0
Compartilhamentos
Redefinição de Impressão Google+

A informação jurídica possui, como uma de suas características, o elevado aspecto de “novidade”, com suas constantes alterações e/ou complementações. Todavia, a qualidade daquilo que é retrospectivo deve ser considerada pelos bibliotecários em todos os processos concernentes à gestão do acervo.

Não seria um exagero encontrar certa relutância, por parte de alguns profissionais, quanto aos trabalhos de rotina, realizados em uma unidade de informação jurídica, onde o processamento daquilo que é “corrente” seria, disparadamente, mais importante que os cuidados com a “coleção passada”.

É certo que cada biblioteca – bem como seus administradores – conhece sua realidade, anseios, e demanda; aquilo que é urgente, o famoso para ontem, tão comum no meio jurídico, mas há aspectos que merecem atenção: é muito comum que, ao serem analisadas pormenorizadamente, as coleções retrospectivas desvelem o passado, formação e desenvolvimento de muitas bibliotecas. Há também aquelas detentoras de verdadeiros tesouros legislativos, como decretos, leis, resoluções, primeiros fascículos de periódicos de destaque e outras normas difíceis de serem encontradas, mesmo em face das novas tecnologias. Cabe ressaltar ainda o valor histórico de certos documentos, que extrapolam os interesses jurídicos e configurando-se como contadores dos rumos de um país, estado ou município.

Estabelecimento de  critérios

É de grande valia o estabelecimento de critérios de raridade/importância para que a identificação e processamento técnico dos itens sejam consolidados satisfatoriamente, pois não é caso isolado o fato de muitas publicações raras/preciosas serem “esquecidas” na coleção corrente, sem o devido tratamento. Para tanto, aconselha-se a pesquisa de diferentes critérios e instituições, com acervos correlatos, para uma visão panorâmica, que dará base à tomada de decisão em âmbito específico.

Análise de doações

Os bibliotecários jurídicos, que lidam com acervos de memória, deparam-se, em inúmeras ocasiões, com a chegada de coleções doadas por grandes nomes do Direito nacional. Essas obras podem apresentar exemplares numerados, ex libris, ex donos, dedicatórias, carimbos e outras marcas de proveniência, que elevam o caráter da coleção. Para exemplificar este fato, citamos o caso da Biblioteca Marcos Juruena Villela Souto, da PGE-RJ, que recebeu a missão, em 2010, de salvaguardar o acervo de Otávio Tarquínio e Lúcia Miguel Pereira, além da Coleção Francisco Campos (esta já incorporada ao acervo entre 1971 e 1974 e composta por cerca de 2.700 obras), ambas pertencentes a figuras iminentes do mundo intelectual e jurídico brasileiro, respectivamente, e dotadas de exemplares de valor inestimável.

Assim como em todo acervo, a avaliação de cada item dever ser considerada, para que as ações concernentes à restauração, conservação ou preservação sejam tomadas, como no caso de coleções que necessitem de encadernação, acondicionamento, acesso restrito, etc.

Considerando-se, portanto, os aspectos do item e da instituição, a avaliação minuciosa de livros, periódicos e outros documentos retrospectivos deve ser estimada pelo profissional de informação jurídica, para que cada tipologia documental seja direcionada ao tratamento correto, de acordo com suas especificidades, e a missão de estender, às futuras gerações, o acesso ao conhecimento registrado seja cumprida com êxito.

Cursos online de qualificação em Biblioteconomia e Ciência da Informação. Acesse!

Comentários

Comentários

Postagem anterior

Sobre o acesso ao conhecimento no Brasil

Próximo post

O laicismo é de comer?

11 Comentários

  1. Ivanilma
    5 de agosto de 2011 a 16:44 —

    Parabéns a todos pelo trabalho!
    Está excelente! E ao meu querido amigo, Thiago Cirne, pela brilhante colocação a respeito das coleções jurídicas.

    • Letícya Weschenfelder
      5 de agosto de 2011 a 18:47 —

      Parabéns Thiago Cirne , amei sua colocação a respeito das colocações jurídicas ²

      • Kelly Lima
        5 de agosto de 2011 a 18:51 —

        Obrigado, queridos! Grande abraço a todos!

  2. Eliane
    5 de agosto de 2011 a 18:18 —

    Um trabalho muito bom mesmo. Parabéns!

  3. Mariland Pereira
    5 de agosto de 2011 a 18:50 —

    Muito bom trabalho! Parabéns!

  4. Alan Muniz
    5 de agosto de 2011 a 19:41 —

    Ótimo artigo! Gostei da visão direcionada para a importância das “coleções passadas”.

  5. Ana Márcia
    7 de agosto de 2011 a 16:49 —

    Cirne, meu querido, parabéns pela clareza e acertividade nas palavras e na exposição das idéias. Gostei muito do texto. Forte Abraço!

  6. Márcio Freitas
    9 de agosto de 2011 a 21:20 —

    Muito bom, e interessante sua colocação . Parabens!

  7. 11 de agosto de 2011 a 12:42 —

    Prezado Thiago,

    É com muita emoção e alegria que escrevo este comentário, pois diante do exposto neste artigo, tenho a certeza de que a nova geração de bibliotecários jurídicos terá muito mais condições de reunir, organizar, tratar e disponibilizar a informação/documentação jurídica para que o cidadão/o povo possa exercer de fato a sua cidadania.
    Não basta que os preceitos/ princípios, direitos fundamentais estejam muito bem redigidos numa CONSTITUIÇÃO DEMOCRÁTICA, que já existe desde 1988, se o usuário não souber que dela pode dispor para correr atrás de seus direitos.

    Vamos continuar a nossa caminhada dando acesso a INFORMAÇÃO JURÍDICA, abrindo nossos arquivos, acervos, os verdadeiros TESOUROS JURÍDICOS que estiverem ao nosso alcance e colocá-los à disposição dos INTERESSADOS, dos USUÁRIOS, do CIDADÃO, que bate a nossa porta e muitas vezes não sabe o que podemos oferecer para ele.
    Parabéns meu amigo, meu companheiro de GIDJ/RJ.
    Celia Maria Escobar Araujo
    Assistente de Documentação Aposentada da PGM/RJ
    Diretora de Normas e Legislação do GIDJ/RJ – Grupo de Profissionais em Informação e Documentação Jurídica do Rio de Janeiro.

  8. Andreia
    12 de agosto de 2011 a 13:04 —

    Parabéns Thiago,

    O artigo está ótimo. Eu sou suspeita por falar, já que tive a honra de lê-lo antes. Continue assim.
    Beijos,
    Andreia

    • Thiago
      15 de agosto de 2011 a 15:54 —

      Amigos, obrigado pelo carinho.

      Abç,
      Cirne

Deixe uma resposta