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Por Leonardo Cazes de O Globo

A Academia Brasileira de Letras (ABL) vai realizar uma série de conferências marcadas pela diversidade em 2016. Sob a coordenação geral da escritora e acadêmica Ana Maria Machado, os debates (sempre às terças-feiras) vão contemplar temas tão diferentes quanto a espiritualidade, a política e, é claro, a literatura. O primeiro ciclo, “Sociedade e espiritualidade”, começa hoje, às 17h30m, com palestra do rabino e escritor Nilton Bonder intitulada “Judaísmo: a passionalidade ética”. Responsável e idealizador do ciclo de estreia, o jornalista e acadêmico Cícero Sandroni faz questão de destacar que não se trata de proselitismo religioso:

— Não é uma série para catequese, não queremos convencer ninguém. Procuramos, na programação, mostrar como a espiritualidade influencia a sociedade. Nós teremos cinco conferências, cada uma dedicada a uma religião. O Nilton Bonder, por exemplo, vai abordar o que há de ético no judaísmo, uma religião que tem mais de 5 mil anos e continua resistindo e permanecendo.

No dia 8 de março, será a vez de Clodomir Andrade, professor do programa de pós-graduação em Ciência da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), ministrar a palestra “A estética do despertar na tradição budista”. No dia 15, o escritor e frade dominicano Frei Betto vai falar sobre “Cristianismo: uma nova proposta civilizatória” e, no dia 22, o teólogo e também professor da UFJF Faustino Teixeira vai abordar “A dimensão interior do Islã”. Encerrando o ciclo, no dia 29, Muniz Sodré, professor titular da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), vai se debruçar sobre a tradição religiosa africana em “Culto afro: uma filosofia da diáspora”.

O acadêmico lembra que a maioria das religiões tem em livros considerados sagrados os seus pilares. Sandroni pondera, no entanto, que cinco eventos não são suficientes para dar conta da imensidão do tema. Por isso, ele já planeja uma outra série.

— Gostaria de fazer também um ciclo que fosse maior, para poder incluir o hinduísmo, o xintoísmo, o taoísmo e as civilizações pré-colombianas. Mas isso vai ficar para uma próxima vez.

SUGESTÕES DOS ACADÊMICOS

Ana Maria Machado conta que, ao planejar a programação de 2016, pediu sugestões de temas aos colegas, que assumiram a responsabilidade de escalar os convidados. Seu objetivo era que as conferências refletissem a diversidade dos próprios membros da ABL:

— Muitas vezes, a gente gira em torno de determinados temas, vistos de diferentes ângulos. Quis partir da diversidade que temos hoje na academia. É tão interessante quando conversamos nos nossos encontros. Queremos promover debates no sentido de fazer pensar, de despertar o pensamento. As conferências serão um alimento para o pensamento, como dizem os ingleses — conta ela, que já tem fechada a programação até julho.

Em abril, a segunda série de debates do ano terá como tema a identidade em suas múltiplas perspectivas, sob coordenação do professor e acadêmico Eduardo Portella. No mês seguinte, a política e as diferentes formas de governo estarão em discussão. O coordenador será o acadêmico e colunista do GLOBO Merval Pereira. Em junho, o foco será nos romancistas da ABL que escreveram sobre a África: Adonias Filho, Josué Montello, Jorge Amado e Antônio Olinto, com coordenação do escritor e acadêmico Antônio Torres. Em julho, Marco Lucchesi vai comandar as conferências sobre o lugar da música na cultura.

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