0
Compartilhamentos
Redefinição de Impressão Google+

Estamos acostumados a ler artigos, monografias, ver reportagens que colocam a escola como um espaço de discussão sobre a sexualidade. Mas dentro da escola existe outro espaço que também pode ser um lócus de diálogo sobre essa temática: a biblioteca escolar.

A biblioteca escolar é mais um local para se refletir sobre a sexualidade no contexto escolar, pois como a escola, esta também pode contribuir para difundir o conhecimento, socializar práticas e participar do processo de ensino/aprendizagem do estudante.

Sendo assim, a biblioteca escolar é um local que colabora em oferecer um apoio didático ao docente e ao aluno, o que é essencial para o processo de ensino e aprendizagem de ambos.Por isso, percebermos que a biblioteca escolar pode conscientizar seus usuários no que se refere ao direito ao acesso à informação sexual.

Mas como os usuários podem ter acesso à informação sexual? Através das diversas fontes de informação sobre sexualidade que compõem o acervo de uma biblioteca. Podemos citar os livros, cartilhas, manuais, folders, CDs, DVDs, jogos educativos, periódicos etc. Não existem só esses materiais didáticos para abordar a temática, mas outras estratégias e recursos didáticos que podem ser utilizadas como: palestra, exibição de filmes, trabalhos em grupos, peça teatral, entre outros.

Em A sexualidade ocultada em bibliotecas escolares: uma pesquisa resultante do curso “gênero e diversidade na escola – GDE”, Marcos Felipe Gonçalves Maia questiona: “[…]. As bibliotecas no cenário escolar estão atendendo às necessidades de informação sexual dos/as educandos/as?” Sabemos que na prática as bibliotecas não estão suprindo as necessidades dos alunos em terem acesso a informações relativas à sexualidade. Não digo sobre o seu acervo, pois encontraremos vários materiais sobre isso na biblioteca.

Por exemplo, nas aulas de Ciências e Biologia são abordados conteúdos sobre sexualidade que são explanados pelo professor na sala de aula. Esses livros compõem o acervo de uma biblioteca escolar. Não só essas duas disciplinas, mas outras disciplinas também exploram o tema da sexualidade.

Marilucia Bernardi (A “sexualidade” na biblioteca escolar) destaca que conhece muitas bibliotecas que não podem ter em seu acervo determinados temas, tais como: bruxaria, terror, sexo, religião etc. Não vamos discutir isso aqui, mesmo porque a política de compra da biblioteca deve seguir a política adotada na instituição, e deve ser respeitada. Normas não se discutem, se cumprem. Embora ache um desperdício e até um certo atraso, que um local onde se busca informação e aprendizado, como uma biblioteca, seja impedida de democratizar e abrir o leque do conhecimento para que se torne amplo, geral e irrestrito.

A bibliotecária traz um questionamento muito importante que é sobre a sexualidade ainda ser vista como um tabu. Livros que falem sobre sexo muitas vezes não são bem vistos pela família e até por alguns professores. E nesse caso, dependendo do conteúdo do livro, este será censurado. Bernardi demonstra ser avessa ao fato da biblioteca não democratizar a busca pelo conhecimento já que a biblioteca é um local que dissemina informação.

E não podemos esquecer que para dar esse apoio didático ao aluno teremos a colaboração do professor e do bibliotecário escolar para ajudar a abordar a sexualidade, bem como os demais profissionais da escola. O bibliotecário e o professor serão os mediadores da informação acerca da temática. O bibliotecário escolar pode ser indagado por seus usuários com questões sobre sexualidade no ambiente da biblioteca, assim como o professor é indagado na sala de aula.

É relevante que os alunos tenham a biblioteca escolar como um espaço para expressar seus sentimentos. Que perguntem, tirem dúvidas, tenham respostas aos seus questionamentos. Com isso é possível tornar este local um espaço de reflexão sobre a sexualidade. O estudo deste espaço foi um dos tópicos do meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) e com ele pude perceber a importância da biblioteca escolar em ser espaço para debate da sexualidade.

Contudo, a biblioteca pode ser sim mais um espaço dentro da escola para debater a sexualidade. A biblioteca vai propiciar o acesso à informação sexual colocada em sala de aula e no âmbito escolar. Assim, é uma boa oportunidade para a implantação de um projeto de orientação sexual. E para que a biblioteca escolar seja um espaço de reflexão sobre a sexualidade, deve assim como a escola, dialogar e refletir sobre seu papel a partir das demandas de seus usuários, para poder ser capaz de sanar as necessidades de informação dos seus alunos.

Cursos online de qualificação em Biblioteconomia e Ciência da Informação. Acesse!

Comentários

Comentários

Postagem anterior

Arquivo de García Márquez começará a ser digitalizado em junho

Próximo post

UFRJ oferece cursos de línguas para a comunidade

1 Comentário

  1. Marcos
    11 de janeiro de 2016 a 16:54 —

    Excelente discussão. Mas gostaria de chamar atenção para duas coisas: a autoria se equivoca quando diz que as bibliotecas possuem "vários materiais sobre isso" (sobre a temática da sexualidade); não é isso que a pesquisa de Marcos Maia mostrou, a qual ela mesma está referenciada aqui; e segundo, a autora também se equivoca quando diz que "normas não se discutem, se cumprem". Não posso concordar com tal ideia, falar de sexualidade já é quebrar uma norma, uma norma social, ainda mais quando se fala de homossexualidades…

Deixe uma resposta