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A garagem de casa é o cenário para a realização do sonho de Sidney. Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS
A garagem de casa é o cenário para a realização do sonho de Sidney. Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS

Do Diário Gaúcho.

Depois de descobrir o prazer da leitura, o autônomo Sidney Júnior Costa Bispo, 26 anos, encontrou uma maneira de disseminar esse encanto pelas letras para crianças e adolescentes da comunidade onde mora, na Vila das Laranjeiras, Morro Santana, na Zona Norte [de Porto Alegre, RS].

Às vésperas de abrir as portas da Biblioteca Comunitária Visão Periférica, que funcionará na garagem de sua casa, ele busca apoio para preparar o espaço e garantir o acervo.

— Com a leitura, a gente se aprofunda em detalhes que não via antes. Vemos como a vida é simples, como o conhecimento é importante — explica.

Amor recente pela literatura

Até três anos atrás, Sidney, que estudou até a sétima série, não foi um leitor assíduo. Porém, desde que os intervalos do trabalho como vendedor de uma loja no shopping passaram a ser aproveitados dentro de uma livraria, o prazer da leitura passou a fazer parte do cotidiano do rapaz. A curiosidade, as pesquisas na internet e a vontade de saber mais também contribuíram para o sonho de criar uma biblioteca.

Sidney conta que foi no Cras da região, onde foi orientado a procurar a Biblioteca Comunitária Nova Chocolatão e, a partir de então, conheceu a Ong Cirandar, que promove a democratização da cultura. Atualmente, Sidney participa de um curso de mediador de leitura.

— No princípio, a molecada, talvez, não venha (para a biblioteca) pela leitura, porque nem todas as famílias estimulam, mas virão pelo teatro, pela música — observa.

A partir de maio, a Biblioteca Comunitária Visão Periférica passará a integrar o Redes de Leitura — Bibliotecas Comunitárias de Porto Alegre, um conjunto de comunidades que compartilha saberes e implementa práticas de leitura na Capital.
Mutirão ocorrerá antes de abrir as portas

— Como o carro não veio ainda, vamos colocar a biblioteca na garagem — brinca a doméstica Vera Lúcia de Mates Costa, 41 anos, mãe de Sidney.

Foi dela a ideia de promover um mutirão entre familiares, amigos e moradores da comunidade, que deve ocorrer nas próximas semanas, para dar uma nova cara à peça que abrigará a biblioteca.

Parte do material já veio por meio de doação, assim como os primeiros livros.

— Por enquanto, é na cara e na coragem — afirma Vera.

Cinco dicas para montar uma biblioteca

A coordenadora de Desenvolvimento Institucional da Ong Cirandar, Márcia Cavalcanti, dá dicas para comunidades que gostariam de abrir uma biblioteca. Confira:

1) O primeiro passo é uma mobilização comunitária, na qual um grupo de pessoas ou uma instituição se engage à causa. Dificilmente uma mobilização individual conseguirá tocar a ideia.

2) Na sequência, é preciso pensar no espaço no qual a biblioteca comunitária vai funcionar. O local não pode ser úmido. Deve ser arejado, montado de forma aconchegante, podendo contar com material reciclado e, principalmente, pensado com criatividade. A biblioteca deve ser um espaço atraente. Pode ser em uma garagem, escola ou em uma instituição.

3) O terceiro passo é pensar na montagem do acervo de acordo com a identidade da comunidade. Por exemplo, se a intenção é ser voltada mais ao público infantil, é legal pensar em bons títulos para crianças. Deve estar dirigido ao interesse cultural da comunidade. A coleta de livros pode ocorrer por doações de pessoas, de livrarias ou de editoras.

4) Junto com os parceiros, é importante pensar em práticas de ações culturais dentro da biblioteca, como rodas de história, sessões de cinema ou aulas de artesanato, enfim, eventos dentro deste espaço.

5) Para manter a biblioteca aberta, deve-se ter um educador social ou um voluntário identificado com o local. Iniciativas como esta, a médio e longo prazo, podem obter apoio do Plano Municipal de Livro e Leitura de Porto Alegre, que direciona recursos a várias ações de leitura, incluindo bibliotecas comunitárias.

Para divulgar e juntar recursos

Há cerca de um mês, dentro de uma caixa de sapatos, Sidney e os outros voluntários carregam livros de poesia, chaveiros e marcadores de página.

Os marcadores são feitos com a ajuda do amigo João Felipe Rodrigues de Freitas, 22 anos, que, desde os tempos da Coleção Vagalume — série de livros infantojuvenis bastante popular —, é um leitor apaixonado. A ação é promovida em avenidas como a Assis Brasil e em parques.

— É estranho, porque as pessoas acham que a gente vai pedir dinheiro direto. Mas a gente desafia as pessoas a lerem — revela Sidney, contando que os chaveiros são vendidos a R$ 7.

Ajude o projeto

– São aceitas doações de livros de literatura e infantis para o acervo da biblioteca, além de material de construção que será usado no mutirão.

– Voluntários que quiserem atuar em atividades de mediação de leitura podem entrar em contato pelo telefone [51] 8233-8907, pelo perfil facebook.com/vperiferica, ou no endereço Rua 5, casa 5, Vila das Laranjeiras, no Morro Santana, [Porto Alegre, RS].

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