cada unidade da companhia produz conteúdo e impulsiona as vendas das demais”.

É perfeito, aliar-se isso a canais de desportos – ESPN – que fatura metade do dinheiro na Disney, que é uma das quatro líderes mundiais. As outras são: Google, que mais fatura em publicidade, depois a Comcast, que tem a maior rede de televisão a cabo do mundo, e é proprietária da rede NBC e da Universal. Depois vêm a 21st Century Fox, da News Corporation, de Rupert Murdoch; Viacom, dona da MTV e da Paramount, mas dividiu a corporação, criando a CBS Corporation, outra rede dos Estados Unidos. Na lista agora constam Facebook e Baidu, o Google chinês, em faturamento de publicidade.

85,5% das importações audiovisuais dos Estados Unidos

Mas eles não têm o poder dos conglomerados tradicionais. Faltou a Time Warner Company, dona da CNN, que é outra das bases de informação no mundo, além do Carlos Slim, dono da telefonia na América Latina, que agora tem 16,8% das ações do The New York Times, sendo o maior acionista individual. Último dado enjoativo desta que é a praga maior desta era geológica: 85,5% das importações audiovisuais da América Latina – 150 mil horas de filmes, séries e programas jornalísticos – são originários dos Estados Unidos. E todos estes conglomerados têm a participação acionista dos maiores fundos de investimento ou de pensões do mundo, como é o caso da Vanguard Group – 160 fundos nos Estados Unidos e 120 fora deles, que atualmente estão a processando a Petrobras nos Estados Unidos, e da qual os Rothschild são acionistas.

A família Rothschild – significa a casa do escudo vermelho, baseado no escudo da cidade de Frankfurt, onde Mayer Amschel Bauer, considerado o primeiro banqueiro internacional, começou o império. Segundo a versão popular, a fortuna começou com o dinheiro do nobre alemão Guilherme IX, que fugia de Napoleão, e deixou três milhões de libras esterlinas em dinheiro e obras de arte, para Mayer Amschel Bauer administrar.

Outros negócios dos Rothschild

Ele investiu bem, e, conta a lenda, não dividiu um centavo dos lucros. Também diz a lenda que a família não é de judeus étnicos, mas que se converteram ao judaísmo no século oito da era cristã. Os Rothschild, em seus vários ramos, são detentores de tudo o que é importante no mundo. A De Beeres, maior empresa de exploração, lapidação e comércio de diamantes, os extratores de minérios Rio Tinto e Anglo American, nas quais são acionistas. O Barão francês Edouard, já falecido, em 2005 comprou 37% do jornal Liberation, considerado um veículo que defende ideias de esquerda.

Recentemente, associaram-se aos Rockfellers na Rússia, unindo ativos de 40 mil milhões de dólares. Até hoje, as cotações do ouro são definidas no prédio da N M Rothschild & Co, que no Brasil se chama Rothschild, e trabalha no ramo de assessoria financeira, focada em fusões e aquisições, reorganizações de sociedades. Conta com 50 escritórios espalhados pelo mundo. No Brasil, já prestaram serviços para o Itaú Unibanco, no fecho de capital da Redecard, fizeram o laudo de avaliação do Santander Brasil, que vendeu parte do controle, além da BM&F, Camargo Corrêa, OI e Ambev.

No laudo de avaliação do Santander, a Rothschild Brasil esclarece que não possui informações comerciais e creditícias de qualquer natureza que possam impactar o laudo; que não possui conflitos de interesse, que lhe diminuam a independência necessária ao desempenho da função. E que receberia 800 mil de dólares pelo laudo. Algumas linhas adiante descreve que receberia mais 4,5 milhões de dólares pelo trabalho de assessoria do Santander S.A., que não é o Santander Brasil. Perceberam bem, é tudo ético, transparente e sustentável. E nós estamos tramados com este planeta mentiroso, que os conglomerados inventaram.

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