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Como se sabe, o livro é um objeto de memória escrita, socialmente imprescindível para uma sociedade democrática.

No dia 23 de abril, comemorou-se o Dia Internacional do Livro e do Direito do Autor, data instituída pela UNESCO, devido ao falecimento de alguns escritores da Espanha.

Na semana de comemoração desta data, quando retornava do trabalho, deparei com uma feirinha de livros no shopping de Niterói (RJ). Tais feiras estão cada vez mais constantes nos bairros do Rio de Janeiro, com vários stands e, mais recentemente, vem sendo organizadas nas cidades de Niterói e de São Gonçalo.

Fiquei surpresa pela quantidade de pessoas de várias idades: adolescentes, jovens e idosos em torno destes durante os dias em que passava por ali. Uma das vezes, enquanto observava os livros, ouvi uma senhora falando ao celular e dizendo para outra ir também para fazer compras, pois os livros eram muitos bons e com preço acessível.

Feira de Livros Shopping Bay Market (Niterói, RJ). Fotos: Luciana Pereira Rodrigues

Perguntei ao vendedor do stand quanto tempo ficariam expostos e este me respondeu que seriam 18 dias. Também questionei como era o movimento das pessoas e me disse que o dia todo havia uma grande quantidade de clientes em torno dos livros, muitas pessoas vendo, lendo, comprando e, até mesmo, retornando em outros dias para efetuar novas compras. Não creio que estes sejam compradores apenas com o objetivo de colecionar livros, mas interessados nas leituras.

Em uma dessas feiras, foi realizada uma campanha educativa mostrando o valor da leitura com as seguintes frases: “Ler traz conhecimento e amplia percepções.”; “Ler é a melhor forma de adquirir sabedoria.”; “Ler é muito bacana!”; “A leitura enriquece o vocabulário.”; “Entre na onda da leitura e navegue no mar do conhecimento.”; “Quem lê se expressa melhor.”. Tais campanhas acabam atraindo ainda mais a população.

Tal fato me lembrou as Bienais (claro, que em proporção bem menor) que são feiras de livros com programação sobre o universo dos livros e da leitura que atraem milhares de pessoas e que realiza campanha educativa.

O certo é que a “morte dos livros” preconizada por alguns na década de 2000, não irá acontecer. Embora o livro digital esteja mais acessível, através dos tablets e outros, o povo brasileiro vem descobrindo o objeto livro. Independente do seu formato, o livro está se tornando mais acessível e a leitura timidamente vem encantando. Cabe ao leitor, fazer a sua escolha.

Infelizmente, dados estatísticos sobre leitura no Brasil estão muito aquém do que deveriam ser. Segundo a UNESCO, o brasileiro ainda lê pouco e encontra-se em último lugar ao se comparar com os países sulamericanos.

É claro que, nessas feiras, há livros para um público diverso, desde revistinhas de palavras cruzadas e de quadrinhos, passando por romances nacionais e estrangeiros, e até mesmo, com livros mais técnicos das áreas como Arte, Direito e outras.

Não quero entrar no mérito se as publicações são ou não de boa qualidade, até porque pois é algo muito subjetivo e particular e, entraríamos numa discussão sobre cultura (massa e popular vs elitista). Até porque, está cada vez mais fácil publicar, gerando um excesso de publicações devido o avanço da tecnologia. O quinto item do “Direito do leitor’, por Daniel Pennac (1944-, professor marroquino), trata justamente disso que o cidadão tem “O direito de ler não importa o quê”.

O importante é que uma grande parcela da população está podendo ter acesso ao livro, seja comprando ou indo a uma biblioteca mais próxima, embora estas ainda sejam poucas para o tamanho populacional do Brasil. Percebemos esta ascensão da leitura no nosso país quando se usam os meios de transporte (seja ônibus, metrô ou barca), pois sempre há alguém lendo um livro impresso ou digital. A sociedade está com fome de leitura, com necessidade de informação, de cultura e de conhecimento. Ainda segundo a UNESCO, um povo torna-se leitor quando o país tem uma tradição nacional, quando se torna hábito em casa e quando são formados novos leitores.

Henri Alexander Murray (1893-1988, psicólogo norte-americano) afirmou, em seus estudos (1938), que existem as necessidades ligadas à troca de informações e são elas: de conhecimento e de explicação. Em 1943, outro psicólogo norte-americano, Abraham Maslow (1908-1970), desenvolveu um estudo relacionado às necessidades humanas através do esquema de uma pirâmide, onde se encontram as necessidades: fisiológicas (parte inferior), de segurança, sociais, status-estima e autorrealização (parte superior). Penso que a necessidade de informação está ligada diretamente à necessidade status-estima para o indivíduo conseguir ser autorrealizado.

Nota-se que o livro vem conquistando timidamente o seu espaço seja para entreter, para informar e/ou para ter mais cultura. O importante é que se crie o hábito de ler em casa, que novos leitores sejam formados e que o Brasil tenha tradição de ler, só assim, tornar-se-á realmente democrático. E isso depende de cada um como cidadão brasileiro. É claro que, os profissionais que trabalham com educação (professores e pedagogos), os bibliotecários, os autores e os editores possuem um pouco mais de responsabilidade sobre esse assunto.

Ressaltando a importância do livro e da leitura, finalizo com a seguinte citação: “Os livros me ensinaram a pensar e o pensamento me fez livre” (Ricardo León, 1877-1943, poeta, ensaísta e escritor espanhol).

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