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Começou ontem (12) e vai até o dia 30 de abril, o ciclo de teatro, filmes e debates “Ditadura em cena”, nas Bibliotecas-Parque Estadual do Rio de Janeiro, Manguinhos, Rocinha e no Museu do Ingá. O evento tem entrada franca e busca resgatar momentos do período da Ditadura Civil-Militar no Brasil através de nove encontros com apresentações teatrais, exibição de filmes e debates. Realizado pela Superintendência de Leitura e do Conhecimento do Rio de Janeiro, o Ditadura em cena tem como objetivo principal trazer à tona um tema do período de exceção de nossa história e compreendê-lo a partir de uma perspectiva crítica.  Para saber mais a respeito desta iniciativa, a Revista Biblioo conversou com Vera Schroeder, Superintendente da Leitura e do Conhecimento da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro.

Como surgiu a ideia de criação do ciclo “Ditadura em cena”?
Este projeto foi concebido pela Superintendência da Leitura e do Conhecimento [da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro], com conversas informais com as Superintendências de Museus e Audiovisual, além do Instituto de Desenvolvimento e Gestão – IDG, responsável pela gestão das Bibliotecas-Parque.

Qual o objetivo principal ou o que se pretende atingir com este ciclo?
O objetivo principal deste ciclo é trazer à luz um importante tema relacionado ao período de exceção na nossa história recente. Para que se possa pensar – e mesmo aprimorar – instrumentos que garantam o Estado de direito, é imprescindível que se possa ler este passado, compreendê-lo e, numa perspectiva crítica, construir o futuro. E nesse sentido, as políticas públicas de livro e leitura podem e devem contribuir muito neste processo.

Como a Superintendência da Leitura e do Conhecimento avalia a importância de discutir o tema Ditadura na situação política atual do Brasil?
Vivemos um período político bastante complexo e delicado. Mesmo que essa crise traga aspectos negativos, talvez o aspecto positivo seja justamente colocar a política – e aqui me refiro ao seu conceito clássico e não à ideia de política partidária – na pauta do dia, trazendo novamente a importância desta palavra.

Na sua opinião qual o papel das instituições culturais como bibliotecas, arquivos e museus no que diz respeito a um tema ainda obscuro da história brasileira?
A cultura, compreendida através da sua dimensão antropológica, inevitavelmente será atravessada pela política. Nesse sentido, todos os espaços culturais desenvolvem um papel fundamental na leitura crítica do Estado. Mas talvez as Bibliotecas sejam o espaço por excelência para lidar com um conhecimento que promova a construção de sujeitos cada vez mais críticos e livres.

A Superintendência da Leitura e do Conhecimento já pensou ou tem o interesse de realizar este evento em outros anos ou ampliar este ciclo no futuro?
Sim, penso que ciclos como este podem e devem ser experimentados novamente e, sempre que possível, levados o interior do estado.

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