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DUQUE DE CAXIAS, RJ – O secretário municipal de cultura e turismo de Duque de Caxias, professor Gutemberg Cardoso, fala sobre a implantação do Plano Municipal do Livro e da Leitura daquela cidade.

Chico de Paula: Professor Gutemberg, qual a importância da implantação do Plano Municipal do Livro e Leitura aqui em Duque de Caxias?

Gutemberg Cardoso: É, primeiramente, parabenizar o professor Antonio e sua equipe, né, que são responsáveis diretos pela Biblioteca Solano Trindade e pra mim foi muito gratificante quando na Secretaria Municipal de Cultura, recebi a visita do professor Antonio e ali ele com muito entusiasmo falava da necessidade da implantação desse projeto do livro e da leitura aqui na nossa cidade. Nós na Secretaria Municipal de Cultura temos realizado um trabalho muito significativo. Isto pelo fato de termos implantado aqui na nossa cidade duas modernas bibliotecas: a Biblioteca de Jovens e Adultos Leonel de Moura Brizola e a Biblioteca Infantil Leonel de Moura Brizola. Também termos sobre nossa responsabilidade três outras bibliotecas: uma em Jardim Primavera, outra em Xerém e a outra em Imbariê. O destaque é essa Biblioteca Leonel de Moura Brizola que recebe diariamente mais de 500 jovens e a nossa Biblioteca Infantil, que hoje trabalha com projeto de incentivo a visitação dos nossos pequeninos. Para tanto, a Secretaria Municipal de Cultura disponibiliza um ônibus, contacta uma escola, e esse ônibus se desloca até a escola e trás as crianças. Essas crianças são recebidas pelas nossas contadoras de história e ali a criança vivencia o seu mundo infantil. Então isso, foi muito significativo. Tem muito significado e o complemento disso tudo foi quando recebendo a visita do professor Antonio, volto a enfatizar, e temos que reconhecer isso, ele levava ali a proposta para que, junto com o Poder Público Municipal, nós pudéssemos estar realizando esse primeiro Encontro do Livro e da Leitura em Duque de Caxias, para que juntos, a sociedade civil e o poder público, pudessem realizar e criar políticas públicas de incentivo à leitura. Isso foi fundamental. Depois de um mês e meio desse primeiro Encontro, nós estamos aqui nesse momento histórico, vendo esse encontro ser realizado com representantes do Poder Público Estadual, no caso a nossa professora Elisa, que proferiu uma palestra muito significativa pra nós. Eu acredito que a partir desse primeiro Encontro, nós estaremos dando um passo muito importante para que Duque de Caxias venha efetivamente a concretizar um projeto de políticas públicas de incentivo à leitura e não somente isto, mas também que incentive a criação de novas bibliotecas.

C. P.: Professor, do ponto de vista da educação, o senhor que é professor, como é que o senhor enxerga a perspectiva da inserção da leitura no cotidiano das pessoas, dos jovens, das crianças, de um modo em geral, projetando uma possibilidade de um futuro melhor pra essas pessoas, não só aqui em Duque de Caxias, mas em toda região, Baixada Fluminense, no Estado do Rio de Janeiro?

G. C.: Eu acho fundamental. Eu defendo um princípio de que é necessário que tenhamos o maior quantitativo de bibliotecas. Eu acho que o Poder Público tem uma responsabilidade muito grande em relação a isto. Claro que nós estamos muito atrasados. O município de Duque de Caxias, apesar de ter hoje cinco bibliotecas públicas sob nossa responsabilidade, ainda é muito pouco. É um quantitativo muito, muito pequeno, e aquele velho, velho, velho: “quem ler pouco, sabe pouco, quem ler mais, sabe muito mais ainda”. Então a partir desse enfoque, a parceria do Poder Público com os Movimentos Populares organizados que pautam por esse caminho, da necessidade de que através das bibliotecas públicas, sejam elas comunitárias ou não, que iremos contribuir muitíssimo para libertação do homem; eu digo libertação do homem no seguinte sentido: quem é informado dificilmente é enganado.

C. P.: Professor, o senhor destacou na sua fala que é um leitor assíduo, o que o senhor destacaria na sua biblioteca de especial, o que o senhor indicaria para esses jovens que estão se inserindo no mundo da leitura?

G. C.: Olha só, eu focava agora pouco que o que marcou a minha vida como estudante, isso lá atrás nos primeiros seis anos, foi um professor: Honésimo Vila Nova. Foi ele quem, nos primeiros momentos, dizia pra turma dele que era necessário ler, e ele foi justamente na literatura do mundo infantil; da criança. Ele passou as Aventuras de Tom Sawyer, Aventuras de Huck Pit, Moby Dicky, A Ilha de Coral, A Ilha Perdida. Esses livros me marcaram muito, e pra ter uma ideia como esses livros me marcaram, eu tenho uma filha com vinte e dois anos, e esses livros que o professor Honésimo Vila Nova havia passado pra mim há mais de trinta anos atrás, foram os livros que eu presenteei a minha filha também. A minha filha é uma leitora fantástica. Hoje com vinte e dois anos, está indo para o sexto ano de Medicina. O meu maior orgulho é ver minha filha lendo. Então se você me pergunta: “Guttemberg, o que você indicaria para os jovens, ler, seja literatura, seja contos infantis, seja livros de história, de política, é aquilo que o jovem mais se interessa? Se ele se interessa por uma determinada área, ele deve focar pra essa área e ler. A partir do momento que ele ler, ele descobre coisas, na medida que ele descobre, ele vai focando para outras áreas e aí ele tem um mundo promissor pela frente.

C. P.: Professor, só pra finalizar, o senhor destacaria o uso das novas tecnologias como importantes para o incentivo à leitura?

G. C.: Com certeza, com certeza! A multimídia ela é fundamental. Não adianta a gente afirmar ou dizer, de que ela não tem importância. Se não você fica desfocado do mundo. Mesmo assim, não tem nada que substitua o livro, nada, nada, nada, nada. Por exemplo, quando eu chego em casa, muitas das vezes eu olho e vou ali e tiro uma literatura e a minha filha olha: “pai você está lendo o que?”. Olha a curiosidade que desperta o fato de você enquanto pai ou que você tenha um irmão mais jovem do que você, quando você apanha uma literatura; a curiosidade do jovem ou da criança: “o que você está lendo?”. É porque você despertou a curiosidade dele, não é? Então o que substitui o livro? Nada, mas também não dá para afirmar de que nós podemos estar desfocado de toda essa gama tecnológica que está sendo colocada à nossa disposição.

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1 Comentário

  1. Julianna Moura
    7 de julho de 2011 a 1:50 —

    Gente, fiquei admirada e fascinada com a entrevista desse professor, relembrando os tempos de quando lecionava para crianças na educação infantil, nossa que saudade! Ainda mais feliz em saber que existam pessoas que trabalham a educação dessa maneira tão extraordinária!

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