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Por Rodrigo Bertolucci de O Globo

Carlos dos Santos, de 77 anos, começou a se tornar um colecionador há quase 50 anos. Apaixonado pela cidade, principalmente pela Tijuca, bairro onde nasceu e reside até hoje, Santos leu um anúncio informando que, no dia 1º de março de 1965, haveria a distribuição de livros de bolso em homenagem ao IV Centenário do Rio. Os exemplares, intitulados “Aspectos da história do Rio de Janeiro”, foram jogados de um avião, nas proximidades dos Arcos da Lapa, e encantaram o tijucano, que tomou, ali, gosto por colecionar documentos sobre a fundação do Rio, que festejará 450 anos em 2015.

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Eu vi o anúncio e fui. Os folhetins foram distribuídos como uma chuva de livros. Cada unidade foi jogada com um miniparaquedas, para descer de forma lenta e chamar a atenção da população — lembra Santos, que conseguiu pegar três exemplares, guardados até hoje.

Quem entra em sua biblioteca, um cômodo de 25 metros quadrados em sua casa, se surpreende com tantos artigos e objetos antigos. Logo ele exibe uma revista “O Cruzeiro”, edição especial do IV Centenário, instalada numa prateleira entre uma máquina fotográfica Kodak, de 1930, e uma miniatura de um Ford da década de 1920. Santos também tem a edição especial da revista “Manchete”, além de matérias publicadas no GLOBO e em outros jornais cariocas:

Não sou historiador. Sou pesquisador e memorialista. Minha intenção é conservar a história do Rio e, principalmente, da Tijuca, o berço da nobreza.

Carlos dos Santos destaca que o bairro é o único do Rio que possui hino e brasão e enfatiza que na Rua Conde de Bonfim concentram-se 42 agências bancárias, reflexo do potencial financeiro da região.

Sempre guardo documentos relacionados ao meu bairro, ao Centro e à Zona Sul. Quando me visitam meus amigos não querem ir embora — brinca Santos, entusiasmado com a coleção de relógios de bolso. Ao todo, são cem aparelhos em pleno funcionamento: basta dar corda.

Entre livros, miniaturas de carros, máquinas fotográficas e filmes, além de pedras preciosas, Carlos tem entre suas relíquias imagens da esposa, do filho e de dois netos. No ambiente, para ele especial, há frases nas estantes de incentivo à leitura, como “O país é feito de homens e livros” ou “Quem não lê mal ouve, mal fala e mal vê”.

Apesar de não saber informar quantos objetos têm em sua biblioteca, ele garante que toda semana cada peça é limpa cuidadosamente. Mas esse trabalho, que para ele é o mais difícil, é feito por sua esposa.

São muitos detalhes e precisam ser limpos de forma minuciosa. E é aí que minha mulher, que sempre me incentivou, me ajuda na coleção. Não conseguiria juntar tantas coisas sem o apoio dela. – diz o tijucano, que cuida com prazer de toda a coleção.

Carlos dos Santos diz que, com as comemorações, espera que o carioca passe a olhar a cidade com mais carinho. E garante que também vai guardar todas as lembranças dos 450 anos.

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