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Não é por acaso que os bibliotecários têm se engajado cada vez mais no debate acerca do uso das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs). As bibliotecas talvez sejam hoje os instrumentos culturais e de pesquisa que mais fazem uso destes aparatos e os seus profissionais precisam se preparar para não correrem o risco de ficarem obsoletos ou verem sua profissão sucumbir frente à nova realidade. Por outro lado, muitos bibliotecários precisam superar a desconfiança destes dispositivos e de outro conter o entusiasmo por algo que muitos julgam ser a salvação do mundo. O debate está aberto e os bibliotecários brasileiros já começam a se inserir nele. Um exemplo é o Bibliotic, reunião de bibliotecas em Tecnologia da Informação e Comunicação, realizada no último mês de agosto em Bogotá, na Colômbia, país que espelhou para o Brasil a experiência das bibliotecas parque. Dentre os participantes estava a bibliotecária da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Cláudia Regina dos Anjos, que compartilha sua experiência nesta entrevista.

Você participou recentemente do Bibliotic, que é a reunião de bibliotecas em Tecnologia da Informação e Comunicação, que ocorre anualmente na Colômbia desde 2009. Como foi esta experiência?

Biblioteca General Alfonso Borrero Cabal Bogotá Colombia
Biblioteca General Alfonso Borrero Cabal (Bogotá, Colômbia). Foto: Cláudia Regina dos Anjos / Arquivo pessoal

Ir ao evento em Bogotá foi um grande aprendizado profissional e pessoal. Confesso que quando submeti os trabalhos não tinha clareza da amplitude do evento. O Bibliotic tem como meta proporcionar o compartilhamento de experiências no uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) e a edição de 2014 abordou questões relacionadas às bibliotecas públicas, novos recursos para aprendizagem e investigação, repositórios institucionais entre outros temas. Ter tido a oportunidade de compartilhar experiências e assistir a apresentação dos nossos colegas latino-americanos foi muito edificante. No evento, fomos tratados como convidados especiais, pois desde o primeiro dia, entre uma apresentação e outra, o mestre de cerimônia anunciava “nossos amigos do Brasil”, lembrava o dia em que o relato das nossas experiências seria apresentado e convidava todos para nossa apresentação. Digo nossa,porque estava acompanhada dos bibliotecários Elisete Melo (JPTE Engenharia) e Robson Martins (UERJ), ambos colegas do mestrado e co-autores de um dos trabalhos apresentados. O outro trabalho foi escrito em parceria com meus colegas da UFRJ, Kátia Marina e Gilberto Martins. Aproveito para informar que todos os trabalhos apresentados no evento estão disponíveis no repositório Bibliotic e aproveito para recomendar a leitura dos trabalhos da edição de 2014, pois o evento teve muitos trabalhos interessantes. Bom, minha viagem me proporcionou também visitar duas bibliotecas de Bogotá: a Biblioteca da Pontifícia Universidade Javeriana – General Alfonso Borrero Cabal – e a Biblioteca Pública Luis Angel Arango e algumas coisas me chamaram atenção: a Javeriana define a biblioteca como Centro Universitário de Recursos para Investigação e Aprendizagem. Lá não há preconceito com relação aos suportes informacionais, pois seu acervo é formado por livros, periódicos, gravações de som, áudio-livro, slides, filmes comerciais etc.. Há disponibilidade de alta tecnologia tanto para os profissionais, como para os usuários e é perceptível a grande preocupação da biblioteca com o conforto e utilização do seu espaço físico. Os edifícios são bem estruturados, pois a premissa deles é tornar o ambiente da biblioteca convidativo e dinâmico em todos os sentidos da palavra e assim, fornecem aos usuários todas as condições necessárias para que eles usufruam do espaço e ali permaneçam o maior tempo possível, pois o prédio da biblioteca conta inclusive com um terraço onde tem cafeteria e área aberta reservada para fumantes. Já na Biblioteca Pública Luis Angel Arango é nítida a percepção do interesse do governo com a situação das bibliotecas do país. Evidenciado pelo edifício bem estruturado, pelos profissionais no atendimento aos usuários, pela alta tecnologia presente, a biblioteca possui equipamentos de microfilmagem e computadores, assim o usuário pode utilizar o equipamento que mais se identifique. O que me faz pensar que talvez por isso eles não tenham a necessidade de se preocupar com esvaziamento das bibliotecas, pois o que vi, em ambas as instituições, foram bibliotecas com as dependências repletas de usuários.

Biblioteca Pública Luis Angel Arango (Bogotá, Colombia). Foto: Cláudia Regina dos Anjos / Arquivo pessoal
Biblioteca Pública Luis Angel Arango (Bogotá, Colombia). Foto: Cláudia Regina dos Anjos / Arquivo pessoal

Foi possível conversar com profissionais de outros países? O que eles dizem sobre o cenário da TIC em suas respectivas localidades?

Sim, apesar da barreira linguística, pois além dos colombianos estavam presentes no evento profissionais do México, do Peru, da Argentina entre outros. Conversei com alguns profissionais colombianos e percebi que eles estão cientes que a Biblioteconomia está vivendo um momento de transição causado pelas TICs e por isso têm grande interesse no que acontece no Brasil, principalmente nas nossas experiências profissionais com relação ao uso das TICs e nas novas possibilidades para nossa atuação provocadas pela incorporação destas tecnologias no ambiente biblioteconômico. Além de estarem abertos a estabelecer parcerias conosco. Digo isso, porque ao final do dia de nossa apresentação, fomos convidados pelos organizadores do evento a participar de uma reunião com pesquisadores e profissionais de vários seguimentos. O objetivo da reunião era a apresentação de uma proposta de estruturação de uma rede de investigação a nível nacional (Colômbia) e internacional com foco nas TICs e a proposta foi amplamente evidenciada.

Qual é o papel do bibliotecário e dos demais profissionais da informação neste cenário?

Hoje acho extremamente necessário que nós, bibliotecários, acompanhemos esse visível momento de transição da nossa área de atuação mais de perto, que busquemos incessantemente por boas práticas e repliquemos as experiências de sucesso independente de suas origens, sejam elas nacionais ou internacionais eque criemos instrumentos para que nossas bibliotecas se façam presente tanto no mundo físico quanto no mundo virtual (ciberespaço). Somente com essas posturas é que conseguiremos atender adequadamente nossos usuários.

Veja mais fotos das bibliotecas:

Biblioteca Pública Luis Angel Arango (Bogotá, Colômbia).

Biblioteca General Alfonso Borrero Cabal (Bogotá, Colombia).

 

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2 Comentários

  1. Alexandre Almeida
    14 de outubro de 2014 a 15:19 —

    Gostei da entrevista com a bibliotecária Cláudia Regina dos Anjos, parabéns à Revista Biblioo.

  2. Rosângela
    16 de outubro de 2014 a 9:13 —

    Parabéns à nossa colega pela postura empreendedora na sua área de atuação!

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