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Por O Globo

Numa mesa de dez metros de comprimento, as pessoas leem diante de uma janela com vista para o Pão de Açúcar. São clássicos como “Debret e o Brasil” e “Madame Bovary”. Os títulos em francês fazem parte de um acervo de 20 mil exemplares, entre livros e peças digitais, da biblioteca do consulado da França, no Centro, que passou por uma reforma que durou dois anos. Este mês, o espaço, remodelado com toque de design contemporâneo, foi inaugurado como A Maison.

O local respira silêncio até que as arquitetas Julia Abreu e Ligia Tammela, que assinam o projeto, adentram o salão de 780 metros quadrados e, discretamente, na medida do possível, arrastam uma poltrona para cá, uma luminária para lá. Arrumam tudo milimetricamente.

— Teve um evento aqui ontem, então as coisas estão um pouco fora do lugar — explica Julia, falando bem baixinho.

De início, a dupla foi convocada pelo cônsul, Brice Roquefeuil, com a seguinte proposta: transformar o terraço da midiateca, como antes era chamada a biblioteca, num barzinho. O projeto cresceu. Era impossível separar um espaço do outro.

— Esbarramos em questões de infraestrutura do tipo: “Como chegar ao bar no terraço sem passar pelo hall? E como isolar a biblioteca do bar e não ter barulho?” Por isso, surgiu a ideia de transformar o espaço num centro cultural com um mobiliário atemporal, inspirado no estilo de vida do carioca. Mesclamos referências de bibliotecas francesas com o nosso jeito despojado — resume Julia.

A configuração da biblioteca era outra. Estantes de ferro posicionadas no centro do salão, paredes brancas e luz fria foram substituídos por expositores com rodinhas, um projeto de marcenaria em preto e iluminação indireta.

— Os visitantes precisavam caminhar “labirinticamente” entre as estantes para encontrar os livros. E eles (os franceses) tinham uma forma muito burocrática de organização. Mantivemos as divisões por classificação, mas sugerimos mudanças como destacar livros clássicos em expositores móveis e mudar a forma de apresentação — observa Ligia. — Outra ideia foi trazer a paisagem para dentro do salão.

O mobiliário é uma das sacadas do projeto. No lugar de “cadeiras soltas” entraram sofás desenhados pela dupla, feitos sob medida pela Cortinaria.

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A vista da sala de leitura da Maison de France – Fernando Lemos / Agência O Globo

— Quem quer sentar para estudar vai para o mesão ou para as salas de reunião. Quem quer tomar um café e ler jornal pode se espreguiçar num dos sofás, que têm muitas almofadas — propõe Julia.

O professor de matemática Aftad Pande é um dos visitantes que se acomodaram na tal mesa compartilhada.

— No Rio não tem muitos espaços assim. Além de ser silencioso e confortável, tem uma vista bonita — diz.

O mobiliário é outro detalhe que sobressai. Na parte de dentro, 80% das peças são da Tok&Stok, como mesas de centro, poltronas e luminárias. Já no terraço, que vai abrigar o bar de espumantes Perrier-Jouët, as peças são da Fermob — marca francesa conhecida por suas cadeiras de ferro típicas de bistrô. Destaque também para as cadeiras Charles Eams, na cor castanha, e as poltronas Egg verde-limão.

— Modismo não é a nossa praia. Apostamos em ícones — resume Julia.

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Sala de leitura da Maison de France – Fernando Lemos / Agência O Globo

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