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Não há mais tempo para o lúdico, não, não há. Já não há ruas pra eu correr e eu quero gritar, quero olhar as caras de sol nas bancas de revista, caminhar contra o vento e sorrir e beber uma coca-cola. Uma canção me consola.

Eles estão reprimindo tudo, nos colocando num paredão, nos agride e nos fere, é ditadura! É ditadura meu amor!

E não há paz, não há sossego, não se pode pensar em outra coisa quando se está sensurado. Meu grito ecoa na madrugada, é um grito de socorro, umgrito por amor, um grito de silêncio, mas ninguém pode me ouvir. Ninguém pode. Nem mesmo você…

Cada vez me firo mais, faço revolução, mas não adianta muita coisa, são dias reprimidos e eu me sinto perdido no meio dessa multidão de perdidos em meio à solidão. Aí eu lembro, só queria poder viver, viver com você, fugir, pra não sei onde. Mas não posso. Desculpe, mas não posso. Então choro sem que você veja, não quero parecer fraco, tenho que ser forte e superar essa dor que carregarei comigo por muito tempo, talvez por toda vida.

E não sei se me perdoarei um dia, por me afastar assim, entretanto, saiba que eu te amo e é só isso que posso te dizer. É só isso que eu quero que você saiba.

E ainda que sendo torturado, saiba, não vou dizer nada. Nossos planos, não vou dizer. Vou guardá-los comigo e não vai estar em manchetes de jornal. Ah, não! Somente nós dois sabemos, temos um ideal, uma química, somente nós dois sabemos…

Mas é ditadura minha Rosa. É ditadura dentro e fora de mim e eu não sei conviver com isso. Confesso, preciso aprender. Cada dia, tento, tento, entretanto, o exílio talvez seja ainda o melhor pra mim que não posso te esquecer, pois estou preso nessa ditadura de te querer…

Meus pensamentos estão perdidos e me caçam, meu coração está rebelde e quer revolução. O que faço então? Estou confuso. Procuro nesses becos as respostas de mim, fujo, mas há uma grande tensão, há perigos na esquina e o sinal está fechado, há perigos e armadilhas em mim.

Entretanto, saiba, que quando tudo isso passar, quando a censura acabar e àquela música no rádio tocar e te lembrar, e os jornais publicarem o amor de novo, saiba, eu vou está aqui, vou estar perto. Vou poder dizer o quanto quero você, o quanto quero nossos sonhos outra vez viver.

Mas enquanto isso estou refugiado dessa ditadura do coração, que me feriu e me tornou grande ferida aberta. Mas sigo meu caminho esperando que um dia melhor amanheça. Pois nós revolucionários, não podemos perder as esperanças.

Devemos seguir acreditando nos nossos sonhos, pois eles são quem nos move por esta grande confusão. Pois eles são como deuses, quando paramos de acreditar, eles param de existir.

Mas espere um pouco e não desista de mim, fique atenta que quando Chico tocar, poderemos voltar, quando Chico tocar poderemos nos amar e desamar, poderemos gritar, se perder, se entregar, se apaixonar outra vez. Mas ouça amor, é só quando Chico tocar Olê, olê, olá, na rádio de novo…

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