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Festa literária de Paraty confirma a presença de Eleanor Catton, vencedora do último Booker Prize. Nesta edição, o evento homenageia Millôr Fernandes

A anglo-indiana Jhumpa Lahiri foi o grande nome anunciado na coletiva de imprensa da Flip deste ano, que acontece entre os dias 30 de julho e 3 de agosto. Realizada na manhã desta terça-feira (13), na Biblioteca Parque Estadual, no Rio, a coletiva indicou que a festa literária de Paraty, aposta em excelentes escritores jovens de diversas partes do mundo – tais como Elif Batuman, Joël Dicker, Daniel Alarcón, Eleanor Catton, Mochid Hamid, entre outros.

Com curadoria do jornalista Paulo Werneck, nomes importantes da literatura latino-americana, que tiveram pouca divulgação no Brasil, foram convocados – como Juan Villoro e Jorge Edwards -, assim como autores daqui que vêm ganhando merecido destaque (Antonio Prata, Gregório Duvivier e Fernanda Torres), ou que merecem mais destaque (como o poeta Charles Peixoto).

Nessa mesma linha de busca por um certo frescor, o homenageado pela primeira vez é um autor contemporâneo, que inclusive já esteve na festa, Millôr Fernandes (1923-2012). O crítico de arte Agnaldo Farias e os humoristas Reinaldo, Hubert e Jaguar irão falar sobre ele. O show de abertura será da incrível Gal Costa. O anuncio foi feito Mauro Munhoz, presidente da Casa Azul, que organiza o evento.

Seguem alguns nomes, por grau de curiosidade que despertam:

Jhumpa Lahiri
Possivelmente o maior nome da Flip, teve seu primeiro livro, Intérprete de Males, premiado com o Pulitzer e outros prêmios importantes. Seu mais recente livro, Aguapés (The Lowland) será lançado pela Biblioteca Azul,

Vladímir Sorókin
Estreia de um russo no evento. Ele não é propriamente jovem (1955), mas seus livros mostram um vigor e uma originalidade que há muito não se via, especialmente considerando-se as circunstâncias restritivas em que foram escritos. Um deles, em que descreve a cópula entre um sósia de Stalin e um de Krushev, foi banido do país. O primeiro livro, teve de ser publicado clandestinamente na França. Sorokin mistura ficção científica, sátira politico-social e cultura pop com bastante humor. Provavelmente vai causar barulho no evento. Por enquanto, só há a previsão do lançamento de uma peça sua no Brasil, Dostoievski-Trip, pela Rocco.

Mochid Hamid
Paquistanês, nasceu em 1971, mas estudou nos Estados Unidos, tendo como professores Joyce Carol Oates e Toni Morrison. Seus três livros, ainda sem tradução, foram unanimemente elogiados pela crítica e fizeram sucesso. A sátira best-seller The Reluctant Fundamentalist, de 2007, traduzida para 25 países, foi tida pelo Guardian como um dos livros que definem o século. Ele estará numa mesa com Antonio Prata, que promete ser das mais divertidas.

Eleanor Catton

Nascida em 1985 no Canadá, mas vivendo na Nova Zelândia, Catton surpreendeu o mundo literário ao vencer o prestigioso Booker Prize com seu segundo romance, The Luminaires, um catatau de mais de 800 páginas, batendo dois recordes: o de ser a mais jovem vencedora nos 45 anos do prêmio, e o de ter a obra mais longa entre as eleitas.

O livro se passa nas minas de ouro da Nova Zelândia, em meados do século XIX. Será lançado aqui com o título Os Luminares.

Joël Dicker
Suiço de apenas 29 anos, escreveu um dos maiores best-sellers da Europa nos últimos tempos, tendo vendido mais de um milhão de exemplares só na França. Seu La Verité sur L’Affaire Harry Quebert, história de um aspirante a escritor que se envolve na investigação de um assassinato, deverá sair por aqui ainda neste mês, pela Intrínseca.

Etgar Keret
Muito popular na Israel natal, onde é bastante premiado e chegou a ser descrito por um crítico como o “novo Amos Oz”, Keret, também autor de quadrinhos e roteiros para televisão e cinema,  terá seu livro mais recente, Quem bate à porta?, de contos, traduzido do hebreu para o português pela Rocco.

Elif Batuman
Norte-americana de pais turcos, Batuman, 36, contou suas experiências como estudante de literatura russa e literatura comparada em Stanford e Harvard em vários artigos para a New Yorker e Harper’s Bazaar. Os textos foram a base para o seu aclamado Os Possessos: Aventuras com os Livros Russos e seus Leitores, lançado aqui pela Leya, em 2012.

Graciela Mochkofsky

Jornalista argentina, 43, ficou conhecida no Brasil por seus artigos na revista Piauí sobre a política em seu país. Tem vários livros publicados, em geral sobre a relação entre jornalismo e política. Um deles é Pecado Capital: Clarín, los Kirchner y la Lucha por el Poder, que examina de perto o duelo do governo argentino com o monopólio dos grandes jornais, em particular o Clarín. Ela edita também a revista digital El Puercoespín. Em agosto a E-Galaxy vai lançar dela o e-book Estação Terminal, sobre o maior desastre de trem (ou de qualquer outro tipo) da história de Buenos Aires.

Além desses, irão participar também o líder yanomami Davi Kopenawa e a fotógrafa Claudia Andujar; o ativista Michael Pollan, o jornalista Charles Fergunson, que revelou as denúncias de Edward Snowden; e os escritores Bernardo Kucinski e Marcelo Rubens Paiva, que vão falar sobre a ditadura militar no Brasil. Outro destaque é Andrew Solomon, autor dos importantes Longe da Árvore, em que investiga a forma como encaramos filhos com  Síndrome de Down, autismo e outras diversidades, e O Demônio do Meio-Dia, sobre a depressão.

Publicado originalmente Revista Brasileiros

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