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Por Fania Rodrigues do Brasil de Fato

A ideia parecia simples. Criar uma página no Facebook para transmitir informações para os moradores da comunidade onde vive. A vontade de ajudar levou a dona de casa Cláudia Sacramento Mathias criar a páginaVila Cruzeiro RJ nas redes sociais, que atualmente tem mais de 23 mil seguidores.

De fato era simples. Mas o que dona Cláudia não sabia é que essa iniciativa faria toda diferença na vida das pessoas que moram na Vila Cruzeiro, no bairro da Penha.

Filha de uma empregada doméstica, Cláudia Sacramento Mathias teve paralisia infantil ainda bebê e anda com dificuldade. Hoje com 46 anos ela recebe uma pensão do governo, mas só descobriu que tinha direito ao benefício há dois anos. A pobreza era tanta, que faltava até informação sobre os direitos mais básicos.

Entretanto, suas limitações físicas nunca a paralisaram. Agora só pensa em informar e contribuir cada vez mais com sua comunidade.

Luta diária

A página Vila Cruzeiro RJ foi criada há dois anos e desde então os moradores acessam diariamente a internet para ter informação sobre segurança, mas também dar e receber ajuda. Dona Cláudia conta que fica até de madrugada dando informes para os trabalhadores que precisam voltar tarde para casa.

“Normalmente fico até as 2h da manhã passando informação. Quando tem tiroteio ou outro problema, como a falta de luz, vou dormir mais tarde”, afirma  dona Cláudia.

Quando tem conflito na favela da Vila Cruzeiro ela é a primeira fonte dos moradores. Eles entram na página para saber se podem voltar tranquilos para suas casas. “Depois que a página foi criada a incidência de bala perdida diminui muito”, diz a administradora da página comunitária.

Além disso, a comunidade também se organizou através de grupos de Whatsapp. Cinco grupos de 100 pessoas cada passam informações em tempo real para quem está chegando em casa em dias de conflito na comunidade. E todos eles estão em contato com dona Cláudia, que já é considerada uma líder na Vila Cruzeiro.

Generosidade

A página no Facebook fez tanto sucesso que atualmente funciona como um grande mural de solidariedade. Dona Cláudia conta que recentemente uma moradora da Vila Cruzeiro pediu ajuda para o filho, uma criança de 11 anos, que necessitava de tratamento psicológico urgente. “Apareceu tanta gente querendo ajudar, que foi algo impressionante”, diz dona Cláudia.

Outra moradora, mãe de uma criança de 10 anos, portadora de deficiência física, estava precisando de um colchão especial, mantimentos, fraldas. “O marido foi embora de casa e ela não podia trabalhar, pois a criança é muito dependente dela. Anunciamos na página e conseguimos tudo o que ela estava precisando”, conta orgulhosa.

Em uma das últimas publicações da página, dona Cláudia pede ajuda para a família de Rafael Braga Vieira. O jovem foi preso durante a jornada de protestos de 2013 portando uma garrafa de desinfetante, acusado de porte de material explosivo. Agora sua mãe e os irmãos estão passando por necessidades e os moradores da Vila Cruzeiro, onde eles moram, pedem doações de alimentos para a família.

Utilidade pública

Na página também são anunciadas oportunidades de emprego, de cursos de formação profissional e estágio para jovens aprendizes e universitários. Assim como iniciativas culturais, como o Teatro na Laje, e festas comunitárias.

Vila Cruzeiro tem história

A favela da Vila Cruzeiro surgiu no século 19 e os primeiros moradores eram escravos fugidos que ficavam no local sob a proteção de um padre abolicionista da Igreja da Penha. Até hoje, as terras onde fica a comunidade são de propriedade da Igreja Católica.

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