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Dir-se-ia uma festa aqui dentro. É uma festa viva e alegre e há lágrimas que cantam nos olhos. É possível ouvir valsas de Strauss e também Romana e noites da China saindo pelas portas e janelas enquanto que tu não chegas. E jorra água em toda parte, dentro e fora… E no coração, o que é cômico, também é romance sublime…

Um livro. Um filme. À noite. A voz que aqui fala não é aquela, escrita, do livro. Voz cega. Sem rosto. Numa poesia. Tão jovem. Silenciosa. Que venera por conquistar-te. Apenas isto. Conquistar-te.

Uma rua reta. Iluminada por lampiões de gás e recobertas de pedra. Parece antiga. De cada lado dessa rua, há um silêncio à espreita. E cobrem o meio-fio com as folhas verdes despidas por causa do inverno. Por causa de alguma coisa. Não sei bem o quê.

A noite tem cheiro de jasmim. Misturado ao cheiro insípido e suave do rio, confunde meu olfato. É o seu perfume. Sei. Logo, passeias por aqui. Sinto a sua presença…

Alguém anda à nossa frente. Não é quem está falando. É uma moça bem jovem. Bela ou mesmo como o próprio jasmim. Parece ser isso. Parece ser você. Acho que é você…

Seu caminhar é flexível e tem os pés nus. E me encanta. Com um sorriso que não esqueço. E é como um desenho na minha mente. Feito uma tela de Monet.

Um disco, sem dúvidas esquecido, rodando no parque deserto. Posso vê-la escutando. E escuta. Aquela canção. A de um livro, não se sabe mais qual. Então virou a cabeça na direção da música e fechou os olhos. Como se eu fosse beijá-la. De repente. O olhar cego está fixo. O disco acaba. Há um silêncio como se fosse o sono e é o começo da história. Você ainda não sabe disso. Até que, de repente, diante de ti, na outra calçada, à sua esquerda, está a história…

Podemos ver o céu. De uma ponta à outra da terra. É uma laca azul pontilhada de brilhos. Como nos teus olhos são. Podemos ver as duas crianças que olham juntas para este mesmo céu. Depois revemos o céu crivado de brilhos. São os teus olhos. Pois olhá-los, é como olhar a via- láctea. Uma boreal. Enfim, uma porta. Abro-lhe esta porta…

Está escuro. É inesperado, modesto. Banal. Não há móveis. Veja! É nada. E é apenas a partir da suavidade de seus olhares que o medo é trangredido. Você se esconde atrás da cortina. Talvez, eu tenha começado a me apaixonar por você. Você não escuta. Vai até a porta. Olha. A porta está entreaberta. Olha mais. E…

Sente subitamente o que eu disse como uma esperança no coração. Tomara que nos tenhamos enganado. Tomara que seja verdade. Que nunca sabemos, que nunca sabemos nada, que nunca sabemos tudo, nunca, todos dizem isso. Não é isso…

A luz que entra pelo salão, ainda é aquela, reverberada, das tochas. E o rio escuro, bem próximo, sua superfície. Sua pele. Na nudez de uma noite clara. Noite relativa. Que te leva sob o dia. Que me faz esperar-te em saudade. A manhã. Sob a chuva. A chuva que cessa e sai do céu.  Que deixa a lama. O dia que apaga o brilho do céu. Se você não vier. Será um dia de outro azul que morre. Sobre o rio. Sem direção. E que deságua no seu mar. E deixa recados…

Em garrafas com mensagens que me fazem seu menestrel mudo. Ditas que me apaixono por ti, todos os finais de tardes. E perceberás que em pássaros migratórios, canções vietnamitas seriam cantadas pra você. Várias vezes. Uma por uma. Por milhares de dias. Pra que se possa memorizá-las, lembrar de mim. Não seriam traduzidas. Nem mesmo um único canto. Você entende.  Eu sei que sim. Entende.

Então digo. Mais uma vez. Digo. Apago a luz. E recito o fim da frase como faria com um poema. Mas apenas quando o poema se chamasse você…

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