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O que de melhor aconteceu no Colóquio Internacional

Aconteceu nos dias 5 e 6 de setembro, na XV Bienal do Livro Rio, o Colóquio internacional “E-books e a democratização do acesso: modelos e experiências de bibliotecas”. O evento contou com a participação de representantes de importantes instituições nacionais e internacionais, que contaram um pouco sobre suas experiências com esse novo artefato que vem, cada vez mais, dividindo opiniões, se configurando, para alguns, como um facilitador do acesso, e facilitador do incentivo ao hábito da leitura, e sobretudo, uma evolução do suporte livro, e para outros, uma ameaça ao “bom e velho” livro impresso.

Em seu primeiro dia, a abertura do evento contou com a presença de importantes nomes, como Galeno Amorim, Presidente da Fundação Biblioteca Nacional, que deu as boas vindas ao público, falando sobre o papel do e-book no cenário nacional; Antonio Martinez Luciano, diretor do Instituto Cervantes do Rio de Janeiro, que salientou a importância do Intercâmbio de ideias, que julga importante para a aplicação das novas tecnologias no mundo das bibliotecas; e Michael Worbs,  Cônsul Geral da República Federal da Alemanha no RJ, que afirmou a possibilidade de coexistência entre o formato impresso e digital dos livros, desejando o debate da questão do acesso em determinados segmentos.

Ainda no primeiro dia, três palestras foram proferidas. Infelizmente, duas das cinco palestras que estavam na programadas não aconteceram, em função de problemas pessoais ocorridos com os palestrantes, segundo a organização do Colóquio.

A primeira apresentação, “E-books: um belo e novo mundo? Fatos e tendências no mundo de livros digitais”, foi apresentada por Christoph Freier, diretor da Divisão de Entretenimento da GFK Panel Services Deutschland. Nela, Christoph apresentou, em uma temática mais mercadológica, estudos sobre o mercado de e-book, mostrando estatísticas interessantes, como o fato de os e-books terem um volume de vendas de 16,6 milhões de euros. Segundo Christoph, atualmente cerca de 1% das vendas são feitas para e-books, mas que as editoras alemãs projetam, para 2015, um crescimento de 15% neste mercado. Freier conclui afirmando que os e-books são vistos como complementação, e não como canibalização do mercado impresso.

A segunda apresentação foi feita por Frank Daniel, diretor do Departamento de Serviços Escolares e Serviços Eletrônicos da Stadtbibliothek Kolin, cujo tema foi “Experiências com e-books na Biblioteca Pública de Colônia”. Frank apresentou o caso da Biblioteca de Colonia, mostrando como é feita a gestão da biblioteca em relação aos e-books, tal como negociação de licenças, aquisições online, diferenças de preços dos materiais, DRM (Digital Rights Managements), e outras questões relacionadas aos formatos dos livros eletrônicos. Frank também apresentou algumas das principais dúvidas de usuários, dentre as quais, “Como um arquivo pode estar emprestado?!”, “Não conseguem lidar com a complicação envolvida nos diferentes tipos de arquivos?”, “Quando teremos finalmente todos os livros para download?”, e por fim, “Por que nem todos os funcionários estão treinados?”.

À tarde, Claire Nguyen, membro do Consórcio Nacional Couperin e chefe de departamento na Bibliothèke interuniversitaire Santé, Paris, apresentou a palestra “Estado atual da questão: oferta, negociação, valorização e uso dos e-books nas bibliotecas acadêmicas Francesas”. Ela contou como foi a criação da Célula E-books, em 2007, e citou, como agentes desse ramo, os autores, editores, livrarias, intermediários, bibliotecários, usuários e internautas. Segundo Claire, sua biblioteca possui aproximadamente 60.000 livros em francês na forma eletrônica e que, em termos de preço, a redução é pequena em relação ao formato impresso (não mais que 25%). Por fim, expôs como modelos econômicos, o Download, streaming e Cloud Computing.

O público, nesta primeira parte do colóquio, apresentou diversas questões aos palestrantes, tais como preservação digital, economia em aquisições, interoperabilidade, facilidades e dificuldades de formato. Tais questões já dão uma prévia das principais preocupações que o futuro poderá trazer, no que tange à tarefa de formar e desenvolver coleções,  e em relação a gestão de bibliotecas, com os e-books “entrando em cena”.

No segundo dia do colóquio, duas palestras foram apresentadas. A primeira, “Digitalização e modelos de acesso a e-books na biblioteca pública da Inglaterra”, proferida pelo brasileiro, Aquiles Alencar-Brayner, curador digital da British Library, trouxe questões como o preconceito em relação ao livro eletrônico e o conceito do mesmo. Expectativas e demandas de usuários, também foram discutidas, assim como algumas das contribuições que os livros em formato eletrônico podem trazer, tanto aos profissionais, como aos próprios usuários, como instrumentos de busca diferenciados, como a Folksonomia, maior interatividade, racionalização de recursos, por meio de catálogos integrados, e o acesso irrestrito a conteúdos eletrônicos por meio dos dispositivos móveis. Aquiles apresentou também um desafio às bibliotecas, em relação aos livros digitais: O público. Segundo Aquiles, as bibliotecas tem o desafio de conquistar dois tipos de público: os nativos digitais e os imigrantes digitais. Na apresentação, Aquiles também mostrou alguns dos obstáculos percebidos no universo dos e-books, como impostos, gastos com dispositivos de leitura, inconsistências de metadados disponíveis em editoras, entre outros.

Por fim, o colóquio foi encerrado por uma mesa redonda, cujo tema foi “E-book e a formação de novos leitores na experiência brasileira”, composta por Carlos Eduardo Ernanny, Diretor Executivo da Gato Sabido (www.gatosabido.com.br); Antonio Torres, curador da Biblioteca digital Nuvem de livros (www.nuvemdelivros.com.br); e Carlo Carrenho, fundador da PublishNews. Os palestrantes apresentaram seus projetos, assim como suas experiências com a gestão dos e-books, as contribuições e dificuldades do trabalho com os mesmos, e o papel do livro digital na contemporaneidade. Uma das questões mais debatidas pela plateia foi o papel do Bibliotecário nos empreendimentos, e, mais uma vez, a questão da preservação digital.

Estes foram apenas alguns, dos diversos pontos abordados pelos palestrantes, e pela plateia, composta por um público diverso, como Bibliotecários, Designers, Arquivistas, entre outros, que compõem o universo informacional tocado por essa nova “ferramenta” que é o e-book. Foi possível concluir o quanto esse mercado está em expansão, dando uma prévia de um futuro onde termos, como, Downloads, Cloud Computing, DRM, E-pub, Streaming etc. farão parte do cotidiano de bibliotecas e leitores, seja no mundo On como no Off line.

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