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O Grupo de Bibliotecári@s Negr@s, um coletivo de profissionais da área formado em 2018, publicou uma nota em que repudia o que chamam de “ações de violência contra a população negra brasileira, sua história e cultura promovidas pelo governo de Jair Bolsonaro”.

Dentre as ações criticadas pelo grupo está a nomeação de Sérgio Nascimento para presidir a Fundação Cultural Palmares.

Em uma publicação feita em rede social antes de ser nomeado para o cargo, Nascimento classificou o racismo no Brasil como “nutella”. “Racismo real existe nos Estados Unidos. A negrada daqui reclama porque é imbecil e desinformada pela esquerda”.

Sobre o Dia da Consciência Negra, Nascimento afirmou que o “feriado precisa ser abolido nacionalmente por decreto presidencial”.

Ele disse ainda que a data “causa incalculáveis perdas à economia do país, em nome de um falso herói dos negros (Zumbi dos Palmares, que escravizava negros) e de uma agenda política que alimenta o revanchismo histórico e doutrina o negro no vitimismo”.

As afirmações de Nascimento vão de encontro a um dos objetivos da instituição que é de “promover a preservação dos valores culturais, sociais e econômicos decorrentes da influência negra na formação da sociedade brasileira”.

“[Fundação Cultural Palmares] é uma instituição que não corrobora com discursos que negam a existência do racismo no Brasil, que reconhece o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro e, ainda apoia a luta dos Movimentos Negros. Dessa maneira, não é aceitável que deixemos a Fundação Cultural Palmares ser gerenciada por alguém que não acredita na real função e objetivo da instituição”, diz a nota do Grupo.

A Fundação Cultural Palmares é uma entidade pública, instituída pela Lei nº 7.669 de 22 de agosto de 1988, atualmente vinculada ao Ministério da Cidadania. Ela atua na promoção e preservação da cultura negra brasileira.

A instituição está dividida em três áreas de atuação: 1) Departamento de Fomento e Promoção da Cultura Afro-Brasileira (DEP); 2) Departamento de Proteção ao Patrimônio Afro-Brasileiro (DPA) e 3) Centro Nacional de Informação e Referência da Cultura Negra.

A instituição conta ainda com a Biblioteca Oliveira Silveira, reinaugurada em 2014 em Brasília (DF), que conta com um acervo com cerca de 16 mil documentos, entre livros, periódicos e obras de arte.

As outras funções da instituição são as de promover e apoiar eventos relacionados com os seus objetivos, inclusive visando à interação cultural, social, econômica e política do negro no contexto social do país, bem como promover estudos e eventos relativos à história e à cultura dos povos negros.

Afastamento

Conforme noticiado pelo G1, o juiz Emanuel José Matias Guerra, da Justiça Federal do Ceará, aceitou um pedido de ação popular e determinou a suspensão da nomeação de Sérgio Nascimento de Camargo como presidente da Fundação Palmares.

A decisão suspende o ato do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, publicado no Diário Oficial da União em 27 de de novembro. A Fundação Palmares integra a Secretaria Especial da Cultura, o antigo Ministério da Cultura, e tem por objetivo promover políticas públicas em defesa da população negra.

Para o juiz da 18ª Vara Federal, no interior do Ceará, há “diversas publicações” feitas por Sérgio Nascimento que têm o “condão de ofender justamente o público que deve ser protegido pela Fundação Palmares”.

Grupo de Bibliotecári@s Negr@s

Sobre o Grupo de Bibliotecári@s Negr@s, a bibliotecária Franciéle Garcês explica que o coletivo nasceu em 2018 a partir da mobilização dos autores do livro “Bibliotecári@s negr@s: ação, pesquisa e atuação política”. A partir dai houve uma multiplicação da rede, que passou a articular suas produções, discutindo questões que os incomodava, principalmente o racismo.

Uma das ações realizadas pelo grupo foi “I Encontro Nacional de Bibliotecárias/os Negras/os e Antirracistas”, realizado em julho deste ano na Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), que discutiu “O protagonismo de bibliotecárias/os negras/os na Biblioteconomia e Ciência da Informação”.

“O que a gente quer demonstrar, enquanto coletivo, é a nossa existência e a nossa resistência. Vários de nós fazem parte do meio acadêmico, outros estão na atuação profissional”, explica Franciéle.

“A grande maioria não trabalha necessariamente com a temática negra ou discute questões étnico-raciais, mas nós estamos nos espaços de promoção do conhecimento, de divulgação e também de articulação de ações, pensando não só as questões étnico-raciais dentro da biblioteca, mas de todos os espaços”, diz a bibliotecária.

Abaixo a íntegra da noda do Grupo:

O Grupo de bibliotecári@s negr@s vem a público manifestar repúdio as ações de violência contra a população negra brasileira, sua história e cultura promovidas pelo governo de Jair Bolsonaro. Repudiamos também a forma arbitrária de nomeação em cargos públicos, como do atual presidente da Fundação Cultural Palmares.

A Fundação Cultural Palmares é uma entidade pública, instituída pela Lei Federal nº 7.669 de 22 de agosto de 1988, atualmente vinculada ao Ministério da Cidadania. Atua na promoção e preservação da cultura negra brasileira. A Fundação é dividida em três áreas de atuação:

  • Departamento de Fomento e Promoção da Cultura Afro-Brasileira (DEP);

  • Departamento de Proteção ao Patrimônio Afro-Brasileiro (DPA);

  • Centro Nacional de Informação e Referência da Cultura Negra, responsável pela biblioteca Oliveira da Silveira (CNIRC).

O CNIRC possui um acervo com cerca de 16 mil documentos entre livros, periódicos, fotografias, quadros, filmes, documentários, organizados na Biblioteca Oliveira Silveira.

Ou seja, é uma instituição que não corrobora com discursos que negam a existência do racismo no Brasil, que reconhece o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro e, ainda apoia a luta dos Movimentos Negros.

Dessa maneira, não é aceitável que deixemos a Fundação Cultural Palmares ser gerenciada por alguém que não acredita na real função e objetivo da institui

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