0
Compartilhamentos
Redefinição de Impressão Google+

Uma de minhas maiores indignações na Biblioteconomia é quando vejo estudantes, profissionais e professores quando abordados sobre perguntas como “O que faz o bibliotecário?” ou “O que estuda a Biblioteconomia?” e a resposta vem ressonantemente vazia: o bibliotecário não trabalha apenas em biblioteca ou a Biblioteconomia não se estuda apenas para atuar em biblioteca.

A priori, a resposta faz sentido pela ampliação do mercado biblioteconômico e pela pluralidade do modus operandi acadêmico e profissional da Biblioteconomia. Porém, o problema são os sentidos ocultos da resposta. O primeiro deles é o de relegar a um plano inferior o papel da biblioteca e sua relevância para o fazer bibliotecário.

O segundo é a iniciativa de negar sem afirmar ou sustentar um discurso consistente, pois “não trabalha apenas em biblioteca” implica no famoso “sei o que não quero para minha atuação profissional, mas não sei necessariamente o que quero”.

O terceiro implica na falta de reconhecimento das múltiplas funções e aplicações sociais, gerenciais, tecnológicas e humanas que a biblioteca possui e não somente para a Biblioteconomia, mas para a sociedade em geral.

Rejeitar a biblioteca em face da falta de valorização governamental ou da propriedade privada ou ainda de diversos setores da sociedade, incluindo, intelectuais, é rejeitar a amplitude da Biblioteconomia enquanto disciplina de prática profissional, política e humana, que culmina (intencionalmente ou não) na rejeição dos fazeres cultural e educacional que envolve ações das bibliotecas públicas, escolares, universitárias, populares, especializadas etc.

Ainda na vertente daqueles que desvalorizam a biblioteca (intencionalmente ou não), reduzi-la a uma mera coleção de acervos é minimizar o seu potencial de ação junto a sujeitos.

Isso mostra que é preciso avançar na Biblioteconomia e nas práticas sociais sobre o conceito de biblioteca, pois limitá-la a um conjunto de coleções de materiais, especialmente bibliográficos, é desmerecer o papel da biblioteca em instituições escolares, universitárias, empresas, indústrias, bancos, empresas de comunicação e outros espaços passíveis de existência de bibliotecas e atuação do bibliotecário.

A Lei 12.244/10 apresenta um elemento político-institucional que conceitua a biblioteca escolar (e se aplica a outros tipos de biblioteca) como “a coleção de livros, materiais videográficos e documentos registrados em qualquer suporte destinados a consulta, pesquisa, estudo ou leitura.”

Esse conceito, embora apresente um esforço de reconhecer o papel da biblioteca, peca por render sujeitos (autores, mediadores e usuários) a coleções e não conceber a biblioteca a partir da centralidade do sujeito e o acervo como um dos procedimentos que estimulam a produção de informação e construção do conhecimento desses sujeitos.

Desse modo, entendo que nem toda coleção de materiais bibliográficos, videográficos e outros suportes documentais é uma biblioteca. Por isso, defendo o seguinte conceito de biblioteca:

“A biblioteca é um centro que produz, gerencia, organiza e medeia informação em diversos suportes (bibliográficos, vídeográficos, documentais e iconográficos) e formatos (físicos e/ou digitais) para e com a comunidade de usuários, visando a satisfação de necessidades, estímulos para aplicações cotidianas, construção de conhecimentos e/ou geração de novos processos comunicacionais”.

Evidentemente que este conceito não está pronto e acabado, mas será aprimorado através de práticas acadêmicas e profissionais no âmbito do ensino, pesquisa e extensão de forma articulada, pois todo e qualquer conceito é sustentado a partir de práticas que devem representar uma realidade.

Logo, o conceito de biblioteca precisa representar uma nova realidade: mais humana, estratégica e ampla do ponto de vista pragmático (gerencial, tecnológico e pedagógico).

Portanto, é premente pensarmos a biblioteca como centro de informação de múltiplas perspectivas de atuação, pois o seu reconhecimento depende, em tese, da sustentação de seus conceitos e de suas preconizações nas práticas cotidianas do bibliotecário.

Cursos online de qualificação em Biblioteconomia e Ciência da Informação. Acesse!

Comentários

Comentários

Postagem anterior

Os filhos dos dias

Próximo post

Pluralidade de saberes

1 Comentário

  1. 25 de junho de 2015 a 13:17 —

    Na tentativa de colaborar um pouco com esta discussão… divulgo aqui parte do que penso sobre a profissão do bibliotecário, publicada originalmente no boletim informativo da UFMG.
    Leia a matéria completa em: REFLEXÕES sobre a profissão de BIBLIOTECÁRIO https://www.ufmg.br/boletim/bol1731/2.shtml

Deixe uma resposta