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Foi durante a graduação em Biblioteconomia pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) que o bibliotecário Thiago Cirne teve seu primeiro contato com Obras Raras. Depois de assistir uma aula da disciplina Produção do Registro do Conhecimento resolveu iniciar um artigo que acabou se tornando seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Depois de formado, ingressou como bibliotecário do Centro de Estudos Jurídicos da Procuradoria Geral do Estado do Rio de Janeiro (PGE-RJ) e vem atuando nas áreas de Coleções Bibliográficas Especiais, Acervos de Memória e Fontes de Informação Jurídicas. Ainda como estagiário da Divisão de Obras Raras da Fundação Biblioteca Nacional (FBN), decidiu mapear obras censuradas presentes no acervo da divisão e realizou uma análise sobre a estrutura comum a esses documentos que circulavam nos domínios de Portugal. O resultado deste trabalho ficou guardado por seis anos e depois de um convite da editora NEA, Thiago Cirne decidiu transformar essa experiência em um livro intitulado: “Com todas licenças necessárias: editais de censuras portugueses e a coleção de obras raras da Biblioteca Nacional brasileira”. Em entrevista à Revista Biblioo, Cirne falou da pesquisa que resultou na publicação e destacou a importância do acervo de editais de censura portugueses para conhecer mais a respeito da censura no Brasil.

Você poderia falar um pouco de sua pesquisa que consistiu com a publicação do livro “Com todas as licenças necessárias: editais de censuras portugueses e a coleção de obras raras da Biblioteca Nacional brasileira”?

A pesquisa resulta de duas experiências: a da sala de aula e a do estágio biblioteconômico. Durante uma aula da disciplina Produção do Registro do Conhecimento tratamos de censura. Fiquei impressionado com o tema e resolvi iniciar um artigo que acabou se tornando meu trabalho de conclusão do curso. Eu era estagiário da Divisão de Obras Raras da Fundação Biblioteca Nacional. Posso dizer que estava no lugar certo, na hora certa… Como a Divisão salvaguarda editais dessa natureza, decidimos eleger um e mapear as obras censuradas e, mesmo assim, presentes na biblioteca. Além disso, foi realizada uma análise sobre a estrutura comum a esses documentos que circulavam nos domínios de Portugal. Sempre tive a sensação de que deveria divulgar esse trabalho, pois ele ficou guardado por seis anos. Há poucos meses surgiu o convite para transformá-lo em livro, por uma editora especializada na publicação de trabalhos acadêmicos. Espero que seja uma motivação às futuras investigações sobre o tema.

Como você avalia a importância do acervo de editais de censura portugueses para conhecer mais a respeito da censura no Brasil?

Creio que a importância deste tipo de documento esteja em fornecer subsídios para a rememoração de todo um conjunto de narrativas. Imagine o que é ter páginas de seu livro rasuradas pelo censor? E isso podemos ver em grande quantidade no acervo da Divisão de Obras Raras. A subtração textual era praticada com frequência e certamente atormentava a mente dos escritores. Uma ilustração interpretada como “negativa aos bons costumes” era suficiente para que a obra fosse arrolada em editais. Havia um conflito explícito, mas também interno, na mente de quem produzia. Se você me pergunta sobre o Brasil… Penso que esse embate psicológico pode atrofiar a produção artística, literária, jornalística. Veja a questão da liberdade de imprensa durante o regime militar. Podemos pensar em muitos desdobramentos.

3) Qual a importância da Análise Bibliológica para a Biblioteconomia e para a sua pesquisa?

A análise bibliológica é um diálogo quase silencioso e investigativo entre o bibliotecário e o livro. Um exemplar pode falar materialmente. O bibliotecário escuta e reproduz a partir de uma terminologia consolidada. Em muitos casos, o livro pode representar um fragmento histórico. A análise bibliológica é o exame material que pode constatar que o exemplar que se tem em mãos é um desses fragmentos. Em síntese: analisar uma obra sob o ponto de vista bibliológico é buscar seu entendimento material a partir das marcas e vestígios impostos pelo tempo e pelos acontecimentos.

4) Para quem quiser adquirir o livro, onde ele está sendo comercializado?

O livro já está disponível no site da editora NEA e em outras lojas virtuais.

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