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Acervo da Biblioteca Pública do Estado da Bahia. Foto: Mateus Pereira/Secom
Acervo da Biblioteca Pública do Estado da Bahia. Foto: Mateus Pereira/Secom

Por Matheus Fortes, da Tribuna da Bahia.

O Dia Internacional do Livro será celebrado no próximo dia 23, mas o espaço público conhecido por agregar uma grande quantidade desse objeto de conhecimento, não está podendo comemorar da forma como queria, pois, com cada vez menos frequentadores, tem convivido com prateleiras quase intocadas, salas de leitura vazias, e até mesmo o fechamento destes locais – seja para reforma, seja por não conseguir manter o espaço aberto sem público. Assim, para sobreviver ao presente cenário, chegou a hora desses locais aderirem às novas atividades, sem perder a identidade. E investir em tecnologia digital.

Conhecida pelo peso fundamental na educação, as bibliotecas públicas têm mudado bastante seu foco de trabalho na última década. Com o advento das novas tecnologias – destacando a revolução da internet -, esses espaços de leitura e pesquisa vieram perdendo considerável parte do público para os buscadores online. Fator que serviu para que os educadores e bibliotecários repensassem o equipamento que têm em mãos para convergir novamente o leitor, ao melhor lugar para essa ocupação.

Dificuldades

O afastamento do público tem contribuído para que espaços tenham ficado cada vez menores e mais simples, enquanto outros precisam ser fechados para reforma, como é o caso da Biblioteca Municipal Denise Tavares, [no bairro da Liberdade, Salvador, Bahia]. Moradores do bairro como Aida Queiróz explicam que o espaço foi interditado há aproximadamente quatro meses por estar com infiltrações. “Em tempos de chuva, esse lugar alagava todo”, explicou ela.

Já Edilene Pinheiro, que trabalha em uma escola integral próxima do local, também lamenta que a situação tenha chegado a este ponto. “Estou torcendo para que essa reforma fique pronta logo, pois as crianças poderiam fazer uso do local”, explica. Ela lembra que, numa atividade, os alunos da escolinha já visitaram a biblioteca para ver fotos antigas da cidade.

A Secretaria Municipal da Educação [do Estado da Bahia] (SMED) informou, através de nota, que a Biblioteca Municipal Denise Tavares, localizada na Liberdade, funciona dentro da Escola Municipal Giselia Palma, que está em reforma. A previsão de entrega das novas instalações é 30 de abril.

Enquanto isso, a Biblioteca Infantil Monteiro Lobato, em Nazaré, [também na Bahia], já vive outra realidade. Revistas infantis e histórias em quadrinhos juntam-se às enciclopédias e almanaques em um acervo com mais de 25 mil obras disponibilizados para a criançada que ainda conta com um infocentro, para navegar também no mundo digital. É nela que os frequentadores podem encontrar a obra completa de Monteiro Lobato. Aos sábados e domingos, o espaço ainda reúne saraus, grafites e teatro.

Mas ainda assim, existem os problemas na sua área externa. Transeuntes da Praça Almeida Couto, onde fica o centro cultural, confirmam que a circulação de moradores de rua e usuários de drogas no entorno da biblioteca, contribui para afastar os jovens leitores, devido a preocupação dos pais com a criança.

Mudança de local

O caso da Biblioteca Anísio Teixeira é curioso, pois, além de menos frequentadores, o lugar teve que adaptar-se a um novo ambiente. Sediado originalmente na Avenida Sete de Setembro, na região central da capital, a biblioteca foi transferida há quase um ano para a Rua Frei Vicente, no Pelourinho, em uma via que liga o Centro Histórico à Baixa dos Sapateiros, ficando assim, “escondido”, do grande público. A climatização do imóvel antigo é feita por ventiladores, e as salas de leitura agora dividem espaço com as prateleiras de livros. De acordo com a diretora Laura Galvão, o ambiente atual é provisório, enquanto o antigo prédio sede passa por uma reforma.

Porém, a mudança de local permitiu a incorporação de novos programas de biblioteca, e hoje, o lugar é uma referência no atendimento aos deficientes auditivos, com a oferta de cursos de Libras que ocorrem semestralmente na unidade, além do projeto Banco de Livros, no qual o usuário pode trocar um livro seu por outro presente no espaço. O centro de leitura, que possui um modesto acervo de 10 mil exemplares, também tem feito parceiras com o Projeto Axé, como forma de fomentar a educação dos jovens através da cultura, e da promoção de palestras, oficinas, exposições e da exibição de vídeos.

Caminho alternativo

Por outro lado, os espaços mais antigos e cultuados perduram a fama. Com mais de 200 anos de fundação, a Biblioteca Pública do Estado da Bahia (mais conhecida como a Biblioteca Central), que fica nos Barris, foi a que menos sofreu com a mudança de perfil do leitor.

De acordo com a diretora da unidade, Ivana Lins, os pesquisadores tradicionais e os chamados “concurseiros” continuam a frequentar o espaço, que conta com uma boa infraestrutura de estudo, catalogação de obras, internet wi-fi, além de um acervo variado que conta com mais de 600 mil exemplares, sendo 150 mil livros, e diversos setores como o Braille, infanto-juvenil, obras raras, documentação baiana, jornais, etc.

Mesmo assim, as ações  culturais envolvendo a realização de cursos, seminários, palestras, contação de histórias – além de apresentações de cunho musical e teatral no quadrilátero da biblioteca – preenchem uma agenda vasta de atividades incorporadas pela biblioteca. A necessidade é para enfatizar a literatura por outras vias. “Não é fácil adaptar-se a essa nova realidade tendo que administrar um orçamento limitado para todas essas atividades. Mas temos tido um retorno fascinante, no sentido de tentar mostrar a importância dos livros e da biblioteca para a sociedade usando outros caminhos para isso”, explica a diretora.

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