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Nos últimos anos, o mercado editorial tem investido mais em livros para o público jovem – um reflexo do crescimento do interesse pela leitura em adolescentes. É fato que histórias fantásticas, como as sagas Harry Potter e Crepúsculo, criaram uma geração de leitores fanáticos, e até histéricos, o que faz muita gente olhar torto para esse tipo de narrativa. A preocupação de pais e professores quanto à alienação de seus pupilos é evidente, porém é possível analisar o quadro de outra forma. Com a orientação correta, o adolescente poderá conhecer obras atuais e com conteúdos mais profundos, como a trilogia Jogos Vorazes, lançada pela Rocco.

A autora Suzanne Collins foi roteirista do canal norteamericano infantil Nickelodeon, por isso, o leitor pode se assustar ao ler a sinopse do primeiro livro. Em um futuro não tão longe, a história conta a vida de uma garota de apenas 16 anos moradora do distrito 12 do país fictício Panem que, para salvar a irmã caçula, precisa sobreviver à arena dos Jogos Vorazes – uma espécie do reality show Big Brother, porém o vencedor é aquele que sobreviver. A narrativa é simples e corre sem dificuldade, mas Suzanne não poupa nos detalhes sangrentos em algumas mortes. Panem é administrada pela Capital e seu terrível presidente Snow, um ditador que controla com punho de ferro as edições anuais do evento mais famoso do país, afinal ele é televisionado 24 horas para todos os distritos.

A trilogia mescla a teoria apresentada por George Orwell, em seu famoso 1984, com a sociedade do espetáculo tanto discutida por Zigmunt Bauman e outros pensadores. Os habitantes da Capital vêem os Jogos Vorazes como uma competição esportiva nacional, existe toda uma grande promoção por trás desta festa. Patrocinadores escolhem seus competidores preferidos, rodas de entrevistas são feitas, um desfile com os tributos escolhidos é o ponto auge para a população definir para quem irá torcer. O chocante disso tudo é que os participantes têm de 12 a 18 anos, são 24 crianças lutando até a morte pela sobrevivência, enfrentando medo, solidão, fome, sede e o terror psicológico.

Então, o que faz as pessoas aceitarem isso? Simples. Panem era dividida em 13 distritos, cada um responsável por uma atividade, como pecuária, agricultura, energia, têxtil etc. O último distrito cuidava da parte de tecnologia nuclear e armas de defesa, e durante uma desavença tentou se rebelar contra a Capital. Uma guerra civil foi instaurada e o distrito extinto. Com a desculpa de lembrar a todos os cidadãos do poder absoluto da Capital, a arena foi criada. Os chamados pacificadores, policiais do Governo, passaram a controlar todas as atividades nas cidades – que a meu ver, mais lembram um campo de concentração -, principalmente a cota de comida para cada família.

A manipulação da memória dos habitantes é uma constante no enredo. Nos livros seguintes o leitor descobrirá o verdadeiro destino do distrito 13 e como a protagonista Katniss virou um mártir da revolução, quando tudo o que ela queria era sobreviver e voltar para casa. Contudo, cada dupla de tributos possui uma equipe de preparação, com estilistas, relações públicas e assessoria, além de um treinador – geralmente um sobrevivente de edições passadas. E é o treinador de Katniss que traça o plano perfeito para que ela e seu par, Peeta, caiam nas graças do público. Ao sobreviverem com atitudes um quanto rebeldes, a heroína desperta a fúria do presidente de Panem. Se vendo numa trama política, a garota precisa tomar a melhor decisão para manter sua irmã e sua mãe vivas.

A repressão, a tortura e a censura não são apenas ficcionais, fazem o leitor analisar o conceito de ‘Pão e circo’, política da época do Império Romano onde o Governo para manter seu eleitorado deveria fornecer comida e entretenimento, característica que pode ser encontrada até hoje, principalmente em um país afundado no desinteresse da população e na desonestidade de seus governantes, como o Brasil.

A trilogia Jogos Vorazes é a pedida certa para fazer os adolescentes refletirem um pouco sobre os diversos temas, como a liberdade de expressão e o livre arbítrio. Mas não impede que o fanatismo apareça, afinal, ano que vem o filme baseado no primeiro volume estreará nos cinemas e produtos já estão sendo comercializados com a marca, fatos que só reforçam o interesse dos jovens em histórias inusitadas.

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