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Por Luís Miguel Queirós, do publico.pt. Tradução e adaptação: Hanna Gledyz.

No momento em que o Parlamento de Portugal acolhe os Dias da Memória, [Centenário da I Guerra Mundial], Jill Cousins [Diretora Executiva da Fundação Europeana], explica o que é esta gigantesca biblioteca digital, que quer tornar acessível e utilizável toda a herança cultural europeia. Até ao momento, já colocou online digitalizações autenticadas de mais de 32 milhões de peças.

O projeto [de digitalização] Europeana 1914-1918 [e o] Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa [organizaram no mês de outubro de 2014 a iniciativa os] “Dias da Memória[…], [cujo objetivo fora de promover a participação dos cidadãos no estudo e divulgação da presença portuguesa na I Guerra Mundial]. [Esta] é apenas uma das muitas iniciativas da Europeana, uma gigantesca biblioteca digital europeia lançada há cinco anos para concentrar e disponibilizar, em formato digital, toda a herança cultural partilhada ao longo dos séculos pelos países e povos da Europa, das mais famosas pinturas do Louvre a um livro de canções escrito por um soldado francês nas trincheiras da I Guerra e conservado pela sua família. Só de Portugal, a Europeana já recebeu digitalizações de quase 250 mil objetos. E espera que campanhas como esta, em torno da I Guerra, ajudem a dar visibilidade ao projeto e contribuam para aumentar as contribuições dos museus, bibliotecas, arquivos e outras instituições portuguesas.

Em poucas palavras, o que é a Europeana e quais são os principais objetivos do programa?

A Europeana quer transformar o mundo através da cultura. Criamos uma plataforma digital para a nossa herança cultural europeia, que reúne o patrimônio dos grandes museus, das coleções audiovisuais, dos arquivos e bibliotecas, e que educadores, investigadores ou programadores, mas também o público em geral, podem usar e partilhar gratuitamente. Através da Europeana, e graças ao trabalho de três mil instituições culturais, temos agora mais de 32 milhões de objetos disponíveis num só lugar, onde as pessoas podem pesquisar, ou reutilizá-los em outros sites e aplicações.

Pode categorizar, com alguns exemplos concretos, os diferentes tipos de objetos que estão a ser digitalizados?

Temos digitalizações autenticadas de pinturas, fotografias, livros e vídeos, enviadas por três mil bibliotecas, museus, galerias e arquivos. De Portugal, por exemplo, dispomos neste momento de 234.859 itens, que incluem uma representação significativa das coleções de algumas das mais importantes instituições portuguesas de salvaguarda da herança cultural. Do Museu Nacional dos Coches, [Lisboa, Portugal], incluímos recentemente 48 imagens dos belíssimos coches ali conservados. Temos também, por exemplo, 68 objetos do Museu Nacional do Azulejo – gosto particularmente dos painéis de azulejos com vistas de Lisboa antes do terramoto – que foram, entretanto, integradas no sitemuseums.eu, o que constitui um excelente exemplo do modo como o conteúdo da Europeana pode ser reutilizado.

Mas os conteúdos vindos de Portugal não se limitam ao domínio museológico. Recebemos 172 peças do Instituto de História Contemporânea (IHC) da Universidade Nova de Lisboa, sobretudo digitalizações de objetos, fotografias e documentos relacionados com a presença portuguesa na I Guerra, um conjunto que tenderá a expandir-se porque o IHC é nosso parceiro nos Dias da Memória organizados no âmbito do Europeana 1914-1918. Das coleções digitais da Biblioteca Nacional temos mais de 12 mil textos e imagens, incluindo manuscritos, livros raros e mapas. E, no domínio dos arquivos audiovisuais, temos 453 peças da Cinemateca.

Há uma estimativa do número de peças que deveriam ser digitalizadas e reunidas para o programa cumprir plenamente a sua missão? E caso esse objetivo ideal tenha sido calculado, quão longe está a Europeana de o atingir?

Nos cinco anos desde que o programa foi lançado, já disponibilizamos no site europeana.eu digitalizações de mais de 32 milhões de peças da nossa herança cultural, o que é um feito considerável, mas que representa apenas 12% de todo o material já digitalizado nos diversos países europeus, que, por sua vez, corresponde a apenas 10% de tudo o que seria pertinente digitalizar.

Temos um longo caminho a percorrer. Os obstáculos prendem-se, sobretudo com questões de direitos de autor, mas há outros, como a necessidade de garantir a interoperacionalidade e a uniformização das coleções digitais. Esta é de fato a razão subjacente para a importância da Europeana: conseguir que o material digital atravesse as fronteiras, para que possamos dispor da nossa herança europeia do mesmo modo que usufruímos do nosso patrimônio nacional.

Esforçamo-nos para dar às pessoas conteúdo de alta qualidade, com informações claras relativas a direitos, de modo que saibam como podem dispor dele ou reutilizá-lo de forma criativa e inovadora.

Quais são as principais vantagens de ter todo esse patrimônio cultural europeu virtualmente reunido num só lugar?

Vermos a herança cultural que partilhamos e, mais importante ainda, pô-la a funcionar como um todo, de modo a que um investigador possa chegar rapidamente a tudo o que se relacione com Vasco da Gama – mapas, documentos, retratos –, ou com Amália Rodrigues, ou com as pinturas de Nuno Gonçalves, que estão dispersas por toda a Europa, em diferentes instituições e coleções, sabendo que está a lidar com documentos autenticados.

Diria que a prioridade é garantir que a Europeana reúna o máximo de informação possível, ou o programa deveria focar-se mais em organizar e disponibilizar o material que já tem?

Ambas as coisas são necessárias. Mas é preciso perceber que aquilo que há cinco anos era utilizável, já não o é para os tablets e outros equipamentos atuais, de modo que uma função central da Europeana é criar nas instituições dos diferentes países a consciência de que é necessário garantir a qualidade das digitalizações.

Do Original “Digitalizar colecções cria emprego e dá nova vida aos museus e bibliotecas”.

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