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O bibliotecário, professor e editor Antonio Agenor Briquet de Lemos anunciou o encerramento das atividades de sua editora, a Briquet de Lemos, para a próxima segunda-feira, dia 2. Além da editora, Briquet também vai fechar a sua livraria especializada em arte, localizada em Brasília.

Fundada em 1993, a Briquet de Lemos editou dezenas de títulos, a maioria absoluta nas áreas de biblioteconomia e ciência da informação. Dentre os títulos mais importantes da editora estão “As cinco leis da biblioteconomia”, de Shiyali Ramamrita Ranganathan e “Indexação e resumos: teoria e prática”, de Frederick Wilfrid.

Recentemente Briquel publicou um livro de sua própria autoria. “De bibliotecas e biblioteconomias: percursos” mostra em 28 capítulos a evolução das bibliotecas e da biblioteconomia brasileira ao longo desses 46 anos, destacando avanços e retrocessos da área.

“Para as grandes editoras o mercado nunca esteve tão bom. Para fazer os livros que você encontra por aí, realmente o mercado está forte e vende-se muito e publica-se muito. O grande problema é em relação ao amanhã o que vai acontecer com os livros científicos e técnicos, aí é que a coisa vai complicar”, disse Briquet em entrevista à Biblioo em 2013.

“A Briquet de Lemos certamente foi (e continua sendo) o empreendimento editorial mais importante da biblioteconomia brasileira. Marcou época e fez história. O fim da editora significa um baque na área, pois não existem iniciativas parecidas, o que pode fazer com que a biblioteconomia seja uma área sem uma produção editorial consistente”, lamentou o editor-chefe da Biblioo, Chico de Paula.

O editor e o livreiro

Antonio Agenor Briquet de Lemos, ou simplesmente Briquet de Lemos, nasceu no Piauí, praticamente dentro da tipografia do pai. Cresceu e amadureceu no Rio de janeiro, estudando sobre e trabalhando em bibliotecas. No auge da vida, estabeleceu-se em Brasília onde se tornou livreiro e editor, fundando sua livraria e sua editora.

O pai, Antonio Lemos, foi jornalista e tipógrafo em Teresina (PI). Caçula de 12 filhos, Briquet passou a infância acompanhando o processo de feitura de livros no estabelecimento do pai. O fascínio pelo livro nasceu aí. Aos 11 anos, acompanhou a família na mudança para o Rio de janeiro.

Aos 15, ainda no ginásio, começou a sua ligação com bibliotecas, ao virar office boy da biblioteca do Hospital dos Servidores do Estado. Enquanto trabalhava, fez o ensino médio (então 2º Ciclo) o tradicional colégio Dom Pedro II. Na hora de escolher o curso universitário que faria, optou por biblioteconomia, cursado na Biblioteca Nacional (atualmente Escola de Biblioteconomia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO).

Ainda jovem Briquet fez carreira como bibliotecário e professor – com um breve período como jornalista do Jornal do Brasil. Depois de especializar-se na Inglaterra e nos Estados Unidos, acabou convidado para assumir como professor na então recém-criada UnB. Mudou-se para Brasília em 1968.

A Briquet de Lemos Livraria e Art ocupa duas lojas no Setor de Rádio e Televisão Sul, de Brasília. Foto: Soraia Magalhães / BSF

Anos depois, não bastasse a cátedra na faculdade de biblioteconomia, foi convidado a ser diretor da Editora da Universidade, onde ficou de 1989 a 1992. Amadurecia então uma ideia que o acompanhava desde o Rio de Janeiro: a abertura de uma editora própria.

Decidiu partir para a nova empreitada em 1993, assim que se aposentou na UnB. Com a mulher, Lúcia, também formada em biblioteconomia e ex-diretora da Biblioteca do Senado, fundou a tão sonhada editora em uma sala no oitavo andar do Embassy Tower, edifício no SRTS.

“Como professor, tinha sofrido na pele a carência enorme de bibliografia em português na área a que dediquei a minha vida. Então, decidi que faria meu caminho por aí”, contou Briquet certa feita.

Pouco tempo depois Briquet e Lúcia começaram a amadurecer a ideia de abrir uma livraria. Optaram pela área de arte e se concentraram nesse foco. No início, o acervo era minúsculo, coisa de apenas uma estante. Mas como fazer  com que as pessoas achassem aquela loja no alto de um edifício? Em 1995, junto com o amigo Joaquim Barroncas, dividiram um estande na Feira do Livro de Brasília e distribuíram folhetos sobre a loja, fazendo com que o negócio engatasse.

A livraria e a editora de Briquet se tornariam referência não só em Brasília, mas também no restante do país. Agora com o anúncio do encerramento das suas atividades, uma lacuna se abre nas áreas de biblioteconomia e ciência da informação e também nas artes.

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