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A Biblioteca Parque do Rio (BPR) é tudo o que se pode esperar de uma biblioteca em termos de infraestrutura: ampla, colorida e equipada. Uma situação, entretanto, não passa despercebida para quem visita o local: o grande número de moradores de rua que usam (ou desejam usar o espaço). Em virtude disso, uma questão importante se coloca: os funcionários da BPR em particular e das bibliotecas públicas em geral estão preparados para atender estas pessoas?

Atender população de rua num espaço como o da BPR é diferente de atender este mesmo público numa biblioteca especialmente concebida para estas pessoas, a exemplo da Biblioteca do Centro de Referência Especializado de Assistência Social para População de Rua da cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul. No caso da Biblioteca Parque, caso não exista o mínimo de preparo por parte do corpo de funcionários, estas pessoas poderão ser rechaçadas, fazendo com que aconteça uma exclusão maior do que estas estão rotineiramente acostumadas.

A biblioteca não pode e não deve ser um espaço de exclusão. Ao contrário, a biblioteca deve assumir o dever de garantir a qualquer pessoa a participação na vida cultural da sociedade. Para muitas pessoas a biblioteca pública pode ser o único lugar que lhe garante o mínimo de inclusão com educação e diversão. Uma pena que o dilema de fato não seja apenas a da inclusão destas pessoas na biblioteca pública, mas sim a própria existência deste tipo de biblioteca para que esta cumpra uma de suas missões que é a de incluir.

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4 Comentários

  1. 20 de maio de 2014 a 11:22 —

    Temos uma incrível boa vontade com as experiências realizadas em outros países e costumamos não pensar em suas aplicações por aqui. Já ouvi comentários de uma bibliotecária que visitou a biblioteca pública de Nova Iorque e relatou que mendigos utilizavam o espaço. O comentário mostrava a concordância da profissional com o ato, mas não houve nenhum movimento por parte dela para que o assunto fosse discutido entre os seus alunos (ela era coordenadora e professora de um curso de biblioteconomia).
    Acho que tanto quanto os profissionais já formados, aqueles em formação (graduandos em biblioteconomia) não estão muito interessados no assunto, infelizmente. Nossa função social precisa ser discutida com urgência, principalmente nos espaços acadêmicos. Tenho experiência, como aluno, em dois cursos de biblioteconomia; comecei na UFRJ em 2007 e por incompatibilidade com o horário vespertino do curso precisei ingressar na Unirio em 2010 e o que ambos costumam incutir no graduando é uma aura de "super profissional da informação", esquecendo algumas perguntas importantes: qual informação e para quem, por exemplo.

  2. Eliana Rodrigues
    20 de maio de 2014 a 13:03 —

    Ter uma biblioteca especial para os excluidos, no meu ponto de vista já é uma exclusão. O que precisamos, nós que trabalhamos em PB é trabalhar o usuário que não é morador de rua e não aceita conviver com o excluido. A BPE preparou os seus funcionários e espero que este preparo esteja sempre em atualização, pois não é fácil lidar com os mesmos. Estamos fazendo o nosso melhor e ficamos gratos por citar este problema, sugestões de como lidar serão bem vindas Alexandre e Biblioo.

  3. 20 de maio de 2014 a 14:37 —

    Concordo com as duas colocações, a do autor quando afirma que a “A biblioteca não pode e não deve ser um espaço de exclusão”, bem como a do Alexandre, quando afirma que os cursos de Biblioteconomia direcionam a formação dos alunos de Biblioteconomia para os de "super profissional da informação", esquecendo algumas perguntas importantes: qual informação e para quem, por exemplo”. Reconheço que as tecnologias da informação e da comunicação tornaram a Biblioteconomia muito mais instigante, mas, em alguns casos, percebo na mesma proporção, um distanciamento de alguns novos profissionais com a essência da Biblioteconomia voltada para as pessoas.

    Ao meu ver, a exclusão nas bibliotecas públicas não ocorre apenas com os moradores de rua, como foi o exemplo citado, vale ressaltar que a forma como as bibliotecas públicas disponibilizam seus bens e serviços beneficiam apenas os usuários que são alfabetizados, dessa forma, deixam de cumprir uma das missões-chave do Manifesto da IFLA/UNESCO, quando o mesmo estabelece: “apoiar, participar e, se necessário, criar programas e atividades de alfabetização para diferentes grupos etários”. A população que não é alfabetizada, está automaticamente marginalizados ou fica condicionada quanto ao uso da biblioteca.

  4. rosa gama
    20 de maio de 2014 a 17:57 —

    Assisti varias vezes cenas entre bibliotecários e usuários em que o profissional desestimulava o leitor inclusive o descriminava e a maioria deles não eram mendigos.

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