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Luiz Armando Bagolin. Foto: Hanna Gledyz / Agência Biblioo.
Luiz Armando Bagolin. Foto: Hanna Gledyz / Agência Biblioo.

A Biblioteca Mário de Andrade em São Paulo é uma das mais importantes bibliotecas públicas do país. Projetada pelo arquiteto francês Jacques Pilon, o atual prédio da biblioteca, localizado na Rua da Consolação, em São Paulo, é considerado um marco da arquitetura moderna paulista.

A Revista Biblioo foi até a Biblioteca Mário de Andrade para entrevistar o Diretor, Luiz Armando Bagolin e conhecer um pouco da sua gestão e da história da biblioteca.  Abaixo alguns dos pontos importantes da fala de Bagolin:

Histórico profissional na Biblioteca Mário de Andrade

Luiz Bagolin: O convite foi feito pelo prefeito, o Fernando Haddad, na nova gestão. Ele chega em 2013 e faz o convite ao Instituto que designa o meu nome. Eu sou filósofo de formação, mestrado e doutorado em Filosofia. Não sou bibliotecário. Aceitei o convite para fazer um diagnóstico. Então eu, num primeiro momento, não aceitei a direção, aceitei apenas fazer esse diagnóstico que haviam me pedido e a negociação foi feita nos bastidores. Um determinado dia eu chego à USP para dar aula e a diretora do meu departamento me chama e fala assim: “Olha, você assumiu a direção da Mário de Andrade. Houve uma tratativa entre prefeito e reitor e o seu afastamento foi liberado e você então vai assumir a direção da Mário de Andrade”. Eu falei: “Bom, tudo bem, eu fico os três meses para fazer o diagnóstico depois volto”. Esses três meses já se transformaram e dois anos.

A demanda de público

Luiz Bagolin: A demanda de público é um desafio, mas por trás dessa demanda de público presencial na biblioteca tem uma demanda muito maior. Então o nosso desafio não é só arrumar mais cadeiras, mais mesas para trazer mais público, nosso desafio é muito grande, é fazer com que as bibliotecas em São Paulo – e o meu compromisso é com essa e já não é fácil – avancem em políticas pra incorporação de novas tecnologias informacionais e que isso venha conviver com as plataformas tradicionais de uma biblioteca.

O cenário das bibliotecas públicas de São Paulo

Luiz Bagolin: Existem poucas bibliotecas públicas, ao contrário do Rio, que são mantidas pelo governo estadual. A maior parte das bibliotecas [de São Paulo] são mantidas pelo governo municipal. O problema das duas esferas de poder, não sei como funciona no Rio, mas aqui em São Paulo os equipamentos culturais, quando existe biblioteca, eles estão nessa mesma modalidade de funcionamento, eles são geridos por uma Organização Social (OS). Então a Pinacoteca, o Museu do Futebol, o Museu da Língua Portuguesa, o Museu Afro, em São Paulo essas instituições são do governo do estado e são mantidas por Organizações Sociais. Então quando houve, este ano, o corte, contingenciamento orçamentário e o corte de orçamento, repassado à Secretaria Estadual de Cultura, houve necessariamente essa notícia, as organizações que, com menos dinheiro, elas demitem. No caso da prefeitura, nós não temos nenhum equipamento mantido por uma Organização Social ou por uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP). Os quadros que são mantidos são de funcionários concursados, funcionários de carreira, que são pagos pela prefeitura. Então não houve demissões e, portanto, não houve nenhum impacto desse ponto de vista do atendimento. Quer dizer, diminui o horário de funcionamento porque você não tem mais o funcionário. Então isso felizmente não nos atingiu. O horário de atendimento, tanto na Mário quanto nas outras bibliotecas, não foi afetado pelas crises econômicas. O que eu posso dizer para você é que na Mário de Andrade estamos trabalhando duramente, mesmo com essa saraivada de más notícias na área econômica, no sentido de torná-la uma biblioteca 24 horas, full time. Abrir de domingo a domingo, a madrugada à dentro fica aberta, e estamos planejando fazer isso para o próximo ano.

Políticas públicas de incentivo à leitura no Brasil?

Luiz Bagolin: Está se construindo ainda. Eu acho que esse conjunto de políticas está sendo construído. Tem uma política nacional, foi criado um diretório nacional do livro, leitura, literatura e bibliotecas. O presidente desse diretório é um ex-diretor da Mário de Andrade, é o José Castilho [que deu lugar recentemente à Volnei Canônica como coordenador da Diretoria do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas – DLLLB], que também é presidente da editora da UNESP. Eu acho que é uma pessoa muito séria, muito comprometida. Graças ao Castilho existe um plano nacional. Em são Paulo isso está começando a acontecer; nos últimos dois anos houve uma série de reuniões, de conversas de plenárias. As últimas plenárias estão acontecendo esse ano, até metade desse ano. Há uma decisão de que as plenárias devem se encerrar para se fazer o desenho do Plano Municipal de São Paulo de política. Então a gente imagina que na melhor das hipóteses se tenha um plano, uma lei, porque o plano tem que ser transformado numa lei, e enviado para a Câmara [dos Deputados] para ser votado. Isso é uma parte, a outra parte é a aplicação desse plano. Então o fato da gente não ter um plano ainda, uma lei, significa que a gente está muito atrasado. O que eu posso te dizer é que eu tenho acompanhado aqui em São Paulo e o últimos esboço desse texto que vai ser transformado em Lei estabelece uma série de diretrizes pra política de leitura, pra política de literatura e pra política de biblioteca. Na política de bibliotecas os pontos que eu vi nominados, tudo que seria ideal para acontecer numa biblioteca a Mário de Andrade já faz, ela já está fazendo, a gente já é uma realidade.

A contribuição da Mário de Andrade para o Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca (PMLL)

Luiz Bagolin: Eu acho assim, é como se eles olhassem para a Mário de Andrade e visse, “bom, é isso, é isso que tem que acontecer em todas”, é o que a gente já está fazendo. A única coisa que está esboçada no plano e que não está acontecendo, mas que é um projeto que nasceu aqui, que a gente está trabalhando para que ele se torne realidade é a biblioteca 24 horas. Todos os outros pontos, quer dizer, o fato da biblioteca se abrir a outras linguagens, que não a linguagem textual, a linguagem da escrita… A gente tem cinema, tem teatro, shows, enfim, isso já está acontecendo aqui. O fato também da biblioteca ser uma espécie de centro cultural, não é um plano para a gente fazer, já está acontecendo. As bibliotecas terem um papel pró-ativo na publicação de material, seja de interesse de demanda da sociedade, seja pra extroverter o seu próprio acervo, a gente está fazendo isso. Nós criamos um selo, “Biblioteca Mário de Andrade Edições”, a gente já está publicando coisas, a gente publica a nossa própria revista, a gente tem publicado obras do acervo de obras raras com edições fac-similares, criamos aqui dentro um núcleo de criação editorial de primeira linha. Então o que eu posso dizer para você é que a gente tem muitos desafios, mas, enfim, a gente não esperou um plano para poder agir, mas isso se deve um pouco a essa Lei que nos deu essa autonomia. A Mário de Andrade tem orçamento próprio, tem uma assessoria jurídica própria, ela funciona como uma mini Secretaria de Cultura. Eu tenho contato direto com o prefeito, então, assim, a gente já elabora o projeto e põe em prática.

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