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Imagem: Wendell Penedo

Eu e meu marido comemoramos hoje dez anos de casamento. Não temos filhos, conseguimos um emprego burocrático alimentado por um excelente salário, mudamos recentemente para um bairro de classe alta e viajamos para o exterior pelo menos três vezes ao ano. Nossas famílias são amistosas, mas um pouco ausentes. Nós também não aceitamos muitos convites para almoços de domingo. Não há necessidade.

Decidimos celebrar nosso maravilhoso dia viajando. Moramos em uma metrópole badalada e poluída e não seria muito romântico renovar nossos votos aqui. Enquanto arrumo as malas, noto que um dos meus livros favoritos está jogado debaixo da cama. Na capa, é possível ler “Suave é a noite, de F. Scott Fitzgerald”. Folheando algumas páginas, encontro uma dedicatória escrita no vazio deixado por um parágrafo. Leio pausadamente: “Para a mulher que não acredita em astrologia, bingos, casamentos e homeopatia”. Embaixo dessas palavras, o nome Tomás parece estar em alto relevo e, superando o tempo, brilha em cores intensas e azuis.

Tomás e seus olhos insones, cercados por enormes olheiras; Tomás e seu cigarro sempre aceso, acompanhado de uma garrafa de café; Tomás e sua bicicleta verde, enferrujada pelo tempo. Quase ouço aquela voz rouca quando sou despertada por outra voz, tão suave como o fim de noite, que pergunta se eu já fiz o check-in no hotel. Olho para o relógio, para o quarto e para a cama. Tudo está como sempre esteve.

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