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Edenílson da Costa Marins empresta e recolhe livros há 18 anos – Foto: Analice Paron

Por Maíra Rubim de O Globo

O pequeno barracão de Edenílson da Costa Marins, na esquina da Rua Ministro Otávio Kelly com Domingues de Sá, pode, de longe, se assemelhar aos muitos chaveiros espalhados pela cidade. De perto, no entanto, tem um charme especial. Na bancada e nas prateleiras, é possível encontrar mais de 50 obras das literaturas brasileira e mundial. O dono do espaço diz que os livros estão lá para serem lidos, quem tiver interesse, pode pegar seu exemplar. E lembra que as prateleiras estão sempre abertas a receber aqueles exemplares que acabam esquecidos num canto da estante.

A leitura é tudo! Acredito que o Brasil mudaria se as pessoas lessem mais. Os livros nos proporcionam uma viagem sem sair do lugar e trabalham os sentimentos que habitam dentro de nós — afirma Marins.

Atualmente, Marins está lendo “Vinhas da ira”, do escritor norte-americano John Steinbeck. E diz que faz questão de ler todos os exemplares que passam pela sua bancada.

Somente ontem passaram por aqui 11 pessoas que trouxeram e levaram livros. Todo mundo quer ser feliz e, para mim, o que traz felicidade é ver esse vai e vem dos exemplares — conta o chaveiro.

Marins lembra que tudo começou há 18 anos, quando sua mãe perdeu um guarda-roupa, infestado por cupins. O movel estava abarrotado de livros.

Vi que não adiantava guardar os livros dentro de casa e que o conhecimento deveria circular. Por isso comecei a doar os livros. E, como consequência, comecei a receber outros exemplares — diz Marins.

Cliente de Marins, a aposentada Maria da Graça Raposo costuma pegar e doar livros para a biblioteca do chaveiro.

De tanto ver os livros, um dia eu e meu marido perguntamos o que eles estavam fazendo ali. Daí, começamos a participar. É muito bom poder adquirir cultura sem ter que pagar por isso e sem precisar ir longe. Sempre indico o Edenílson para quem gosta de livros — afirma Maria da Graça.

Célia Mara Vieira assume que é possessiva com seus livros e por isso admira ainda mais o chaveiro:

 Fico maravilhada com a iniciativa dele. Além disso, ele é um leitor voraz, que sempre me dá boas dicas — comenta.

Não longe dali, na esquina da Lopes Trovão com a Gavião Peixoto, outro amante dos livros tem se dedicado a fazê-los circular gratuitamente. O sem-teto Luiz Carlos Lopes da Silva costumava vender os exemplares para sebos. Hoje, doa boa parte do que consegue a quem passa pelo local.

Uma parte dos exemplares está destinada à doação. A outra parte eu vendo para poder ter o que comer, mas quem quiser emprestado também pode pegar e depois me devolver. Confio nas pessoas — afirma Silva.

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