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Os últimos quinze anos da minha vida têm sido dedicados ao livro, à literatura e à leitura. Se não é muito, também já não é pouco. E o trabalho de formação de leitores é dos mais urgentes no Brasil já há muito, e ouso dizer que boa parte das mazelas que temos vivido possui ligação direta com a falta de políticas sólidas, em todas as esferas, nesse sentido.

Um país sem uma grande massa de leitores críticos e com vasto repertório, acaba por eleger para o seu Executivo uma criatura que nos diz que os livros didáticos têm muita coisa escrita e precisam ser suavizados, e, passados os memes e os sarcasmos com os quais temos tratados as infinitas aberrações ditas pelo presidente, precisamos olhar para esta fala com a devida detecção do perigo que corremos ante um ponto de vista desses.

Isso porque estamos regredindo dos números alarmantes de analfabetismo funcional para um analfabetismo puro. Isso é sério. Isso é grave. E para os que só entendem a linguagem das cifras, isso resultará num retrocesso econômico que ainda não podemos calcular, pois não há economia forte de fato sem que haja um sistema educacional sólido como suporte, e isto inclui a formação contínua e variada de leitores.

Eu gostaria de hoje, Dia do Leitor, fazer um texto fofo, emocionado e repleto de beleza para falar da leitura e de todo o imenso universo que esta abarca. Seria fácil. Mas não vivemos tempos fáceis.

E no dia de hoje, o que venho fazer é reafirmar esse compromisso que tenho com os livros e com a leitura. Seja escrevendo meus livros, seja me enfiando em escolas públicas, ouvindo, falando e trocando, seja trabalhando pela realização de políticas nesse sentido, seja como for, tenho dado o meu jeito até agora, mesmo não sendo fácil, e continuarei dando.

E posso dizer que é um privilégio poder trabalhar com paixão, essa paixão arrebatadora que me põe de pé todos os dias, pronta para a luta. Mas posso dizer também que é penoso ter uma paixão que recebe sempre tão pouca atenção, cujos caminhos são árduos em serem abertos, sempre exigindo um esforço maior do que, por exemplo, os outros segmentos artísticos e culturais.

Eu sempre digo, que em termos de atenção de políticas e verbas, o livro é o primo pobre. Mas sempre digo também que não tenho vocação para prima pobre. E continuarei não tendo. E após quinze anos, olho para traz e vejo que tenho feito bem. E nesses quinze anos, olho para a frente e vejo que ainda quero fazer bem mais.

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